Início Site Página 4

7 de Setembro vira batalha política e pode redesenhar a reta final da eleição

Manifestação convocada na Avenida Paulista ganha força após crise no STF e transforma Dia da Independência em teste de mobilização para governo e oposição

O 7 de Setembro de 2026 ganhou um significado muito diferente do tradicional desfile cívico. A menos de um mês da eleição presidencial, a data se transformou em um gigantesco teste de força política, principalmente para a oposição, que aposta na Avenida Paulista como palco para demonstrar capacidade de mobilização nas ruas.

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro passou a convocar apoiadores para o ato utilizando simultaneamente críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes. A crise aberta no Supremo após as revelações do caso Banco Master deu novo combustível à mobilização, que adotou como um dos principais discursos a reação contra Moraes.

A dimensão política do evento cresceu com a participação prevista de governadores, parlamentares e lideranças da direita. Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes também participam da articulação, enquanto aliados tentam mobilizar centenas de prefeitos para comparecer à Paulista. O objetivo vai além da manifestação: demonstrar unidade política em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Do outro lado, o governo federal prepara a celebração oficial em Brasília tentando valorizar símbolos nacionais e pautas institucionais. A orientação é evitar uma identificação partidária explícita do desfile, enquanto Lula deve explorar temas como soberania nacional. A disputa pela simbologia verde e amarela, portanto, volta a aparecer com força nesta campanha eleitoral.

O tamanho das manifestações poderá produzir efeitos nos próximos dias. Uma Paulista lotada fortalecerá a narrativa de crescimento da oposição e poderá impulsionar Flávio na reta final. Uma mobilização abaixo da expectativa terá o efeito contrário. Por isso, neste 7 de Setembro, as imagens das ruas poderão ser tão importantes para as campanhas quanto os próprios discursos dos candidatos.

Caso Master abre crise sem precedentes no STF e coloca ministros sob pressão

Da Redação

Mensagens envolvendo Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes e outros integrantes do Judiciário ampliam desgaste da Corte e levam crise institucional para o centro da eleição presidencial

A investigação envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas um caso financeiro e passou a produzir uma das maiores crises institucionais recentes do Supremo Tribunal Federal. A divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocou integrantes da mais alta Corte do país no centro de questionamentos sobre relações privadas, conflitos de interesse e limites éticos para integrantes do Judiciário.

O episódio ganhou dimensão ainda maior com o confronto público entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Enquanto Mendonça passou a conduzir apurações relacionadas ao caso Master, Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que a atuação do colega também fosse investigada. A troca de acusações expôs divisões internas que normalmente permanecem restritas aos bastidores do Tribunal.

O presidente Edson Fachin assumiu papel central na tentativa de conter a crise. Além de cobrar informações dos envolvidos, o ministro voltou a defender a criação de um código de conduta para integrantes do Supremo. A discussão, que durante anos permaneceu em segundo plano, passou a ganhar força justamente porque a crise envolve dúvidas sobre relações entre magistrados, empresários e interesses privados.

O problema ultrapassou rapidamente os corredores do Judiciário. Com a eleição presidencial a menos de um mês de distância, setores da oposição passaram a transformar as revelações em bandeira política, enquanto integrantes do governo tentam evitar que a proximidade construída nos últimos anos entre o Palácio do Planalto e integrantes do STF provoque desgaste eleitoral.

Mais do que o futuro individual dos ministros envolvidos, o caso coloca em discussão a própria credibilidade de uma instituição que desempenhou papel decisivo nas principais crises políticas dos últimos anos. O tamanho da repercussão mostra que o Banco Master agora provoca consequências que vão muito além do sistema financeiro: atingiu diretamente o coração institucional de Brasília

Joscilene do Mangão cresce em Goiás e consolida candidatura com bases em mais de 15 cidades

Ex-secretária de Promoção Social de Novo Gama amplia articulação pelo estado, reúne importantes apoios políticos e coloca mulheres, mães atípicas e famílias no centro de seu projeto para a Alego

A candidatura de Joscilene do Mangão (Agir) à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ganha espaço para além do Entorno do Distrito Federal e avança por diferentes regiões do estado. Primeira-dama de Novo Gama e ex-secretária de Promoção Social, ela já reúne grupos organizados em mais de 15 cidades, em um movimento que amplia a capilaridade de seu projeto político.

