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Nova ofensiva fiscal pressiona o Custo Brasil, alerta nota técnica do Movimento Brasil Competitivo

Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Fonte: Agência Câmara de Notícias


Documento assinado com a Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo aponta que a MP 1.303 compromete o financiamento da economia real e reforça distorções que travam o investimento no país. Crédito no país já custa R$ 199 bilhões a mais do que a média da OCDE

São Paulo, 24 de junho de 2025. O Custo Brasil, estimado em R$ 1,7 trilhão, tende a crescer com a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que inaugura uma nova ofensiva arrecadatória sobre instrumentos essenciais ao financiamento da economia real. 

A avaliação é do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), que assinam nota técnica conjunta alertando para os impactos da medida sobre o crédito produtivo, os investimentos de longo prazo e o ambiente de negócios no país.

Editada pelo governo federal em 11 de junho, a MP propõe a tributação de ativos até então isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA e novas debêntures incentivadas, e altera regras de aplicação de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A proposta é uma tentativa de compensar a frustração de receita com o recuo na alta do IOF, prevista no Decreto 12.466/2025, e integra uma estratégia mais ampla de aumento de arrecadação.

A nota técnica ressalta que a MP compromete mecanismos que foram concebidos como estímulo à formação de poupança e ao financiamento de longo prazo em setores estratégicos como o agronegócio, a construção civil, a infraestrutura e a indústria. A perda desses incentivos deve reduzir ainda mais a oferta de crédito nesses segmentos, em um país onde o custo de financiamento já é historicamente elevado.
 

Segundo o Observatório do Custo Brasil, o crédito no país custa R$ 199 bilhões a mais para quem produz, em relação à média dos países da OCDE. A tributação de instrumentos produtivos como LCI e LCA — essenciais ao crédito imobiliário e ao agro — tende a encarecer ainda mais essas operações e comprometer programas estruturantes, como o Plano Safra e o financiamento habitacional. No agro, por exemplo, a participação das LCAs caiu de 43% no ciclo 2023/2024 para 29% na Safra 2024/2025, e a tendência é de retração ainda maior com a tributação prevista.
 

“O crédito no Brasil já é um dos principais gargalos da competitividade. Medidas como a MP 1.303, adotadas sem diálogo com o setor produtivo e com foco exclusivo em arrecadação, reforçam um modelo que penaliza quem investe e produz no país”, afirma Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do MBC e mestre em gestão e políticas públicas.
 

A MP também unifica as alíquotas do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras em 17,5%, eliminando a tabela regressiva vigente. Segundo o MBC e a FPBC, a mudança retira um dos poucos mecanismos que ainda incentivavam a formação de poupança de longo prazo no país. Ao equiparar prazos curtos e longos, a nova alíquota tende a reduzir a atratividade de títulos com vencimentos mais extensos e pode pressionar inclusive as condições de rolagem da dívida pública.
 

Outra mudança é o aumento da alíquota de Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), que passa de 15% para 20%, com impacto tributário estimado em R$ 15,9 bilhões entre 2026 e 2028. A medida vai na contramão das diretrizes da OCDE, que recomenda regimes mais neutros na estrutura de capital e políticas fiscais que não incentivem exclusivamente o endividamento, alerta o MBC.

O Ministério da Fazenda associa as mudanças à uma tentativa de corrigir distorções no mercado financeiro, como as isenções de R$ 41 bilhões que tornam LCI e LCA mais atraentes que os títulos públicos. Para o MBC e a FPBC, no entanto, a medida falha ao não propor um redesenho do gasto público e transferir o ônus do ajuste para a economia real.
 

A nota técnica lembra que 92% das despesas primárias da União são obrigatórias, o que compromete a alocação de recursos em áreas como infraestrutura, ciência, tecnologia e inovação. O crescimento estrutural dessas despesas evidencia a rigidez orçamentária do Estado brasileiro e a urgência de reformas voltadas à qualidade do gasto.

“O Brasil precisa discutir equilíbrio fiscal com responsabilidade, mas isso exige uma agenda estruturada, com foco em previsibilidade, racionalização tributária e eficiência no uso dos recursos públicos. Soluções pontuais, sem integração com uma reforma ampla, apenas aprofundam os problemas e ampliam o Custo Brasil”, conclui Tatiana Ribeiro.
 

