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CDH retoma trabalhos em 2026 com agenda intensa sob presidência de Damares Alves

Comissão inicia 2026 com deliberações sobre inclusão, infância, saúde e proteção de grupos vulneráveis

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa iniciou 2026 com uma agenda carregada de pautas sociais e sob condução firme da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente do colegiado. A retomada dos trabalhos confirma a CDH como um dos espaços mais ativos do Senado Federal no debate de direitos humanos.

Na primeira reunião deliberativa do ano, realizada em fevereiro, a comissão aprovou uma série de projetos e requerimentos voltados à proteção de grupos vulneráveis e ao fortalecimento de políticas públicas estruturantes. A pauta refletiu prioridade para temas como infância, saúde, inclusão social, proteção animal e valorização da vida.

Entre as propostas aprovadas, está o projeto que proíbe o uso de coleiras de choque em animais domésticos, enquadrando a prática como maus-tratos e crime ambiental. A CDH também deu aval ao texto que garante o fornecimento gratuito de protetores auriculares a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), medida voltada à inclusão e à permanência desses alunos no ambiente escolar.

Além das matérias legislativas, a comissão aprovou um pacote de audiências públicas e campanhas institucionais ao longo de 2026. Estão previstas ações de conscientização sobre o combate ao trabalho infantil, a prematuridade e a saúde neonatal, a prevenção do suicídio, o aleitamento materno e o enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. A agenda inclui ainda debates sobre o desaparecimento de crianças e adolescentes, os direitos da menina, a empregabilidade de pessoas com TEA e o fortalecimento dos Conselhos Tutelares.

Durante a reunião, a presidente da CDH destacou o foco da comissão na infância e na participação social.

“Esse ano vamos encher o plenário de crianças aqui de todo o Brasil”, afirmou Damares Alves (Republicanos-DF), ao defender a ampliação do diálogo direto com crianças e adolescentes nas atividades da comissão.

Também foi aprovada a realização de audiência pública para a prestação de contas das atividades do biênio 2025–2026, reforçando o compromisso com a transparência institucional.

Com a aprovação das primeiras matérias do ano, a CDH inicia 2026 com agenda definida e reforça o papel do colegiado no debate sobre direitos humanos no Senado.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Passagens entre Entorno e DF devem ficar mais caras ainda em fevereiro

(crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Sem definição sobre novo consórcio, ANTT estuda reajuste de tarifas do transporte semiurbano

Usuários das linhas de transporte coletivo entre o Entorno do Distrito Federal e Brasília podem enfrentar um novo aumento no preço das passagens já neste mês de fevereiro. A informação circula nos bastidores enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ainda não se pronuncia oficialmente sobre o tema.

O reajuste vem sendo estudado pela agência, apesar da ausência de acordo para a atuação de um novo consórcio responsável pelas linhas. Em 2025, as tarifas já haviam sido reajustadas em 2,91%, percentual que só não foi maior devido à intervenção do Governo de Goiás.

A indefinição na gestão e a falta de renovação do modelo de operação agravam um cenário já crítico para a população, que enfrenta diariamente ônibus antigos, superlotação e tarifas consideradas elevadas.

Atualmente, os preços praticados para os principais trajetos do Entorno são: R$ 10,70 entre Luziânia e Brasília; R$ 11,15 saindo de Águas Lindas; R$ 12,05 partindo de Novo Gama; e R$ 8,65 de Cidade Ocidental. Os valores podem variar conforme o ponto de origem ou destino dentro da rota.

A expectativa é que a definição sobre o aumento ocorra nos próximos dias, possivelmente já na próxima semana. Até o momento, autoridades ligadas ao transporte semiurbano não se manifestaram publicamente sobre o possível reajuste. Enquanto isso, cresce a preocupação entre os moradores da região, que dependem do serviço para trabalhar e estudar na capital federal.

