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Flávio conquista apoio de 17 diretórios do MDB e amplia alianças contra Lula

Baleia Rossi anunciou adesão majoritária em São Paulo; partido mantém divisão interna sobre a disputa presidencial.

Flávio Bolsonaro recebeu, nesta terça-feira, 13 de outubro, o apoio de 17 diretórios do MDB para o segundo turno presidencial. O anúncio foi feito pelo presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, durante encontro em São Paulo.

O evento ocorreu no escritório de campanha utilizado por Tarcísio de Freitas e contou com Ricardo Nunes, Felício Ramuth e outras lideranças. A adesão amplia a articulação do candidato do PL com representantes do centro político.

Baleia Rossi apresentou responsabilidade fiscal, melhoria dos gastos públicos, fortalecimento dos municípios e segurança entre os pontos de convergência. Também mencionou a defesa da democracia e a pacificação nacional.

A decisão não representa unanimidade no MDB. Outros diretórios anunciaram apoio a Lula ou mantiveram liberdade para definir seu posicionamento.

O movimento acrescenta estruturas regionais à campanha de Flávio. O desafio eleitoral será transformar o apoio das lideranças partidárias em participação e votos no segundo turno.

Lula anuncia perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas de MEIs a 12 dias da eleição

Da Redação

Pacote apresentado no Planalto inclui medidas ainda dependentes do Congresso e transferência de recursos sem prazo de implantação divulgado.

O presidente Lula anunciou, nesta terça-feira, 13 de outubro, um pacote para microempreendedores individuais a 12 dias do segundo turno presidencial. A principal proposta prevê o perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias de aproximadamente 3,6 milhões de MEIs.

A remissão dos débitos depende da aprovação de um projeto pelo Congresso. Portanto, o anúncio não significa que as dívidas já estejam canceladas, embora tenha sido apresentado em um momento decisivo da disputa contra Flávio Bolsonaro.

Outra iniciativa é o Pix MEI, que prevê repasses de até R$ 5 mil para investimentos nos negócios. O Ministério do Planejamento informou que o programa estava em estruturação, sem detalhar quando começaria a funcionar.

O pacote também prevê uma operação para comprar dívidas bancárias de MEIs, com descontos mínimos de 90% exigidos das instituições financeiras. O governo defende que as medidas ampliem a capacidade produtiva dos pequenos empreendedores.

A proximidade da eleição dá destaque político ao anúncio, mas sua execução permanece condicionada a decisões legislativas e administrativas. Parte das medidas apresentadas ainda não estava disponível aos beneficiários

Saneago alerta clientes para golpes em falsos canais de atendimento

Empresa identificou contatos com usuários por número falso de WhatsApp; Companhia recomenda cuidado na emissão da segunda via da fatura e no pagamento via Pix

A Saneago alerta os clientes sobre golpes envolvendo falsos canais de atendimento e emissão de boletos fraudulentos. A Companhia registrou casos de mensagens enviadas pelo WhatsApp (62) 99634-9684, número que não pertence à empresa e tem sido utilizado para contato com consumidores. A empresa recomenda que o cliente verifique, antes de emitir a segunda via da fatura ou solicitar qualquer outro serviço, se está usando os canais oficiais.

O atendimento está disponível pelo WhatsApp (62) 3269-9115, pela Central 0800 645 0115 e pela Agência Virtual no site www.saneago.com.br. Qualquer WhatsApp, telefone ou site diferente é golpe e o usuário não deve informar seus dados pessoais. Outro cuidado é na emissão da segunda via da fatura. Há registros de golpes em que os usuários encontram sites fraudulentos ao fazer buscas na internet. A recomendação é digitar www.saneago.com.br sempre que precisar de algum serviço virtual pelo site.