SOBRE O MBC

O Movimento Brasil Competitivo (MBC) é um think tank dedicado à competitividade do Brasil, que une setores público e privado para promover soluções práticas e sustentáveis em áreas chave para o desenvolvimento socioeconômico. Sua atuação se concentra em apoiar a redução do Custo Brasil, acelerar a digitalização, expandir a educação profissionalizante, promover a boa governança pública e alavancar a economia verde. Com base em dados e evidências, cada iniciativa do MBC é fundamentada por estudos técnicos com o objetivo de promover um ambiente de negócios robusto e próspero para beneficiar empresas, cidadãos e o desenvolvimento econômico do país.

Sobre a porta-voz

Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do Movimento Brasil Competitivo. É mestre em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e graduada em Comunicação Social, com especializações em Ciência Política, Gestão e Estratégia. Atua no terceiro setor há mais de quinze anos, liderando iniciativas nas áreas de competitividade, inovação, transformação digital e gestão pública.

Adasa compartilha experiências exitosas no 2º ciclo de reuniões das Câmaras Técnicas da ABAR

Nesta segunda-feira (23/06), teve início, em Fortaleza, o 2º ciclo de reuniões das Câmaras Técnicas da Associação Brasileira de Agências de Regulação (ABAR), que reunirá, ao longo da semana, representantes de agências reguladoras de todo o país para debater temas estratégicos para a regulação dos setores de saneamento, recursos hídricos, energia, transporte, entre outros. 

Sediado pela Agência Reguladora do Estado do Ceará (ARCE) e pela Agência de Regulação, Fiscalização e Controle dos Serviços Públicos de Saneamento Ambiental de Fortaleza (ACFOR), o encontro acontece em formato híbrido — presencial e online —, ampliando as possibilidades de participação e troca de experiências entre os profissionais da regulação brasileira.

Na cerimônia de abertura, o presidente da ABAR e diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), Vinícius Benevides, destacou a importância do fortalecimento da regulação em um cenário de desafios crescentes. “Estamos vivendo um momento muito difícil. O Brasil precisa entender que agência reguladora é órgão de Estado. Sem autonomia, sem recursos e sem pessoal, não há como garantir segurança jurídica nem atrair investimentos. A regulação é pilar fundamental para o desenvolvimento nacional”, declarou.

Benevides também alertou para os riscos de enfraquecimento das agências, especialmente federais, frisando que as 72 agências associadas à ABAR regulam 50% da economia do país. “Isso não é pouca coisa. Precisamos que nossas instituições sejam tratadas com o devido respeito e estabilidade institucional”, ressaltou.

Em seguida, a Câmara Técnica de Saneamento e Recursos Hídricos (CTSAN) abriu a programação, reunindo debates importantes sobre resíduos sólidos, drenagem, regulação de soluções alternativas e os desafios da universalização do saneamento no Brasil.

Desta vez, o painel de resíduos trouxe reflexões sobre a logística reversa e seus impactos no sistema de coleta seletiva. Na ocasião, o diretor do Departamento de Resíduos do Ministério do Meio Ambiente, Eduardo Dias Santos, destacou os enormes desafios e oportunidades do setor. “Hoje, metade dos lixões no Brasil está concentrada em municípios com menos de 50 mil habitantes. Isso revela que precisamos de políticas específicas para esses pequenos municípios. A logística reversa é essencial não só para a sustentabilidade ambiental, mas também para destravar oportunidades econômicas e de saúde pública”, relatou.

Segundo ele, se o Brasil aproveitasse todo o potencial dos materiais recicláveis hoje enterrados em aterros, poderiam ser gerados até R$38 bilhões por ano, recurso suficiente para encerrar todos os lixões do país em apenas um ano. “É um número teórico, mas que mostra claramente o tamanho do desperdício que estamos enfrentando”, completou.

Na sequência, a superintendente de Resíduos Sólidos da Adasa, Élen Dânia Santos, apresentou dados inéditos sobre o comportamento da população do DF em relação à coleta seletiva. Segundo ela, o sucesso da política de resíduos não depende apenas de tecnologia ou estrutura, mas da compreensão de como as pessoas tomam decisões no seu cotidiano.

“Regulação é, essencialmente, sobre mudança de comportamento. Se não entendermos os fatores que influenciam as escolhas das pessoas — como contexto, influência social e limitações cognitivas —, não teremos êxito. A nossa pesquisa mostrou que quase metade do que chega às unidades de triagem no DF é rejeito, o que reflete a dificuldade da população em segregar corretamente seus resíduos”, explicou.