Governo de Goiás entra em choque com Assembleia ao reter repasses orçamentários

Disputa sobre duodécimos expõe tensão entre poderes e reacende debate sobre autonomia institucional.

A política goiana ganhou novos contornos de tensão após o governo estadual decidir reter parte dos repasses orçamentários destinados à Assembleia Legislativa e a outros órgãos autônomos. A medida, justificada como ajuste fiscal, foi interpretada como gesto de força do Executivo.

O argumento do governo é de que valores não devolvidos em exercícios anteriores precisam ser compensados, garantindo equilíbrio das contas públicas. Já os atingidos enxergam na decisão um risco à autonomia constitucional dos poderes.

O embate rapidamente ultrapassou o campo técnico e migrou para o político. Parlamentares passaram a tratar o tema como interferência indevida, enquanto o Executivo reforça a narrativa de responsabilidade e zelo pelo dinheiro público.

A consequência imediata é um ambiente legislativo mais duro, com maior dificuldade de construção de consensos. Projetos estratégicos podem enfrentar obstáculos adicionais em meio ao clima de desconfiança.

Para o Mirante Social, a disputa sinaliza que 2026 tende a ser um ano de relações institucionais mais ásperas em Goiás. Quando orçamento vira arma política, a governabilidade entra em teste.

Lula transforma debate sobre fim da escala 6×1 em eixo político da agenda nacional

© Frame/Gov.br

Planalto articula com Congresso para colocar jornada de trabalho no centro da disputa social e eleitoral.

O governo federal decidiu elevar o debate sobre o fim da escala 6×1 ao patamar de prioridade política. A movimentação do Palácio do Planalto junto ao comando da Câmara dos Deputados sinaliza que a pauta não é apenas trabalhista, mas estratégica dentro da construção de uma narrativa de valorização do trabalhador brasileiro.

Ao apostar nesse tema, o presidente Lula busca dialogar diretamente com a base popular, especialmente com trabalhadores de setores que convivem com jornadas exaustivas e baixa previsibilidade de descanso. A proposta é apresentada como um gesto de modernização das relações de trabalho e de promoção da qualidade de vida.

Nos bastidores, a articulação envolve cuidado técnico e político. O governo tenta construir um modelo de transição que reduza resistência empresarial, preserve empregos e evite impacto negativo sobre a economia. A palavra de ordem é equilíbrio: mudança gradual, mas com direção clara.

A estratégia também tem leitura eleitoral. Ao transformar a jornada de trabalho em símbolo de justiça social, o Planalto cria um contraste direto entre um projeto que promete mais tempo e dignidade ao trabalhador e um campo político que tende a defender manutenção do status quo.

Para o Mirante Social, a ofensiva em torno da escala 6×1 mostra que Lula aposta em pautas de alto impacto emocional e social para reorganizar o debate nacional. Mais do que uma mudança na legislação, o governo tenta consolidar um discurso de futuro.

Negociações de paz em Abu Dhabi reposicionam EUA, Ucrânia e Rússia no tabuleiro geopolítico mundial

Hamad Al Kaabi/UAE Presidential

Rodada diplomática mediada por Washington tenta abrir caminho para cessar-fogo e redefinir rumos da guerra no leste europeu.

A cidade de Abu Dhabi voltou a ocupar lugar central no noticiário internacional ao sediar uma nova rodada de negociações envolvendo Estados Unidos, Ucrânia e Rússia. O encontro, realizado em meio a um dos conflitos mais prolongados da atualidade, reacende expectativas de avanços diplomáticos e reposiciona as principais potências no esforço de construção de uma saída política para a guerra.

O movimento é interpretado como uma tentativa clara de Washington de retomar protagonismo direto na mediação, assumindo papel mais ativo na busca por mecanismos de redução das hostilidades. Ao mesmo tempo, Kiev aposta na pressão diplomática como instrumento complementar à resistência militar, enquanto Moscou tenta preservar margem de negociação sem sinalizar recuo estratégico.

