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Adasa promove reunião interinstitucional para discutir soluções de drenagem e prevenção de riscos na Vila Cauhy

Na terça-feira (16/06), a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) realizou, em sua sede, uma reunião interinstitucional para discutir os desafios relacionados à drenagem urbana e à redução dos riscos de inundações e processos erosivos na Vila Cauhy. O encontro reuniu representantes do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), da Secretaria de Obras e Infraestrutura, da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), da Casa Civil do Distrito Federal, da Defesa Civil do Distrito Federal, do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF), da Universidade de Brasília (UnB), da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e da Secretaria do Meio Ambiente (Sema-DF). Pela Adasa, participaram representantes da Superintendência de Drenagem Urbana (SDU), da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), do Gabinete da Diretoria e da Assessoria Jurídico-Legislativa (AJL).

A reunião foi conduzida pelo coordenador de Fiscalização e Monitoramento da SDU, Luciano Leoi. Na ocasião, o coordenador de Regulação e Outorga da superintendência, Jeferson Costa, e o estagiário Guilherme de Souza Morais apresentaram os resultados dos estudos desenvolvidos para a região, detalhando os cenários de risco identificados e as medidas que poderão subsidiar um sistema de alerta e futuras intervenções.

Durante o encontro, a equipe técnica da SDU apresentou os resultados da modelagem hidrológica e hidráulica das unidades hidrográficas do Riacho Fundo, Vicente Pires e Guará, estudo que subsidia a identificação de áreas suscetíveis a inundações e outros eventos associados às chuvas intensas. Também foram debatidas as próximas etapas do projeto, entre elas a criação de um grupo de trabalho para estudar um sistema de alerta e ações estruturantes emergenciais e em médio e longo prazos.

Segundo Jeferson Costa, o desafio vai além da mitigação das inundações e exige uma abordagem integrada para reduzir os riscos enfrentados pela população local. “Além da questão da inundação, a gente precisa olhar para as residências na beira do ribeirão, para a população em risco e para a possibilidade de desmoronamento. Não vamos resolver o problema da Vila Cauhy com um órgão só; é preciso uma união de esforços, pensar a bacia como um todo e atualizar nossos dados e projeções, porque as chuvas estão ficando cada vez mais intensas”, afirmou.

O estudo foi motivado por manifestações registradas na Ouvidoria da Adasa, que apontaram recorrentes episódios de inundações e erosões na região. Com mais de 1.500 moradores, a Vila Cauhy enfrenta déficits históricos de infraestrutura de drenagem urbana e já sofreu impactos significativos de eventos extremos, como os transbordamentos registrados em 2024, que destruíram passagens utilizadas pela população. Recentemente, a área recebeu intervenções emergenciais, incluindo a instalação de estruturas de gabião para proteção das margens e passarelas para travessia.

Atualmente, a Vila Cauhy está entre os 22 pontos de maior vulnerabilidade do Distrito Federal para ocorrências associadas a chuvas intensas. De acordo com levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB), realizado em 2022, 176 famílias vivem em áreas sujeitas a deslizamentos e inundações na localidade.

As simulações realizadas pela SDU avaliaram o comportamento do escoamento superficial em diferentes cenários de precipitação crítica, considerando tempos de retorno de 2, 5, 10 e 50 anos. As análises também contemplam projeções de crescimento urbano futuro, com base nos parâmetros técnicos estabelecidos pelo Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU).

Entre os encaminhamentos discutidos está a implantação de um Sistema de Alerta em parceria com a Defesa Civil, além da construção de uma agenda conjunta entre as instituições envolvidas para avaliar alternativas estruturantes para a região. As medidas deverão subsidiar a avaliação de alternativas para aumentar a segurança da população diante dos eventos climáticos extremos.

Para Luciano Leoi, os estudos apresentados representam um passo importante para transformar os diagnósticos técnicos em medidas efetivas no território. Na avaliação do gestor, a busca por alternativas para a Vila Cauhy deve considerar as limitações impostas pela ocupação já consolidada da região e envolver a atuação coordenada de diferentes órgãos públicos.

“A gente não está trabalhando com uma folha em branco, porque já existe uma cidade pronta e uma malha urbana consolidada. Então, a solução para a drenagem passa por reter essa água a montante, seja através de reservatórios, soluções baseadas na natureza ou em outras medidas, e por reunir os órgãos para trabalhar de forma interinstitucional. Esse estudo é um ponto de partida para o desenho de ações concretas na região”, enfatizou o coordenador de Fiscalização e Monitoramento da SDU.