Élen ressaltou ainda que campanhas tradicionais, como o uso de panfletos, têm eficácia muito baixa. “O que a pesquisa mostra é que as redes sociais e os meios digitais são hoje os canais mais eficazes para engajamento. Além disso, percebemos que a influência da família tem um papel muito maior do que a mídia na formação de hábitos sustentáveis”, sublinhou.

Após o coffee break, coube ao superintendente de Recursos Hídricos da Adasa, Gustavo Carneiro, iniciar o debate sobre a necessidade de fortalecer a integração entre a política de recursos hídricos e a drenagem urbana. 

Para ele, a drenagem urbana foi tratada como tema secundário ao longo da história do saneamento, mas reforça que essa realidade precisa mudar. “Se você não tem uma coleta de resíduos adequada, isso vai para os cursos d’água. Se os cursos d’água estão poluídos e assoreados, isso compromete a qualidade da captação de água e toda a cadeia do saneamento”, afirmou. 

Em sua exposição, Gustavo apresentou um modelo pioneiro de outorga para lançamento de águas pluviais, além de manuais e instrumentos que estimulam soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva, trincheiras de infiltração e reservatórios de qualidade. Ele também destacou o avanço na implementação de sistemas de recarga artificial de aquíferos como medida compensatória para reduzir os impactos da impermeabilização urbana. “Tudo isso faz parte de um ciclo integrado que busca não só controlar inundações, mas também garantir a qualidade da água e a segurança hídrica”, acrescentou.

De acordo com o superintendente de Drenagem Urbana da Adasa, Hudson Rocha, a drenagem urbana passou a ser reconhecida como pilar essencial da infraestrutura das cidades, especialmente após a publicação da Norma de Referência nº 12/2025 da ANA. “Essa norma chega para transformar a gestão da drenagem no Brasil. Ela traz o conceito de abandonar as infraestruturas puramente cinzas, priorizando soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva, telhados verdes e pavimentos permeáveis”, explicou.

Apesar disso, Hudson também destacou que o modelo do DF se antecipou à norma da ANA ao firmar um contrato de concessão para drenagem urbana em 2023, definindo claramente os papéis dos diferentes atores — como a Novacap, responsável pela operação dos sistemas, a Adasa, na regulação, e a CAESB, no controle das interfaces com os sistemas de esgoto. “Nosso grande desafio hoje é integrar os planos diretores de drenagem, saneamento, uso do solo e ordenamento territorial. Fazer regulação isolada não funciona. Precisamos que todos esses instrumentos conversem entre si”, afirmou. Ele destacou ainda os desafios recorrentes, como alagamentos, descarte inadequado de resíduos e a necessidade urgente de modernizar as infraestruturas existentes. “Estamos caminhando, mas é um serviço que historicamente ficou para trás e agora precisa avançar com força, na mesma velocidade dos demais componentes do saneamento básico”, arrematou.

Por fim, o moderador da mesa, Gustavo Frayha, diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), elogiou as iniciativas da Adasa e reiterou a necessidade de infraestruturas mais eficientes. “Se o próprio Distrito Federal, que é uma área planejada, já enfrenta desafios enormes, imagine o restante do país. É um esforço gigantesco, que exige uma regulação estruturada, forte, coerente, mas que também precisa contar com o apoio essencial dos governos federal, estaduais e, principalmente, municipais — que são os titulares do serviço, salvo no caso do DF”, concluiu.

Além dos painéis sobre resíduos sólidos e drenagem urbana, o dia também foi marcado por discussões sobre os desafios econômicos que afetam diretamente a sustentabilidade do setor, como os impactos da reforma tributária e da Lei 14.898/2024 sobre a estrutura tarifária. 

Diante desse cenário, o superintendente de Estudos Econômicos e Fiscalização Financeira da Adasa, Cássio Cossenzo, foi o responsável por conduzir o painel que tratou da reforma tributária e das notas fiscais de água e esgoto.

Durante a apresentação, Cossenzo alertou para os múltiplos fatores que podem pressionar a estrutura tarifária do setor de saneamento. “Estamos em 2025 e o nosso marco legal fala em universalizar até 2033; dependendo da quantidade de investimentos a serem realizados, é possível que haja um impacto tarifário”, afirmou. Ele destacou ainda que soluções alternativas mal regulamentadas, podem transferir obrigações ao prestador e gerar impactos indiretos nas tarifas dos demais usuários.

O superintendente também abordou uma mudança prática e iminente decorrente da reforma tributária: a substituição das faturas por notas fiscais de água e esgoto a partir de 2026. “Agora não teremos mais fatura de água e esgoto, teremos nota fiscal de água e esgoto, e todos os prestadores deverão se ajustar. Isso até janeiro do ano que vem”, explicou. 