Nos bastidores, a prioridade tem sido a construção de bases mínimas de confiança, com foco em temas como corredores humanitários, troca de prisioneiros e possíveis parâmetros para um cessar-fogo gradual. Ainda que não se espere um acordo definitivo no curto prazo, diplomatas avaliam que a manutenção do canal aberto já representa um ganho político relevante.

A rodada em Abu Dhabi também reflete a fadiga internacional com os efeitos colaterais da guerra, que seguem impactando mercados, cadeias de suprimentos e a estabilidade energética global. Esse cenário amplia a pressão sobre as lideranças envolvidas para apresentar sinais concretos de disposição ao diálogo.

Para o portal Mirante Social, o encontro simboliza uma virada de fase: sai de cena a lógica exclusiva da confrontação e entra, ainda que timidamente, a lógica da negociação estruturada. O desfecho permanece incerto, mas o tabuleiro internacional começa a ser reorganizado.

Detran-DF reforça fiscalização com 167 novas viaturas nas ruas

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília


Renovação da frota amplia presença do órgão nas vias e melhora condições de trabalho dos servidores


O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) ganhou reforço nesta semana com a chegada de 167 novas viaturas, das quais 109 são destinadas especificamente à fiscalização de trânsito. A medida tem como objetivo ampliar a atuação do órgão nas ruas, garantindo mais segurança viária e agilidade no atendimento às ocorrências.

A renovação da frota representa um investimento direto na melhoria das condições de trabalho dos servidores e no fortalecimento das ações de prevenção de acidentes. Integrado ao sistema de Segurança Pública do DF, o Detran desempenha papel essencial na organização do tráfego e na preservação de vidas.

Segundo o Governo do Distrito Federal (GDF), a entrega das novas viaturas faz parte de um planejamento estratégico baseado na integração entre as forças públicas e na busca por resultados concretos. “Com planejamento, integração entre as forças e foco em resultado, o GDF segue avançando em entregas que impactam positivamente o dia a dia da população”, afirmou a gestão em comunicado.

A presença mais efetiva do Detran nas vias deve contribuir para a fluidez do trânsito e para a redução de infrações, promovendo um ambiente mais seguro para motoristas, ciclistas e pedestres.

A iniciativa reforça o compromisso do governo com a modernização dos serviços públicos e o aprimoramento da mobilidade urbana no Distrito Federal.

Eleições 2026 e compliance: como a rotatividade no poder transforma PEPs em ‘alvo móvel’

Mudanças constantes em cargos públicos elevam riscos reputacionais; empresas buscam infraestrutura de decisão para evitar multas de até 20% do faturamento

Com a proximidade das eleições de 2026, o cenário corporativo brasileiro se prepara para um dos períodos de maior volatilidade na gestão de riscos. O dinamismo das listas de Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) atinge seu pico em anos eleitorais, transformando o monitoramento de terceiros em um verdadeiro ‘alvo móvel’. Nesse contexto, parceiros ou fornecedores aprovados em processos de onboarding hoje podem se tornar riscos jurídicos graves em questão de dias devido a novas nomeações e trocas de cargos.

Para Gustavo Tremel, cofundador e CEO da startup catarinense VAAS, o maior perigo para as organizações é confiar no que ele define como ‘foto estática’. “O onboarding que você fez hoje pode ignorar que seu fornecedor se tornou um PEP amanhã”, analisa o executivo. Tremel alerta que, sob a Lei Anticorrupção (12.846/13), a responsabilidade das empresas é objetiva: “Se um parceiro cometer um ilícito em seu interesse, sua empresa responde junto, com multas de até 20% do faturamento”.

Compliance reativo é falho

O modelo tradicional de checagens esporádicas tem se mostrado insuficiente diante da velocidade das mudanças no setor público. Segundo Tremel, o compliance reativo é o maior inimigo da operação de uma empresa. “A dependência de verificações manuais em um ano de renovação massiva de cargos expõe as companhias a pontos cegos que podem comprometer a marca e a saúde financeira do negócio”, explica o CEO da VAAS.