Já o pagamento das contas de água e esgoto, via Pix, deve ser feito exclusivamente pelo QR Code disponibilizado na própria fatura. Antes de concluir a transação, a Companhia orienta conferir o nome da empresa que receberá o valor. Uma outra opção de pagamento é por débito automático na conta corrente. Além de reduzir golpes, a modalidade automatiza a quitação mensal das faturas. Os canais de atendimento ao cliente da Saneago estão divulgados na própria fatura de água e esgoto.

A Saneago informa ainda que a emissão da segunda via da fatura pode ser feita diretamente pelo site do Goiás Expresso, mediante o uso do login com a senha do GOV.BR. Para gerar o documento, basta informar o número da conta e o CPF ou CNPJ. Quem preferir atendimento presencial pode procurar as unidades do Vapt Vupt, com agendamento prévio pelo site www.vaptvupt.go.gov.br

Fotos: Saneago

Legenda: Saneago registra golpes em canais falsos de atendimento e alerta consumidores sobre cuidados na hora de fazer o pagamento da conta

Saneamento de Goiás – Governo de Goiás

Centros de Excelência de Goiás integram pesquisas para antecipar riscos do El Niño no Estado

Pesquisadores apoiados pelo Governo de Goiás elaboram nota conjunta com projeções e recomendações para áreas como recursos hídricos, agricultura, queimadas e saúde

Pesquisadores de cinco Centros de Excelência apoiados pelo Governo de Goiás se uniram para avaliar os possíveis impactos do El Niño no Estado entre 2026 e 2027. O trabalho resultou em uma nota informativa que reúne dados e recomendações para auxiliar o poder público, setores produtivos e a sociedade na preparação para efeitos do fenômeno sobre o clima, os recursos hídricos, a agricultura, as queimadas e a saúde.

As análises apontam que o El Niño pode atingir forte intensidade e persistir até o início de 2027. Para Goiás, o cenário indica temperaturas acima da média, possibilidade de episódios de calor intenso e maior irregularidade na distribuição das chuvas. Os pesquisadores ressaltam, porém, que os efeitos não devem ocorrer de maneira uniforme no Estado e que as projeções representam cenários de risco que precisam ser acompanhados continuamente, e não previsões determinísticas.

A combinação de temperaturas elevadas, irregularidade das precipitações e possível atraso na regularização das chuvas pode afetar diferentes setores. Entre os pontos de atenção estão a disponibilidade de água superficial e subterrânea, vazões de rios e recuperação de reservatórios; o calendário e o desempenho das culturas agrícolas; o aumento das condições favoráveis a queimadas e incêndios florestais; e os impactos do calor e da fumaça sobre a saúde da população.

Na agricultura, por exemplo, um eventual atraso na consolidação das chuvas pode interferir na semeadura da soja e, consequentemente, reduzir a janela disponível para culturas de segunda safra, como milho e sorgo. Na saúde, ondas de calor podem agravar problemas cardiovasculares, respiratórios e renais, enquanto a fumaça das queimadas amplia riscos associados à poluição atmosférica. As condições climáticas também podem influenciar a dinâmica de arboviroses, embora fatores como urbanização, mobilidade, imunidade e circulação viral também sejam determinantes.

Diante desse cenário, os pesquisadores recomendam intensificar o monitoramento climático e hidrometeorológico; acompanhar a disponibilidade e a demanda por água; fortalecer o planejamento agrícola; ampliar as ações de prevenção e resposta a queimadas e incêndios florestais; preparar a rede de saúde para possíveis efeitos do calor, da fumaça e das arboviroses; e integrar informações produzidas por diferentes instituições e setores.

Integração científica
A iniciativa evidencia, na prática, os resultados da política de Centros de Excelência do Governo de Goiás, desenvolvida por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O modelo reúne pesquisadores, infraestrutura e conhecimento especializado em áreas estratégicas para transformar produção científica em soluções voltadas aos desafios do Estado.

Participaram da elaboração da nota pesquisadores dos Centros de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (CEMPA-Cerrado), em Segurança Hídrica do Cerrado (Cehidra Cerrado), em Tecnologia e Inovação em Saúde (CETI-Saúde), em Genética e Genômica (CEGGen) e Agricultura Exponencial (Ceagre). Os centros estão sediados na Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e Instituto Federal Goiano (IF Goiano).