Ele reforçou a importância de que os reguladores acompanhem as discussões técnicas conduzidas pelo Encontro Nacional de Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais (ENCAT) e compartilhem as orientações com os prestadores, de modo a garantir o alinhamento com as novas exigências fiscais.

As atividades seguem até sexta-feira, reunindo também as Câmaras Técnicas de Energia, Transporte, Mobilidade Urbana, Gás Canalizado, Comunicação, Ouvidorias, Mediação e Arbitragem, além de encontros temáticos que tratam dos desafios transversais da regulação no país.

“SAÚDE DA GENTE” CHEGA À SUA 3ª EDIÇÃO COM ATENDIMENTOS GRATUITOS NOS BAIRROS SANTA RITA E MARAJÓ

Iniciativa da Prefeitura leva atendimento médico, exames e vacinas diretamente às comunidades, com foco em resolver demandas reprimidas.

A Prefeitura de Valparaíso de Goiás realiza, entre os dias 25 e 27 de junho, a 3ª edição do programa Saúde da Gente, que leva uma grande estrutura de serviços de saúde gratuitos para perto da população. Desta vez, os bairros Santa Rita e Marajó serão contemplados com diversos atendimentos médicos e exames, garantindo mais acesso à saúde e qualidade de vida para a comunidade.

A iniciativa é voltada a todos os moradores das regiões atendidas, que poderão contar com uma equipe multidisciplinar preparada para oferecer cuidados essenciais de forma rápida, acolhedora e gratuita.

Entre os serviços oferecidos, estão:

  • Consultas médicas com clínico geral e especialistas
  • Aplicação de vacinas
  • Exames como ultrassonografia, mamografia e eletrocardiograma
  • Atendimento odontológico
  • Testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites

Para ser atendido, é necessário apresentar documento de identidade (RG), CPF, Cartão do SUS e comprovante de residência. A orientação é que os moradores cheguem cedo, pois o atendimento será realizado por ordem de chegada.

O programa Saúde da Gente já é reconhecido pela sua eficiência e impacto direto na vida das pessoas. Somente nas duas edições anteriores, mais de 10 mil atendimentos foram realizados, promovendo a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso facilitado aos serviços de saúde.

Nesta nova etapa, a iniciativa traz mais uma conquista: as filas de espera para atendimentos em cardiologia, urologia e para a realização de exames de imagem foram totalmente zeradas. Esse avanço representa um marco significativo na ampliação e eficiência dos serviços de saúde no município, garantindo um atendimento mais rápido, humanizado e resolutivo para a população.

A ação faz parte da política de descentralização dos serviços de saúde e da proposta da atual gestão de levar atendimento de qualidade cada vez mais próximo das comunidades, fortalecendo a atenção básica e ampliando o acesso à saúde pública em Valparaíso.

Projeto de Lei nº 505/2023 do deputado Ricardo Vale propõe criação do Programa Uniforme Escolar no DF

O Projeto de Lei nº 505/2023, que institui o Programa Uniforme Escolar no Distrito Federal, foi aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A iniciativa, de autoria do deputado Ricardo Vale, tem como objetivo garantir a oferta dos uniformes escolares para todos os estudantes, independente de sua condição socioeconômica. O programa também busca facilitar e agilizar o acesso aos uniformes, criando a possibilidade de compra diretamente nas empresas credenciadas através de um cartão.

Além disso, o projeto visa fortalecer a economia local, uma vez que a produção dos uniformes voltará a ser feita por malharias do Distrito Federal, gerando emprego e renda na região.

Esse Projeto de Lei reforça o compromisso do Estado com o direito à educação de qualidade e busca combater desigualdades, promovendo maior inclusão social e segurança para os estudantes.

“A implementação desse programa é um passo significativo para resolver um grande problema na confecção e entrega dos uniformes rumo a um futuro mais justo para todos os estudantes. Além disso, ele vai estimular a economia local, gerando renda e emprego no DF, e não em outro estado como vinha sendo feito”, afirmou o parlamentar.