A resposta para essa volatilidade reside na tecnologia de monitoramento contínuo: em vez de apenas checar a entrada, a ideia é vigiar o risco durante todo o ciclo de vida do parceiro ou cliente. Essa abordagem permite que as empresas mantenham conformidade rigorosa não apenas com a Lei Anticorrupção, mas também com diretrizes setoriais específicas, como a Circular BACEN 3.978/20, que rege políticas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD).

Tecnologia atua como infraestrutura de decisão

A orquestração de dados, proposta pela VAAS, surge como ferramenta para garantir que o rigor do compliance não se torne um gargalo para o crescimento das empresas. Gustavo Tremel conta que a integração de diferentes fontes de dados e aplicações em um único hub permite uma visão total da exposição ao risco.

“Os benefícios são diversos. Destaco o mapeamento de UBO (beneficiário final), que identifica os reais controladores de empresas em segundos; o monitoramento ativo de mudanças de status de PEPs, varredura de mídias negativas e critérios ESG; e a geração de dossiê probatório com apenas um clique, assegurando segurança jurídica”, pontua o executivo.

Tremel conclui que ao adotar inovação no compliance, o empreendedor se protege em cenários turbulentos como o eleitoral. “Para as empresas que buscam navegar a instabilidade de 2026, a mensagem é clara: a reputação não pode ser deixada ao acaso”, finaliza o cofundador da VAAS.

“Luta deve ser de toda a sociedade, principalmente dos homens”, diz Lula, ao assinar Pacto Nacional contra o Feminicídio

O Pacto Nacional - Brasil contra o Feminicídio é uma resposta dos Três Poderes – Governo do Brasil, Congresso Nacional e Poder Judiciário – à escalada da violência de gênero, traduzida na alarmante estatística de quatro vítimas de feminicídio a cada 24 horas no país. Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR

Em iniciativa inédita, líderes dos Três Poderes se uniram nesta quarta (4/2) numa ação conjunta de combate ao feminicídio, crime responsável por quatro mortes diárias no país

Num evento que congregou os Três Poderes em uma ação inédita de prevenção e combate ao feminicídio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a mensagem de que o tema exige engajamento de todos, mas em especial dos homens. “Lutar contra o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres deve ser responsabilidade de toda a sociedade. Mas, principalmente e especialmente, dos homens”, afirmou, em um salão lotado de autoridades e representantes da sociedade civil no Palácio do Planalto.

O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio tem como objetivos acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores. Ele representa uma resposta dos Três Poderes – Governo do Brasil, Congresso Nacional e Poder Judiciário – à escalada da violência de gênero, traduzida em uma alarmante estatística de quatro vítimas de feminicídio a cada 24 horas no país.
 

“É inadmissível que enquanto fortalecemos os instrumentos de proteção, a exemplo da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio, homens continuem agredindo e assassinando mulheres. A segurança de meninas e mulheres é condição necessária para a nossa evolução enquanto sociedade e para o exercício pleno da democracia. Hoje, começamos uma nova era na relação entre homens e mulheres. O que queremos é ser parceiros para que a gente possa fazer a sociedade brasileira, e possivelmente a humanidade, melhorar. Esse gesto ultrapassa a fronteira do Brasil”, afirmou Lula.
 

Para garantir a efetividade das ações, o pacto institui uma estrutura formal de governança, com a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O decreto que cria o colegiado foi assinado durante o evento. O colegiado reunirá representantes dos três Poderes, com participação permanente de Ministérios Públicos e Defensorias Públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência. Pelo Executivo, integram o comitê Casa Civil, Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.
 