A atuação conjunta mostra uma das principais características da política de Centros de Excelência: reunir diferentes competências científicas para enfrentar problemas complexos. Enquanto o CEMPA-Cerrado atua no monitoramento e previsão ambiental, o Cehidra trabalha com segurança hídrica, o Ceagre conecta ciência e tecnologia ao setor agropecuário, o CETI-Saúde desenvolve soluções e pesquisas aplicadas à saúde e o CEGGen amplia a capacidade de pesquisa em genética e genômica.

A nota sobre o El Niño 2026/2027 transforma essa estrutura científica em uma ferramenta de planejamento. Ao integrar dados ambientais, climáticos, agrícolas, hidrológicos, epidemiológicos e genômicos, os Centros oferecem conhecimento para antecipar riscos e orientar decisões antes que possíveis impactos se agravem. A iniciativa reforça a estratégia do Governo de Goiás de investir em ciência, tecnologia e inovação como instrumentos para o desenvolvimento do Estado e para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

Foto: Ceagre

Legenda 1: Pesquisador acompanha imagens de monitoramento das estações meteorológicas

Legenda 2: Previsão probabilística de chuva para o estado de Goiás, referente a novembro de 2026; imagem gerada por Inteligência Artificial, baseada em informações do boletim meteorológico sazonal do CEMPA-Cerrado

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás – Governo de Goiás

Promessa de ajuste fiscal expõe divergência entre Lula e equipe econômica

Ministro defende reorganização das contas em 4 anos, enquanto declarações do presidente alimentam cobranças por clareza sobre a dívida pública.

A política fiscal do governo Lula voltou ao centro das cobranças em entrevista publicada em 12 de outubro. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que um eventual novo mandato faria um ajuste gradual nas contas públicas, mas a reportagem apontou insatisfação de empresários e integrantes do mercado com a falta de uma mensagem clara do presidente.

Segundo Moretti, o governo projetava passar de um déficit de 0,5% do PIB em 2026 para um superávit de 1,5% em 2030. O esforço estimado seria de pelo menos R$ 250 bilhões ao longo de 4 anos.

A sinalização técnica contrasta com declarações de Lula. Em entrevista ao Jornal Nacional, o presidente disse que a dívida pública não o preocupava. Em outra ocasião, criticou a cobrança por superávit e controle fiscal como obstáculos ao investimento.

Moretti minimizou essas falas e argumentou que Lula assinou propostas comprometidas com uma trajetória de superávit. A defesa do ministro, entretanto, evidencia a necessidade de explicar como o discurso presidencial se concilia com o planejamento das contas.

O plano dependeria de medidas para desacelerar despesas obrigatórias e assegurar receitas. A promessa de equilíbrio gradual ainda exigia execução e resultados, além de maior clareza sobre as escolhas orçamentárias de um possível novo mandato.

Lula prepara pacote para MEIs a menos de 2 semanas da eleição

Anúncio previsto para 13 de outubro ocorre na reta final da campanha; ampliação do teto de faturamento ainda depende da Câmara.

O governo Lula finalizava, em 12 de outubro, um pacote para microempreendedores individuais e pequenas empresas, com anúncio esperado para o dia seguinte. A apresentação foi programada para menos de 2 semanas antes do segundo turno presidencial, aproximando a agenda econômica do calendário eleitoral.

As iniciativas em discussão incluíam novas linhas de crédito e mecanismos de renegociação de dívidas. Naquela data, os detalhes ainda passavam por ajustes, sem informações suficientes para avaliar o alcance das medidas.

Lula também deveria manifestar apoio ao aumento do limite anual de faturamento do MEI, de R$ 81 mil para R$ 130 mil. A proposta permitiria a contratação de até 2 empregados, mas aguardava votação na Câmara dos Deputados.