A expansão das bases coloca Joscilene do Mangão em uma nova dimensão eleitoral. Com trajetória construída principalmente na área social, ela trabalha para transformar a experiência adquirida em Novo Gama em uma agenda de alcance estadual, ao mesmo tempo em que fortalece alianças e se aproxima de lideranças de diferentes municípios.

O avanço da articulação não se limita ao número de cidades. Joscilene chega à disputa cercada por nomes de peso da política goiana. Entre os apoiadores estão a ex-primeira-dama e candidata ao Senado, Gracinha Caiado (União); o ex-governador e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD); e o governador Daniel Vilela (MDB).

A lista inclui ainda a deputada federal Lêda Borges (Republicanos) e a deputada Magda Mofatto (PL). São apoios de diferentes grupos políticos que reforçam a capacidade de diálogo construída em torno da candidatura.

No Distrito Federal, a rede de alianças também é ampla. Estão ao lado de Joscilene o ex-governador José Roberto Arruda (PSD); Carol Fleury (PSD), ex-secretária do Entorno; Daniel Radar (Avante); e o deputado distrital Rogério Morro da Cruz (PSD).

A força política que começa a se espalhar pelo estado tem Novo Gama como ponto de partida. Foi no município que Joscilene construiu parte importante de sua trajetória pública, especialmente durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Promoção Social.

Na pasta, manteve contato direto com famílias em situação de vulnerabilidade e com demandas que chegam diariamente à assistência social. Essa experiência passou a orientar as principais bandeiras que pretende defender na Assembleia Legislativa.

Mulheres e mães atípicas ocupam espaço central nessa agenda. Joscilene também defende políticas permanentes de fortalecimento das famílias e maior atenção do poder público às pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A candidatura carrega ainda a força política construída em Novo Gama nos últimos anos. Joscilene é esposa do prefeito Carlinhos do Mangão (PL), que ampliou sua influência entre os municípios do Entorno e ficou conhecido politicamente como “embaixador do Entorno”.

Agora, o grupo trabalha para levar essa presença para além da região. A formação de bases em mais de 15 cidades sinaliza justamente essa mudança de escala. Lideranças e apoiadores locais passaram a atuar na mobilização e na apresentação do nome de Joscilene a novos eleitorados.

Nesse cenário, a ex-secretária entra na disputa pela Alego sustentada por três frentes que se complementam: a experiência na área social, a expansão territorial da candidatura e uma rede de alianças que reúne algumas das principais lideranças políticas de Goiás e do Distrito Federal.

A estratégia é transformar a proximidade construída com as famílias de Novo Gama em uma representação de alcance estadual. Ao ampliar sua presença pelo território goiano sem abandonar as pautas que marcaram sua trajetória, Joscilene busca chegar à Alego como uma voz voltada especialmente às mulheres, às mães atípicas e às famílias que mais dependem da presença do poder público.

Com grupos já mobilizados em diferentes regiões e novas bases em formação, Joscilene deixa de concentrar sua força apenas em Novo Gama e no Entorno. A candidatura ganha dimensão estadual, levando como principais credenciais o trabalho social que marcou sua trajetória e uma articulação política que avança pelo mapa de Goiás.

Profissionalização dos presídios federais tem participação na trajetória legislativa de Fraga

Alberto Fraga ressalta importância histórica da Lei nº 10.693/2003 para a profissionalização do sistema penitenciário federal

O deputado federal Alberto Fraga destaca a importância histórica da Lei nº 10.693/2003, responsável pela criação da carreira de agente penitenciário federal no quadro de pessoal do Ministério da Justiça.

A estrutura inicial previa 500 cargos efetivos, preenchidos mediante concurso público. Os profissionais ficaram responsáveis pela vigilância, custódia, guarda e assistência aos presos mantidos nos estabelecimentos penais administrados pelo governo federal.

Segundo Fraga, a criação de uma carreira especializada tornou-se fundamental para o funcionamento das penitenciárias federais de segurança máxima. Essas unidades recebem presos de elevada periculosidade e lideranças de organizações criminosas.

“Um sistema penitenciário seguro precisa de profissionais concursados, preparados e valorizados. Sem controle dentro dos presídios, o crime organizado continua comandando delitos do lado de fora”, declara Alberto Fraga.