Ao reforçar o chamado à ação, Lula alertou para o papel da omissão social na perpetuação da violência. “É inaceitável que mulheres continuem sendo espancadas e assassinadas todos os dias sob o olhar de uma sociedade que peca por omissão. Que se cala diante de cenas cotidianas de abuso e violência. É preciso deixar bem claro: qualquer sinal de maus tratos na rua, gritos na vizinhança, abusos e intolerância no ambiente de trabalho, cada gesto de violência, é um feminicídio anunciado. Não podemos nos calar. Não podemos mais nos omitir e fingir que não temos nada a ver com isso”.
 

» Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

» Texto do Pacto entre os Três Poderes para enfrentamento ao Feminicídio
 

RESPEITO – Uma das responsáveis pela mobilização em torno do combate ao feminicídio que culminou no pacto assinado no Planalto, a primeira-dama Janja Lula da Silva discursou representando as mulheres do país. “O ciclo de violência contra as mulheres e o feminicídio viraram regra. A banalização do corpo feminino, ensanguentado, mutilado, arrastado pelo asfalto, queimado e jogado do alto de um prédio é inaceitável para um país que vive em pleno desenvolvimento e é reconhecido internacionalmente por suas políticas públicas”, afirmou Janja. “Estamos exaustas, mas não estamos desistindo e jamais desistiremos da vida de nenhuma de nós. Por isso pedimos que vocês, homens, estejam ao nosso lado. Queremos ser respeitadas, queremos ser amadas, queremos ser livres, queremos nos manter vivas e queremos vocês, homens, nessa luta ao nosso lado. Todos por todas”, prosseguiu.
 

DIA PARA A HISTÓRIA – Para a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), a assinatura do Pacto é um marco. “Hoje é um dia para entrar na história. A violência contra meninas e mulheres não pode e não deve ser vista com naturalidade, embora esteja enraizada na formação histórica machista, patriarcal e injusta da sociedade. Usaremos de toda a nossa estrutura para atingir esse objetivo. Cabe a cada um e a cada uma de nós trabalhar cada vez mais para transformar este pacto em realidade pelos direitos, pela igualdade e pela vida das meninas e das mulheres”.

AGILIDADE – Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin declarou que a Justiça nos casos de feminicídio será cada vez mais célere. “Não podemos normalizar esse estado de coisas. O feminicídio é uma violação de direitos humanos que deve ser repudiada, punida e erradicada da vida social”, frisou. “Não haverá igualdade e liberdade de fato para todas as pessoas enquanto as meninas e mulheres brasileiras precisarem conviver todos os dias com a perspectiva de serem vítimas dessa violência. É preciso prevenir, responsabilizar e proteger. Com este pacto de hoje vamos avançar. A Justiça será cada vez mais rápida no julgamento. A verdadeira paz não nasce do medo e do silêncio, mas floresce quando há proteção, liberdade e dignidade”, disse Fachin.
 

URGÊNCIA – Os dados do sistema de Justiça evidenciam a dimensão e a urgência do enfrentamento ao feminicídio. Em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, coordenado pelo Ministério das Mulheres, registrou, em média, 425 denúncias por dia em 2025.

INADMISSÍVEIS – Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta classificou essas estatísticas como inadmissíveis. “Infelizmente, nosso Brasil fechou o ano de 2025 com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. É inconcebível que permitamos que esses números continuem a acontecer. Mais do que assinar um documento, temos que ter a capacidade de agir e de enfrentar uma agenda que passa pelo endurecimento das leis, pela ação do Estado. Governo Federal, estados e municípios coibindo, através das nossas forças de segurança e respondendo de forma imediata a quem agir dessa forma, seja na violência contra a mulher, seja cometendo qualquer outro tipo de crime”, ressaltou.
 

PRIORIDADE – Ao unir os Três Poderes em uma ação coordenada e permanente, o pacto reforça a prioridade do tema na agenda nacional e convoca estados, municípios e a sociedade a atuarem de forma conjunta no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas. A iniciativa estabelece uma atuação inédita, coordenada e permanente entre os três Poderes para prevenir a violência letal contra meninas e mulheres no país. O Pacto parte do reconhecimento de que a violência contra as mulheres e meninas no país é uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.
 