Assessoria de Comunicação
Deputado Ricardo Vale

Novo Pdot propõe regularização para 20 mil famílias em 28 áreas

Um dos pontos mais importantes dessa atualização é a regularização fundiária, que busca dar segurança jurídica e dignidade a milhares de famílias que moram em ocupações habitacionais já consolidadas | Foto: Divulgação/Seduh-DF

Revisão do Plano Diretor buscar dar segurança jurídica e dignidade para milhares de famílias que vivem em ocupações irregulares

O Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot) está em processo de revisão para tornar o Distrito Federal mais organizado e socialmente justo. Um dos pontos mais importantes dessa atualização é a regularização fundiária, que busca dar segurança jurídica e dignidade a milhares de famílias que moram em ocupações habitacionais já consolidadas e que precisam de regras claras para terem suas moradias melhor integradas ao território.

A ideia é simples: transformar o que atualmente é informal em algo formal, com acesso a todos os serviços públicos e direitos garantidos, como infraestrutura urbana e título de propriedade. Nesse sentido, depois de discussões com vários setores da sociedade civil e do governo, 28 áreas são propostas pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) para serem incluídas no Plano Diretor. Dessa forma, seriam passíveis de regularização, o que beneficiaria cerca de 20 mil famílias nesses locais.

“Em resumo, as 28 áreas foram escolhidas através de um mapeamento rigoroso da informalidade, considerando o porte, o grau de consolidação e a viabilidade legal e ambiental de cada área, buscando dar prioridade para a formalização e a urbanização de quem já vive nesses locais”, afirma o coordenador de Planejamento Territorial e Urbano da Seduh, Mário Pacheco.

Para isso, a revisão do Pdot traz uma nova forma de identificar e trabalhar essas áreas. Primeiro, se baseou na Lei Federal nº 13.465/2017 e na Lei Complementar nº 986/2021 do DF para definir esses 28 locais, tecnicamente chamados de Núcleos Urbanos Informais (NUIs) – basicamente, são o ponto de partida das estratégias de regularização, pois são as áreas que surgiram sem planejamento formal, de forma irregular, e que o Pdot busca transformar em bairros formais e integrados à cidade.

“No Pdot passado, por exemplo, não tinha a Lei Federal nº 13.465/2017. Por isso, o Plano Diretor atual teve que se atualizar com relação as normas mais recentes de regularização fundiária”, pontua Mário Pacheco. “Dessa forma, a equipe desenvolveu parâmetros para poder analisar cada uma das áreas que foram identificadas, tanto de forma técnica quanto por meio de todas as contribuições recepcionadas durante a revisão do Pdot. Considerando tudo isso, que foram propostas essas 28 áreas”, explica.

Classificações

Depois que foram definidos os Núcleos Urbanos Informais, a principal lógica para a escolha de cada uma dessas áreas é a sua classificação dentro das modalidades de Regularização Fundiária Urbana (Reurb), que refletem a situação social e econômica dos moradores e a necessidade de intervenção do poder público.

Assim, o Pdot divide os locais de regularização em duas categorias: as Áreas de Regularização de Interesse Social (Aris), que são ocupadas pela população de baixa renda, onde o governo oferece mais apoio e subsídios; e as Áreas de Regularização de Interesse Específico (Arine), ocupadas predominantemente pela população que não é de baixa renda que tem condições de arcar com os custos da regularização.

Dentre as 28 áreas de regularização propostas pelo Pdot, 17 são definidas como Aris, como Santa Luzia, na SCIA/Estrutural, ou a Expansão Capão Comprido II, em São Sebastião. As 11 restantes são Arine, como Ponte Alta, no Gama, e a Colônia Agrícola 26 de Setembro, em Vicente Pires.

Conheça as 28 áreas passíveis de regularização:

As 28 áreas foram analisadas conforme os seguintes critérios:

– Porte e Compacidade: Isso significa que os técnicos olharam para o tamanho da ocupação e para o quão “juntas” as construções estão, e o quão próximo estão da área urbana já consolidada. Áreas mais consolidadas e densas tendem a ter prioridade por já apresentarem um certo nível de urbanização e ocupação social.

– Cenário da informalidade: O objetivo foi mapear e entender a dimensão da informalidade no DF, para que as ações de regularização fossem direcionadas para onde a necessidade é maior.

– Condições de regularização: Foram considerados fatores como riscos ambientais (áreas de preservação permanente, declives acentuados), restrições legais (incidência em faixas de domínio de rodovias, linhas de alta tensão) para verificar a viabilidade da regularização.

– Áreas já existentes e novos crescimentos: Além de identificar novos NUIs, a metodologia também incluiu ajustes em áreas já previstas no Pdot vigente, para considerar a inclusão de novos crescimentos de assentamentos já existentes, e a categoria de algumas áreas que seriam regularizadas também foi atualizada.