Os participantes reconheceram que diversos órgãos já vinham realizando levantamentos, estudos e ações relacionadas à Vila Cauhy, porém de forma isolada. Como principal encaminhamento do encontro, foi identificada a oportunidade de reunir esses esforços em uma atuação coordenada, por meio de um grupo de trabalho interinstitucional articulado pela Adasa. A iniciativa deverá reunir representantes dos diferentes órgãos envolvidos para compartilhar informações, integrar estudos e discutir ações voltadas à redução dos riscos identificados na região.

Programa GDF Delas leva dia de serviços, saúde e beleza a mulheres catadoras

Ao lados das catadoras do DF, a governadora Celina Leão destacou a importância da iniciativa para essas trabalhadoras essenciais para o meio ambiente e a limpeza urbana da cidade | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Com o tema “Cuidar de quem cuida da cidade”, evento reuniu atendimentos médicos, assistência jurídica e ações de qualificação

“Cuidar de quem cuida da cidade.” Com este tema, o Governo do Distrito Federal (GDF) fez, nesta quinta-feira (18), o evento GDF Delas, um grande dia de ações voltadas ao acolhimento e à valorização das mulheres catadoras de materiais recicláveis. O encontro ocorreu na Central das Cooperativas de Trabalho de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (Centcoop-DF), no Pátio Ferroviário de Brasília, e concentrou, em um único espaço, o acesso a direitos e serviços públicos essenciais, como saúde, cidadania e documentação, além de cultura e beleza.

Ao lados das catadoras do DF, a governadora Celina Leão destacou a importância da iniciativa para essas trabalhadoras essenciais para o meio ambiente e a limpeza urbana da cidade. “Saibam que a gente tem um carinho muito, muito firme por vocês, porque fazem um trabalho de sustentabilidade. Um trabalho que, muitas vezes, as pessoas não veem. Cadê as pessoas ecologicamente corretas nessa cadeia? São os nossos catadores. É uma categoria muito sofrida. Eu tenho um olhar muito firme para elas, porque a maioria delas são mulheres. Então, a gente faz uma ação aqui de beleza, de vacinação, de saúde e de cuidado”, comentou.

A governadora também reforçou o diálogo contínuo da gestão com as trabalhadoras e garantiu que “o Palácio do Buriti está sempre aberto” para a categoria. Ela afirmou que o governo estuda dar ao grupo a oportunidade de comandar um projeto piloto de coleta seletiva em uma região administrativa do DF. “Vamos ver a questão da coleta seletiva de uma cidade como um modelo, porque aí a gente pode mostrar que a gente dá conta de fazer em todos os lugares. Sempre quando a gente fala sobre isso, falam assim: ‘Ah, não tem capacidade técnica, não vão dar conta, a cidade vai ficar suja.’ É porque nunca nos deram uma oportunidade. Vamos criar uma, vamos ver qual que é a cidade que a gente vai fazer”, afirmou.

Cuidado e autoestima

Para a catadora Genilda Alves da Silva, de 54 anos, o evento foi sinônimo de festa, renovação e autoestima. Animada e dançando durante a programação, ela demonstrou a alegria com os cuidados oferecidos e a oportunidade de aproveitar a vida. “Ah, eu estou achando maravilhoso. Estou achando bom, estou curtindo muito. Eu vou comer, vou brincar, como se eu fosse uma adolescente”, comemorou. Após decidir que passaria no estande de beleza para arrumar os cabelos, ela resumiu o sentimento que embalou o dia: “Estou feliz, graças a Deus que eu estou viva. Eu quero curtir e quero aproveitar tudo de bom”, completou a moradora da Estrutural.

A quebra da rotina pesada também foi muito celebrada por Maria Albertina, de 58 anos, que enxergou o encontro como um verdadeiro dia de princesa. “A gente merece, né? Merece um dia de descanso, de relaxamento, dia de ficar bonita”, destacou. Para ela, o dia também serviu para tomar vacinas, participar das oficinas de artesanato e colocar o papo em dia com as amigas. “Tudo maravilhoso. Tem que acontecer mais vezes”, pediu a moradora do Recanto das Emas.

Já a catadora Maria de Fátima Alves, de 46 anos, aproveitou a facilidade do acesso aos serviços públicos para focar, primeiramente, na saúde. Logo nas primeiras horas do evento, ela passou pela estrutura montada no local para atualizar o cartão de imunização. “Eu tomei duas vacinas aqui e estou achando ótimo”, relatou a trabalhadora, que mora na Estrutural. Depois de garantir a proteção do corpo, ela já tinha um destino certo para finalizar a manhã de autocuidado com o visual renovado “Daqui a pouco, vou no cantinho do cabelo”, informou.