RESPOSTA FIRME – Presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal, Davi Alcolumbre classificou o feminicídio como uma ferida do país e disse que o Estado não se omitirá. “O feminicídio não é uma estatística. É o lado mais cruel de uma violência que atravessa todos os dias a vida de milhares de mulheres brasileiras. É uma chaga aberta na sociedade brasileira e, como tal, deve ser tratado como problema de Estado e não de governo. Esse é um aviso claro de que o Estado brasileiro não está omisso. Enquanto houver violência contra as mulheres, haverá resposta firme das instituições”
 

O que muda com o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio

  • Medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade

    Menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da mulher. A ideia é que decisões judiciais, polícia, assistência social e rede de acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem “empurra-empurra”.
     
  • Estado inteiro olhando para o mesmo caso

    Executivo, Legislativo e Judiciário e órgãos de controle compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, do pedido de ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco.
     

Mais do que assinar um documento, temos que ter a capacidade de agir e de enfrentar uma agenda que passa pelo endurecimento das leis, pela ação do Estado. Governo Federal, estados e municípios coibindo, através das nossas forças de segurança e respondendo de forma imediata a quem agir dessa forma, seja na violência contra a mulher, seja cometendo qualquer outro tipo de crime”
Hugo Motta
Presidente da Câmara dos Deputados

  • Mais prevenção antes da violência virar morte

    Campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência — inclusive envolvendo homens como parte da solução.
     
  • Agressores responsabilizados com mais rapidez

    Processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência.
     
  • Atenção especial a quem corre mais risco

    Foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, do campo, com deficiência, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em maior vulnerabilidade.
     
  • Resposta a novas formas de violência

    Enfrentamento da violência digital, como perseguição, ameaças e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões físicas.
     
  • Cobrança pública de resultados

    Relatórios periódicos, metas e prestação de contas: o pacto não fica só no anúncio — ele cria obrigação de mostrar o que está funcionando e o que precisa mudar.
     

Hoje é um dia para entrar na história. A violência contra meninas e mulheres não pode e não deve ser vista com naturalidade. Cabe a cada um e a cada uma de nós trabalhar cada vez mais para transformar este pacto em realidade pelos direitos, pela igualdade e pela vida das meninas e das mulheres”
Gleisi Hoffmann
Ministra da Secretaria de Relações Institucionais
 

TODOS POR TODAS – O lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio foi acompanhado pelo início de uma estratégia de comunicação de alcance nacional, orientada pelo conceito “Todos juntos por todas”. O objetivo é ampliar o combate ao feminicídio para além de mulheres e meninas e convocar toda a sociedade, especialmente os homens, a assumir um papel ativo como aliado no enfrentamento à violência.
 

ILUMINAÇÃO – Como ação simbólica, os edifícios do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal receberão iluminação com as cores do pacto. O Congresso Nacional realizará uma projeção mapeada com dados sobre o feminicídio no Brasil, evidenciando a união dos três Poderes no enfrentamento à violência contra as mulheres.
 

SITE – A estratégia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que reunirá informações sobre o pacto, divulgará as ações previstas, apresentará canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil. A plataforma disponibilizará também um guia para download, com informações sobre os diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao compromisso de salvar vidas.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República 

Aprovado pela Anvisa, uso da semaglutida na redução de infarto e AVC, exige critério e avaliação médica, alerta cardiologista

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Nova indicação amplia estratégias de prevenção cardiovascular em pacientes com obesidade, diabetes e alto risco cardíaco, explica cardiologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Fabíola Siqueira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso da semaglutida para auxiliar na redução do risco de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). A decisão representa um avanço relevante no enfrentamento das doenças cardiovasculares, que seguem como a principal causa de morte no Brasil. A nova indicação se baseia em estudos clínicos que demonstraram benefícios além da perda de peso, especialmente na redução de eventos cardiovasculares em grupos específicos de pacientes.