O apoio presidencial, portanto, não garantiria a mudança imediata. A ampliação dependia do Congresso, e a reportagem apontava que a análise poderia ocorrer somente depois das eleições.

O pacote colocava o incentivo ao empreendedorismo no discurso de Lula em um momento decisivo da campanha. Para os pequenos negócios, porém, os efeitos concretos dependeriam das regras anunciadas e da implementação das medidas.

Celina promete ampliar ensino integral e pede campanha sem violência no DF

Em Ceilândia, candidata apresentou propostas para educação, parques e esporte e orientou apoiadores a evitar provocações.

A governadora e candidata à reeleição Celina Leão apresentou a ampliação da educação integral como uma das prioridades para um eventual novo mandato. Durante compromissos em Ceilândia, na segunda-feira, 12 de outubro, ela se reuniu com integrantes da comunidade piauiense e discutiu oportunidades para as famílias.

Celina afirmou que pretende expandir gradualmente a jornada integral nas escolas públicas do Distrito Federal. Também mencionou a possibilidade de ampliar o atendimento relacionado ao Cartão Creche, sem detalhar prazos ou a execução da medida.

Na mesma agenda, a candidata pediu respeito entre os grupos políticos durante o segundo turno. Disse que orientou sua militância a não reagir a provocações e defendeu que as campanhas concentrem esforços na apresentação de propostas.

A governadora também apresentou projetos para melhorar parques, ampliar ciclovias e fortalecer os centros olímpicos. Entre as estruturas mencionadas estão iluminação, vigilância, pistas de caminhada e equipamentos esportivos.

Para a população idosa, Celina defendeu atividades específicas nos centros olímpicos, com acompanhamento especializado. As iniciativas foram apresentadas como propostas de campanha, cuja execução dependerá do planejamento e dos recursos disponíveis.

Celina abre 20 pontos de vantagem sobre Grass na disputa pelo GDF, aponta Quaest

Pesquisa divulgada em 12 de outubro mostra governadora com 53% das intenções de voto e adversário com 33%.

A governadora Celina Leão (PP) aparece à frente de Leandro Grass (PT) na disputa pelo Governo do Distrito Federal, segundo pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, 12 de outubro. No levantamento, a candidata à reeleição registra 53% das intenções de voto, enquanto Grass soma 33%.

A diferença entre os candidatos é de 20 pontos percentuais. Outros 8% dos entrevistados declararam intenção de votar em branco ou nulo, e 6% disseram não saber em quem votar.

A pesquisa também avaliou a possibilidade de mudança na escolha eleitoral. Entre os entrevistados, 88% afirmaram que não pretendem alterar o voto, enquanto 12% admitiram que ainda podem mudar de candidato.

O instituto ouviu 1.104 pessoas entre 8 e 11 de outubro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é DF-08737/2026.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Os percentuais apresentados correspondem às intenções de voto totais, incluindo brancos, nulos e indecisos.

Análise: o papel de Ormuz e da Arábia Saudita nas perspectivas para 2027

Análise: o papel de Ormuz e da Arábia Saudita nas perspectivas para 2027

Conflito no Golfo pressiona petróleo e muda cenário econômico para 2027

O ataque ao aeroporto de Riade marcou a transformação da guerra no Golfo, que deixou de ser um evento de cauda e passou a ser considerado cenário-base para 2027. Entre 6 e 11 de outubro, mísseis e drones lançados por houthis mataram 19 pessoas e feriram mais de 350 em aeroportos da Arábia Saudita, configurando os ataques mais letais contra um país árabe do Golfo desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro.

O principal exportador de petróleo do mundo passou de porto seguro a alvo, afetando diretamente a economia global: o petróleo superou US$ 100, a inflação segue resistente e os juros permanecem elevados. O impacto é analisado a partir de três questões: os efeitos para a Arábia Saudita e suas empresas caso o conflito se amplie, o custo para o crescimento global e as mudanças para tomadas de decisão empresarial em 2027.

O conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Desde então, o Irã retaliou países do Golfo, incluindo refinarias sauditas, e o tráfego pelo Estreito de Ormuz segue ameaçado. Em outubro, 11 navios foram atingidos em Ormuz ou na costa de Omã. Em julho, uma nova frente foi aberta quando a Arábia Saudita retomou bombardeios ao Iêmen, e os houthis responderam com ofensiva que ameaçou o Estreito de Bab-el-Mandeb, porta de saída do Mar Vermelho. Para suprir Ormuz, a Arábia Saudita depende do oleoduto Leste-Oeste, que foi atingido por ataques houthis, ficando temporariamente fora de operação e comprometendo até 4% da oferta mundial de petróleo.

O choque chega às empresas por cinco canais principais: o preço do petróleo, que superou US$ 100 o barril e atingiu picos acima de US$ 108 após ataques à Aramco — diferença considerável frente à projeção do FMI de US$ 78 para 2026; aumento de frete e do prêmio de seguro de guerra; alta no querosene da aviação devido a ataques iranianos à capacidade de refino do Golfo; maior custo de insumos petroquímicos e fertilizantes; e valorização do dólar, dificultando crédito para mercados emergentes.

Os bancos centrais costumam tratar choques de oferta como passageiros, mas a crise chega em um momento de inflação ainda fora das metas. Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor fechou agosto em 3,4% em 12 meses, puxada pela energia. Em setembro, o Fed elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% e a ata da reunião indica possível nova alta ainda em 2026. O Copom, no Brasil, reduziu a Selic para 13,75% e projeta IPCA de 5,2% em 2026 e 3,9% em 2027, ainda acima da meta, com a próxima decisão marcada para novembro. O espaço para cortes de juros no Brasil diminui a cada novo ataque na região.

A perspectiva é de que o ciclo de cortes da Selic seja mais curto e lento que o previsto no início do ano, e os juros altos devem ser encarados como uma nova normalidade para o planejamento de 2027.

O desfecho do conflito depende mais do tempo em que a infraestrutura saudita e as rotas marítimas permanecerem comprometidas do que do preço do petróleo em um dia específico. Segundo o FMI, em seu cenário de referência de abril, um conflito curto reduziria o crescimento global de 2026 para 3,1% e elevaria a inflação mundial para 4,4%. No cenário adverso, o crescimento cairia para 2,5% e a inflação alcançaria 5,4%. No cenário severo, a expansão econômica mundial seria de 2% em 2026 e 2027, com inflação acima de 6%. Para o petróleo, a Goldman Sachs estima chance crescente de o Brent superar US$ 120, enquanto a Capital Economics aponta até US$ 130 caso o oleoduto Leste-Oeste permaneça parado por semanas. Após os ataques à capital saudita, a hipótese de guerra curta perdeu força, estabelecendo o conflito prolongado como cenário-base.

A Arábia Saudita enfrenta o paradoxo de ter lucros elevados com o petróleo, mas só ganha pelo volume escoado. Com exportações comprometidas, cada dia de oleoduto parado ou navio desviado adia receitas e eleva custos de proteção, afetando empresas como a Aramco. Bancos como SNB e Al Rajhi, ligados a megaprojetos da Visão 2030, podem ver crescimento desacelerado se o governo priorizar defesa e segurança. O turismo, setor chave para diversificação econômica saudita, foi afetado pela recomendação de países como Reino Unido, França, Alemanha, Austrália e Canadá para evitar viagens ao país, além de cancelamento de voos por companhias aéreas. O orçamento público para 2026 já previa déficit de 166 bilhões de riais; elevação de gastos militares e instabilidade nas receitas de exportação pressionam o fundo soberano PIF a selecionar prioridades.

O FMI projeta crescimento global de 3,0% em 2026 e de 3,4% em 2027, supondo que o choque energético se dissipe. O relatório de outubro, previsto para 13 de outubro, deve apontar o quanto essa projeção resistiu à recente escalada. A Ásia é a região mais vulnerável, já que China, Índia, Japão e Coreia do Sul são os principais destinos do petróleo saudita. O FMI já estima desaceleração chinesa para 4,6% em 2026, parcialmente devido ao petróleo mais caro.