Saúde, cidadania e bem-estar

Para garantir a ampla oferta de atendimentos de forma simultânea, a ação teve a força-tarefa de diversas pastas e instituições parceiras. A Secretaria de Saúde montou uma estrutura para oferecer multivacinação e atendimento odontológico, que incluiu ações educativas de saúde bucal e a entrega de kits. As mulheres também receberam orientação e encaminhamento para a aplicação do método contraceptivo Implanon.

A quebra da rotina pesada também foi muito celebrada por Maria Albertina, de 58 anos, que enxergou o encontro como um verdadeiro dia de princesa

Na área da cidadania, a Defensoria Pública do Distrito Federal levou sua Unidade Móvel para facilitar o acesso à Justiça. No local, as trabalhadoras puderam resolver questões jurídicas de família, como pensão alimentícia, investigação de paternidade, guarda, divórcio e solicitar a emissão de certidões. A Polícia Militar (PMDF) também marcou presença e garantiu apoio e representação institucional.

A autoestima e a beleza tiveram espaço especial por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), que ofereceu serviços de estética, cortes de cabelo e penteados. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) contribuiu com oficinas de artesanato, enquanto a Novacap distribuiu mudas de flores para as participantes. A Secretaria de Cultura levou o programa Mala do Livro aos catadores.

Aulão e roda de conversa

Além dos estandes de atendimento, a programação ofereceu momentos de integração e cuidado pessoal. O coordenador do Programa Realize da Secretaria da Mulher, Denis Reis, conduziu a roda de conversa com o tema “Acredite em Você e Realize”. Em seguida, o professor Iran Moreira, do grupo cultural Azulin, colocou as participantes para se exercitarem em um aulão especial e animado.

Lei Seca completa 18 anos preservando vidas no trânsito

A legislação alterou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), passando a classificar como infração gravíssima a condução de veículo após o consumo de bebida alcoólica | Foto: Divulgação/Detran-DF

Legislação que visa coibir a combinação de álcool e direção tem contribuído para a redução de mortes nas vias do Distrito Federal

Nesta sexta-feira (19), a Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008, conhecida como Lei Seca, completa 18 anos. A legislação alterou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), passando a classificar como infração gravíssima a condução de veículo após o consumo de bebida alcoólica. Ao longo desse período, a norma tem contribuído para a redução de mortes no trânsito do Distrito Federal. No último ano, dados preliminares indicam que foram registrados 206 sinistros fatais nas vias do DF, número 55,4% inferior ao observado no período anterior à entrada em vigor da norma, quando ocorreram 462 sinistros com mortes.

De acordo com dados da Gerência de Estatística de Acidentes de Trânsito do Detran-DF, no período de 20 de junho de 2007 a 19 de junho de 2008, ano anterior à entrada em vigor da Lei Seca, o DF registrou 500 mortes no trânsito. No primeiro ano de vigência da legislação ocorreu uma redução de 15,6%, tendo sido registrados 422 óbitos no trânsito.

Considerando o 18° ano o período de 20 de junho de 2025 a 15 de junho de 2026, os dados preliminares indicam a ocorrência de 219 mortes, uma redução de 56,2% em relação ao ano anterior à Lei Seca. Nesse período, 325 condutores se envolveram em sinistros com mortes. Desse total, 22 (6,7%) apresentavam sintomas de alcoolemia.

O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, destaca o impacto das ações voltadas ao combate à combinação de bebida alcoólica e direção: “A Lei Seca trouxe instrumentos importantes para a redução de sinistros no trânsito. E, ao longo desses 18 anos, o Detran-DF tem trabalhado para implementar, de forma contínua, medidas que promovam a conscientização e o respeito às normas de trânsito. Seja por meio de campanhas educativas ou ações de fiscalização, o foco é a preservação de vidas no trânsito”.

Fiscalização

O trabalho integrado de fiscalização se intensificou ao longo dos anos, ampliando a capacidade de identificar e retirar das vias condutores que dirigem sob efeito de álcool.

Em 2008, início da fiscalização da Lei Seca, o DF registrou 2.633 infrações por dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa. Em 2025, o Detran-DF, o DER-DF e a Polícia Militar (PMDF) flagraram 29.751 condutores sob o efeito de álcool. Neste ano, de janeiro a maio, os dados preliminares indicam 12.080 autuações, uma média de 80 motoristas multados por dia nas vias do DF.

De acordo com a legislação, dirigir após o consumo de álcool é infração gravíssima, sujeita a multa no valor de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de dirigir por um ano. No caso de reincidência da infração no período de até 12 meses, o valor da multa é dobrado. A recusa em realizar o teste do etilômetro também é considerada infração com as mesmas penalidades. 

Além das sanções administrativas, a conduta pode configurar crime de trânsito se o resultado do teste indicar uma concentração igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar. Nesse caso, a pena prevista é de detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a habilitação para dirigir.

*Com informações do Detran-DF