Segundo a cardiologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Fabíola Siqueira, a aprovação traz impactos diretos para a prática clínica, mas deve ser compreendida dentro de um contexto mais amplo de cuidado com a saúde. “A aprovação do uso ampliado da semaglutida para auxiliar na redução de eventos cardiovasculares é mais uma arma contra a principal causa de mortalidade no Brasil. Na prática clínica, essa mudança só tem valor quando associada a hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e cessação do tabagismo, independentemente da quantidade de peso perdida”, ressalta.

Para quem a nova indicação é recomendada

A ampliação da indicação da semaglutida não se destina a toda a população de forma indiscriminada. De acordo com a médica, os benefícios cardiovasculares comprovados nos estudos clínicos estão diretamente relacionados a um perfil específico de pacientes, que já apresentam risco aumentado para eventos como infarto e AVC. “Os pacientes que se beneficiam do uso das semaglutidas são aqueles com obesidade e/ou diabetes associados à doença cardiovascular estabelecida, além de indivíduos classificados como de alto ou muito alto risco cardiovascular”, explica.

Essa diferenciação é fundamental para evitar o uso inadequado do medicamento e garantir que ele seja empregado de forma segura e eficaz. A especialista destaca que a nova indicação foi embasada em evidências científicas robustas, obtidas a partir de estudos que avaliaram desfechos cardiovasculares, e não apenas a perda de peso ou o controle glicêmico isolado. Nesse contexto, a semaglutida passa a ocupar um papel estratégico dentro da cardiologia preventiva, especialmente em pacientes que já convivem com múltiplos fatores de risco.

Ainda assim, a cardiologista reforça que a prescrição deve ser individualizada, considerando o histórico clínico, o perfil metabólico e as condições gerais de saúde de cada paciente. A avaliação médica criteriosa é indispensável para definir se o medicamento é realmente indicado e se os potenciais benefícios superam eventuais riscos. A nova aprovação, portanto, não substitui a análise clínica detalhada, mas amplia o arsenal terapêutico disponível para situações bem definidas.

Medicamento como complemento, não substituição do tratamento tradicional

Apesar do avanço representado pela aprovação da Anvisa, a semaglutida não deve ser vista como uma solução isolada ou substitutiva das estratégias tradicionais de prevenção cardiovascular. Fabíola é enfática ao afirmar que o medicamento atua como um complemento ao tratamento já estabelecido. “O uso da semaglutida é um complemento ao tratamento das doenças cardiovasculares e aos hábitos saudáveis. Ele vem somar. Jamais substituir as medicações e o estilo de vida nesse combate”, pontua.

Na prática, isso significa que o controle da pressão arterial, do colesterol, da glicemia, além da adoção de hábitos saudáveis, continua sendo a base da prevenção cardiovascular. A semaglutida atua de forma integrada, auxiliando na melhora do perfil metabólico e contribuindo para a redução do risco de eventos graves, mas não elimina a necessidade de acompanhamento médico contínuo nem de mudanças no estilo de vida.

Outro ponto importante destacado pela especialista diz respeito à segurança no uso do medicamento. “O uso deve sempre ser orientado e prescrito pelo médico, seguindo as indicações e monitorando os efeitos colaterais”, alerta. Entre os principais efeitos adversos estão sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, além de possíveis reações locais relacionadas à aplicação subcutânea. O acompanhamento clínico é essencial para ajustar doses, avaliar tolerância e garantir a adesão adequada ao tratamento.

Impacto na prevenção cardiovascular ainda será avaliado

Embora as evidências científicas que embasaram a decisão da Anvisa sejam consideradas promissoras, a cardiologista destaca que ainda é cedo para mensurar o impacto populacional da nova indicação na redução das doenças cardiovasculares no Brasil. “Ainda é cedo para avaliarmos o impacto sobre as doenças cardiovasculares, mas as evidências são promissoras sobre essa classe de medicamentos, que vai muito além da perda de peso”, afirma.

