Ministro defende reorganização das contas em 4 anos, enquanto declarações do presidente alimentam cobranças por clareza sobre a dívida pública.
A política fiscal do governo Lula voltou ao centro das cobranças em entrevista publicada em 12 de outubro. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que um eventual novo mandato faria um ajuste gradual nas contas públicas, mas a reportagem apontou insatisfação de empresários e integrantes do mercado com a falta de uma mensagem clara do presidente.
Segundo Moretti, o governo projetava passar de um déficit de 0,5% do PIB em 2026 para um superávit de 1,5% em 2030. O esforço estimado seria de pelo menos R$ 250 bilhões ao longo de 4 anos.
A sinalização técnica contrasta com declarações de Lula. Em entrevista ao Jornal Nacional, o presidente disse que a dívida pública não o preocupava. Em outra ocasião, criticou a cobrança por superávit e controle fiscal como obstáculos ao investimento.
Moretti minimizou essas falas e argumentou que Lula assinou propostas comprometidas com uma trajetória de superávit. A defesa do ministro, entretanto, evidencia a necessidade de explicar como o discurso presidencial se concilia com o planejamento das contas.
O plano dependeria de medidas para desacelerar despesas obrigatórias e assegurar receitas. A promessa de equilíbrio gradual ainda exigia execução e resultados, além de maior clareza sobre as escolhas orçamentárias de um possível novo mandato.