Para as empresas, o custo da guerra aparece nas linhas de energia e combustível, frete e seguro, capital de giro — com aumento de estoques de segurança —, custo da dívida, câmbio e demanda enfraquecida pela inflação. No Brasil, os maiores beneficiados são petroleiras e exportadores de commodities devido a preços e câmbio, enquanto empresas aéreas, varejistas, logísticas, indústrias químicas dependentes de nafta e companhias alavancadas são prejudicadas. O agronegócio se beneficia nas exportações, mas arca com fertilizantes mais caros. A política de preços da Petrobras torna-se um risco político adicional diante da alta do combustível.

Para 2027, indicadores operacionais a serem monitorados incluem o status do oleoduto Leste-Oeste e do tráfego em Ormuz e Bab-el-Mandeb, prêmios de seguro de guerra e frete na rota Golfo-Ásia, formato da curva do petróleo, além dos desdobramentos das próximas reuniões do Fed, Copom e divulgação do WEO do FMI.

Entre as ações recomendadas, estão: revisar orçamentos com petróleo acima de US$ 100 e Selic acima de 12% como premissas; alongar e travar dívidas; proteger câmbio e insumos por hedge e contratos indexados; diversificar fornecedores e rotas para mais previsibilidade, mesmo a custo maior; e preservar caixa, pois liquidez é diferencial em ambiente de juros altos. O principal aprendizado de 2026 é que o risco geopolítico passou a ser custo relevante para empresas, exigindo planejamento contínuo diante das incertezas no Golfo.

De Calia para Alia: agência abre nova fase de expansão

Imported Article – 2026-10-13 18:41:17

Gustavo Mouco, CEO da agência Alia, defende que crescer no mercado nacional exige compreender as especificidades de cada região, especialmente ao atuar em Brasília e São Paulo.

Após três décadas sob o nome Calia e integrada à FSB Holding, a agência adotou o nome Alia. Gustavo Mouco afirma que a mudança simboliza uma nova fase, mas não abandona a trajetória construída. “A mudança não apaga a nossa história. Ela nasce dessa história”, afirma o CEO, ressaltando que a evolução ocorre sem perder proximidade e compromisso com os clientes.

Mouco destaca o ganho de sinergia e inteligência com a integração à FSB Holding, combinando estrutura, mercado e as competências já reconhecidas pelos clientes da agência. Segundo ele, o cenário atual exige unir criatividade estratégica, uso de dados e conhecimento real dos públicos para construir reputação, além de acompanhar a fragmentação da atenção do consumidor e a cobrança por propósito.

Sobre o crescimento de 15,8% no investimento em mídia das agências no primeiro semestre de 2026, atingindo R$ 13,8 bilhões, Mouco avalia que, apesar dos desafios e restrições eleitorais, o setor exige forte planejamento, acompanhamento diário dos clientes e busca ativa por oportunidades em licitações e concorrências. Para 2027, prevê que o mercado se mostrará ainda mais dinâmico e exigente.

No contexto de Brasília, o CEO avalia que é preciso superar a percepção da cidade como mero centro administrativo, reconhecendo seu potencial em consumo, inovação e relacionamentos institucionais. Ele aponta como erro frequente de quem chega de fora subestimar as especificidades culturais e geográficas da região. Com experiência atendendo os setores público e privado, Mouco afirma que o principal aprendizado é o entendimento da diversidade brasileira, considerado diferencial importante para as marcas.

Operando em Brasília e em São Paulo, Gustavo Mouco relata o desafio de equilibrar as demandas da publicidade voltada para reputação institucional com a busca por eficiência típica do mercado privado. Para construir presença e reputação no Distrito Federal, ele sugere mapear stakeholders e compreender o perfil multicultural da área.