Segundo Fabíola, os benefícios observados estão relacionados à melhora do perfil metabólico como um todo, o que inclui redução de inflamação, melhor controle glicêmico e efeitos positivos sobre fatores de risco cardiovascular. Esses mecanismos ajudam a explicar a diminuição da incidência de infarto e AVC observada nos estudos clínicos, especialmente em pacientes de maior risco.

A expectativa é que, com o uso criterioso e bem indicado da semaglutida, aliado às estratégias clássicas de prevenção, seja possível avançar no controle das doenças cardiovasculares ao longo dos próximos anos. Para a especialista, a aprovação representa mais um passo no aprimoramento da medicina preventiva, reforçando a importância de abordagens integradas e baseadas em evidências científicas. “Trata-se de uma ferramenta importante, mas que precisa ser usada com responsabilidade, sempre dentro de um plano de cuidado global para o paciente”, conclui

Saúde amplia formação de especialistas e anuncia 3 mil vagas de residência médica em estratégia histórica para o SUS

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Investimento de R$ 3 bilhões fortalece interiorização, reduz desigualdades regionais e consolida política nacional de qualificação profissional

O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) ganhou um novo e decisivo impulso nesta terça-feira (3), com o lançamento de um amplo conjunto de medidas voltadas à formação e ao provimento de especialistas em todo o país. O Ministério da Saúde anunciou a abertura de edital para 3 mil novas vagas de residência médica, além da seleção de 900 médicos especialistas para atuação direta na rede pública, dentro da estratégia do programa Agora Tem Especialistas.

Com a iniciativa, o governo federal passa a financiar mais de 60% de todas as bolsas de residência médica existentes no Brasil, o equivalente a cerca de 35 mil profissionais em formação. O investimento total previsto é de R$ 3 bilhões, direcionado especialmente a áreas consideradas prioritárias para o SUS e a regiões com maior carência de profissionais.

A política pública tem como eixo central a ampliação da oferta e a melhor distribuição de médicos especialistas no território nacional, enfrentando um dos gargalos históricos da saúde brasileira. Em parceria com o Ministério da Educação, já foram criados 806 novos programas de residência médica, ampliando de forma estruturante a capacidade do país de formar especialistas.

Os resultados começam a aparecer em áreas estratégicas: cirurgia oncológica e neurologia pediátrica registraram crescimento de aproximadamente 15% nas vagas, enquanto oftalmologia teve aumento de 14% e radioterapia, 10%. São especialidades diretamente relacionadas ao diagnóstico precoce, tratamento oportuno e redução da mortalidade.

Paralelamente, o edital para 900 médicos especialistas contempla 16 áreas prioritárias, como anestesiologia, cirurgia geral, radiologia, mastologia, ginecologia e oncologia clínica. Esses profissionais terão como foco principal regiões remotas, áreas de alta demanda e localidades em situação de maior vulnerabilidade social. Atualmente, 583 especialistas já atuam pelo programa, e a expectativa é alcançar 1.500 médicos em atividade, com quase metade no interior do país.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as ações fazem parte de uma política contínua e integrada. Segundo ele, o Brasil enfrenta dois grandes desafios: ampliar a formação especializada e garantir qualificação permanente aos profissionais de saúde. A estratégia, afirmou, é estruturar um sistema capaz de formar, atualizar e valorizar quem está na linha de frente do cuidado.

Ao consolidar investimentos robustos, ampliar vagas e direcionar profissionais para onde a população mais precisa, o governo federal reforça o compromisso de transformar a formação em saúde em um pilar permanente de fortalecimento do SUS, assegurando atendimento mais rápido, especializado e de qualidade para milhões de brasileiros.