Embora a legislação tenha sido posteriormente substituída durante a reorganização da carreira e a formação da Polícia Penal Federal, Fraga ressalta que a Lei nº 10.693 representou um passo decisivo para a profissionalização da segurança penitenciária no país.

ICL: aprovação do PL 1482 fecha cerco ao furto, roubo, descaminho e receptação ilegal de combustíveis e lubrificantes 

O Instituto Combustível Legal (ICL) considera a aprovação pelo Senado do PL 1482/2019 um avanço decisivo no combate ao crime organizado e às ilegalidades no mercado de combustíveis e lubrificantes. A proposta endurece o tratamento penal para o furto e o roubo de petróleo, derivados, gás natural, etanol, biocombustíveis e lubrificantes retirados de instalações de produção, armazenamento e transporte, incluindo dutos e veículos utilizados nos diferentes modais. O texto também amplia o alcance da legislação sobre crimes contra a ordem econômica para atingir atividades como recebimento, transporte, armazenamento, comercialização e distribuição de produtos de origem ilícita.
 

Na avaliação do ICL, um dos principais benefícios do projeto é permitir que o poder público atue sobre toda a cadeia econômica que sustenta esse tipo de crime, e não apenas sobre quem executa diretamente o furto ou o roubo. Ao alcançar também receptadores, operadores logísticos e estabelecimentos que comercializam ou armazenam combustíveis de origem ilegal, a legislação reduz os espaços para que produtos desviados sejam inseridos no mercado formal e utilizados como fonte de financiamento de organizações criminosas. A proposta também prevê punições mais severas quando as ocorrências provocarem consequências como paralisação de atividades, desabastecimento, incêndios, danos ambientais ou lesões, reforçando a proteção à infraestrutura crítica e à segurança da população.
 

“A aprovação do PL 1482 representa um passo importante para atacar a estrutura econômica que existe por trás do furto e do roubo de combustíveis e lubrificantes. Não basta punir quem perfura um duto ou desvia uma carga; é fundamental atingir também quem recebe, transporta, armazena e comercializa esse produto ilegal. Ao fechar esses canais, o país aumenta o custo da atividade criminosa, protege a infraestrutura de abastecimento e fortalece as empresas que atuam dentro da legalidade”, afirma Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal.
 

Para o ICL, o avanço da proposta complementa outras iniciativas voltadas ao fortalecimento da fiscalização e ao enfrentamento das fraudes no setor de combustíveis. A combinação de penas mais efetivas, inteligência, integração entre órgãos públicos e fiscalização sobre toda a cadeia de circulação dos produtos cria condições para reduzir a atuação de grupos criminosos, proteger o abastecimento, evitar riscos ambientais e de segurança e promover um ambiente de negócios mais transparente, competitivo e seguro para empresas e consumidores. O PL 1482 altera o Código Penal e a legislação de crimes contra a ordem econômica justamente para ampliar a responsabilização dessas condutas.

Debate esquenta disputa pelo GDF com embates sobre BRB, saúde, Fundo Constitucional e transporte

Da Redação

Celina Leão vira alvo dos adversários enquanto Arruda, Grass, Cappelli, Paula Belmonte e Kiko Caputo confrontam atual gestão e apresentam propostas para o Distrito Federal

O debate promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília elevou a temperatura da disputa pelo Governo do Distrito Federal. Durante quase duas horas, Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo) trocaram críticas e apresentaram propostas para áreas como saúde, transporte, economia e segurança.

Por estar à frente do governo, Celina ficou no centro de alguns dos principais confrontos. Arruda questionou a governadora sobre saúde, metrô e a situação do BRB, enquanto Celina rebateu trazendo para o debate a situação jurídica do ex-governador e defendendo as ações realizadas nos primeiros meses de sua administração.

Outro embate de destaque aconteceu entre Celina e Leandro Grass em torno do Fundo Constitucional do Distrito Federal. A candidata afirmou que medidas federais poderiam atingir a previsibilidade dos recursos destinados à capital, enquanto Grass rebateu sustentando que não haverá redução do fundo e direcionou críticas à situação das contas e dos serviços públicos do DF.

Saúde e mobilidade também dominaram a discussão. Ricardo Cappelli apresentou proposta de enfrentamento às filas de consultas, exames e cirurgias e prometeu ampliar a contratação de profissionais. Kiko Caputo criticou a eficiência dos gastos públicos, enquanto Paula Belmonte atacou contratos emergenciais e defendeu mudanças na administração da saúde. No transporte, apareceram propostas envolvendo metrô, BRT, ônibus expressos e tarifa zero.

Depois do encontro, os seis candidatos procuraram reforçar suas próprias leituras sobre o desempenho no palco. Celina defendeu as entregas do governo; Grass sustentou suas críticas ao Fundo Constitucional; Arruda reafirmou que seguirá na disputa; Paula Belmonte destacou a apresentação de propostas; Cappelli buscou reforçar a imagem de renovação; e Caputo voltou a se colocar como alternativa à política tradicional. O debate deixa a corrida pelo Buriti mais aberta para uma fase de confrontos diretos até o primeiro turno de 4 de outubro.

Haddad leva segurança para o centro da disputa em São Paulo e mira combate ao poder financeiro do PCC

Da Redação

Petista defende cooperação internacional contra facções, critica debate apenas sobre nomenclatura de terrorismo e intensifica confronto com Tarcísio na área de segurança

Fernando Haddad (PT) colocou a segurança pública entre os principais eixos de sua campanha ao Governo de São Paulo. Depois de dedicar espaço do horário eleitoral ao tema, o candidato ampliou o discurso ao defender uma estratégia voltada à estrutura financeira e operacional das organizações criminosas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante participação no Roda Viva, Haddad afirmou que classificar PCC e Comando Vermelho como “máfia”, “facção” ou organização terrorista é uma questão menor diante da necessidade de combater efetivamente esses grupos. O candidato defendeu cooperação internacional e citou ações contra o financiamento do crime como caminho para atingir estruturas que ultrapassam fronteiras.

A declaração ganhou repercussão após a decisão dos Estados Unidos de enquadrar organizações criminosas brasileiras como terroristas. Haddad argumentou que o PCC possui características diferentes de grupos movidos por motivações ideológicas e sustentou que a prioridade das autoridades deve ser desmontar a capacidade financeira, logística e territorial do crime organizado.

O tema passou também a funcionar como linha direta de confronto com o governador Tarcísio de Freitas. No horário eleitoral, Haddad já havia direcionado críticas à política de segurança do atual governo e apresentado o combate à criminalidade como um direito da população que, em sua avaliação, não pode ser tratado apenas pelo viés partidário.

A movimentação indica que segurança pública tende a ocupar espaço crescente na reta final da eleição paulista. O debate sobre PCC, lavagem de dinheiro, integração policial, policiamento e capacidade investigativa coloca Haddad e Tarcísio diante de um dos temas de maior preocupação do eleitorado e pode se transformar em um dos principais campos de confronto da campanha.

Lula tenta reconstruir ponte com empresariado e disputa espaço econômico com Flávio Bolsonaro4

Da Redação

Presidente ouve cobranças por juros menores, estabilidade e equilíbrio fiscal e promete buscar superávit de R$ 18,6 bilhões em 2027

O jantar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com alguns dos principais empresários e banqueiros do país ganhou um significado que ultrapassa a agenda econômica. A reunião no Palácio da Alvorada passou a ser interpretada também como um movimento para ampliar o diálogo de Lula com o setor privado em meio à disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro.

Representantes do setor produtivo levaram ao presidente preocupações relacionadas aos juros elevados, inadimplência, estabilidade institucional, ambiente para investimentos e funcionamento de agências reguladoras. Durante o encontro, Lula reafirmou o compromisso com a autonomia do Banco Central e defendeu o trabalho do presidente da instituição, Gabriel Galípolo.

Um dos compromissos apresentados pelo presidente foi o esforço para alcançar um superávit primário de R$ 18,6 bilhões em 2027. Lula afirmou que pretende buscar redução de despesas para cumprir a meta, ao mesmo tempo em que manteve a defesa dos investimentos e programas sociais como parte da estratégia econômica de seu governo.

A segurança pública também apareceu entre as preocupações levadas pelos empresários. O encontro ocorreu poucos dias depois de Flávio Bolsonaro avançar no diálogo com representantes do mercado financeiro, incluindo lideranças de grandes bancos privados. A aproximação do candidato do PL fez o Palácio do Planalto ampliar sua movimentação junto ao setor empresarial.

Com pouco mais de um mês para o primeiro turno, economia e segurança passam a se encontrar no centro da disputa presidencial. De um lado, Lula tenta reforçar confiança em estabilidade, responsabilidade fiscal e crescimento com políticas sociais. Do outro, Flávio Bolsonaro busca apresentar ao mercado uma agenda de maior controle de despesas. O empresariado, por sua vez, abre diálogo com os dois principais campos da eleição.

PEC da Segurança avança no Senado e endurece regras contra facções e milícias

Da Redação

CCJ aprova texto-base que coloca o SUSP na Constituição, fortalece integração entre forças de segurança e prevê tratamento mais rigoroso para integrantes do crime organizado

A PEC da Segurança Pública deu um passo importante no Senado. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou, nesta quarta-feira (2), o texto-base da proposta, colocando novamente no centro da agenda política a integração das forças policiais e o enfrentamento às facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.

O texto relatado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e estabelece maior cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios. A proposta prevê compartilhamento de informações e provas, interoperabilidade entre sistemas e atuação conjunta das forças de segurança contra organizações criminosas.

Outro eixo de forte impacto político é o endurecimento das regras destinadas a líderes e integrantes de facções, milícias e grupos paramilitares. A PEC prevê possibilidade de cumprimento de pena em presídios de segurança máxima, maior restrição à progressão de regime e benefícios, confisco de patrimônio relacionado à atividade criminosa e responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas com essas organizações.

O relatório aprovado, entretanto, alterou pontos do texto que havia saído da Câmara. Uma das mudanças foi a retirada do dispositivo que destinava parte da arrecadação das bets aos fundos de segurança pública. Foi mantida a previsão de destinação de 10% do superávit do Fundo Social do pré-sal para o setor. A CCJ ainda precisa analisar destaques antes de concluir definitivamente essa etapa da votação.

O avanço transforma a segurança pública em uma das principais pautas do esforço concentrado do Congresso às vésperas das eleições. Caso as alterações sejam mantidas nas próximas etapas, o texto aprovado pelo Senado terá de ser novamente analisado pela Câmara antes de uma eventual promulgação.


TSE rejeita punição a Flávio Bolsonaro, mas fixa limites para deepfakes nas eleições de 2026

Da Redação

Decisão por 4 votos a 3 livrou candidato de multa por vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial, enquanto Corte estabeleceu critérios que deverão orientar toda a campanha

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou uma das decisões mais importantes até agora sobre o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026. A Corte rejeitou o pedido de aplicação de multa contra Flávio Bolsonaro (PL) pela divulgação de um vídeo que recriou, por meio de IA, a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do partido.

Por 4 votos a 3, os ministros entenderam que, naquele caso específico, o conteúdo não configurou propaganda eleitoral antecipada. O vídeo foi apresentado durante a convenção partidária de 25 de julho e mostrava uma reprodução digital de Jair Bolsonaro manifestando apoio à candidatura do filho à Presidência. Segundo o entendimento vencedor, não houve pedido explícito de voto nem elementos suficientes para enquadrar a peça como propaganda antecipada.

Apesar de rejeitar a punição, o tribunal estabeleceu uma regra que deverá ter impacto direto sobre o restante da campanha. Por 5 votos a 2, o TSE definiu como deepfake o conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial que apresente grau de realismo e reproduza ou altere imagem, voz ou manifestação de uma pessoa.

A Corte também delimitou que a proibição eleitoral aos deepfakes depende da caracterização daquele conteúdo como propaganda eleitoral. Na prática, o julgamento cria uma linha jurídica entre conteúdos produzidos por IA e sua utilização especificamente dentro da disputa pelo voto, tornando o contexto da publicação peça fundamental em futuras decisões.

Com a inteligência artificial cada vez mais presente na comunicação política, a decisão passa a servir de referência para candidatos, partidos e equipes de campanha. O julgamento não liberou de forma irrestrita o uso de deepfakes, mas estabeleceu critérios que deverão ser testados ao longo das próximas semanas, principalmente com a intensificação da propaganda eleitoral.