Arcabouço legal

O Plano Diretor estabelece um arcabouço legal claro para a regularização. Uma das principais iniciativas é oferecer orientações para os projetos de regularização que detalharão as 28 áreas e suas regras.

“Como a regularização é um processo complexo, após a publicação do Pdot ainda cabe a execução de outros procedimentos para a completa regularização das áreas, seguindo as regras urbanísticas aplicáveis a cada local. Isso dará segurança jurídica e transparência ao processo”, destaca Mário Pacheco.

O Novo Pdot também prevê instrumentos para financiar as obras e ações de regularização, como construção de asfalto e praças, além de garantir que a Lei Complementar de Regularização (n° 986/2021 e suas alterações) seja aplicada em conformidade com as outras normas, facilitando a execução dos processos. “O objetivo é integrar as áreas informais à cidade, com infraestrutura e segurança jurídica”, conclui o coordenador.

Tudo isso junto forma um caminho mais transparente e eficiente para que milhares de famílias no Distrito Federal possam, finalmente, terem seus imóveis regularizados e viverem em locais com toda a infraestrutura e dignidade que merecem.

*Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal (Seduh-DF)

Campus Party Brasil encerra edição em Brasília com foco em inovação, tecnologia e busca por novos talentos

Bem-estruturado, o evento movimentou a cidade e atraiu um público interessado nas novidades tecnológicas apresentadas | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Encontro reuniu mais de 150 mil visitantes, movimentando a economia local e consolidando o DF como novo polo de eventos desse setor

Depois de cinco dias de programação, a primeira edição nacional da Campus Party Brasil em Brasília chegou ao fim neste domingo (22), no Arena BRB Mané Garrincha. O encontro, considerado o maior do país no segmento de tecnologia, inovação e empreendedorismo, reuniu mais de 150 mil visitantes, movimentando a economia local e consolidando a capital federal como novo polo de eventos de inovação.

Com apoio do Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a Campus Party dispôs de uma estrutura de duas mil barracas de camping, 20 mil participantes circulando na Arena e milhares de visitantes na Arena Open, espaço com acesso gratuito à população.

https://youtube.com/watch?v=7BX0_v8rODg%3Frel%3D0

O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, Alexandre Villain, ressaltou que o Distrito Federal acompanha as transformações tecnológicas que ocorrem no país. “Os outros estados de fato têm a sua importância, mas Brasília já virou a capital da tecnologia no Brasil, então nós estamos muito felizes de estar com a comunidade vendo esse processo acontecer com a primeira edição da Campus Party Nacional em Brasilia”, declarou. 

O evento também contou com mais de 500 palestrantes, além de experiências interativas, exposições tecnológicas e desafios de programação. Entre os destaques estão os hackathons promovidos pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), que atraíram mais de 700 participantes em busca de soluções tecnológicas para o setor.

Talentos conectados

O psicólogo Marcelo Viglioni levou o filho de 11 anos, André, para a Campus Party: “Hoje é ele que está me guiando pelos estandes de que mais gostou”

“O sucesso da 17ª edição da Campus Party Brasil no Distrito Federal reforça a importância de levar o maior festival de tecnologia do país para Brasília, um centro estratégico de inovação e política pública”, resumiu o idealizador da Campus Party, Francesco Farruggia. “É um orgulho conectar pessoas, talentos e ideias em um lugar que pode influenciar o futuro tecnológico do Brasil.”

Para Farruggia, a edição nacional em Brasília foi um marco para aproximar ainda mais a população de temas ligados ao futuro da tecnologia e à construção de políticas públicas inovadoras. “Além disso, o Fórum do Marco Regulatório de Inteligência Artificial mostrou como a discussão sobre a regulamentação da IA é essencial para garantir avanços responsáveis, seguros e inclusivos para toda a sociedade”, avaliou. “Nosso papel, enquanto Campus Party, é justamente criar pontes e garantir que a sociedade civil esteja presente e ativa nesse debate, ajudando a construir políticas públicas mais conectadas com a realidade”.

O psicólogo Marcelo Viglioni, morador de Taguatinga, marcou presença no último dia da feira. Para ele, é importante ter iniciativas como essa para despertar o interesse dos jovens pelas áreas de tecnologia e inovação. “Meu filho esteve aqui com a escola, gostou muito e pediu para voltarmos hoje”, relatou. “Hoje é ele que está me guiando pelos estandes de que mais gostou. Estou achando tudo muito organizado, com muita opção de atrações. Eu trouxe ele mais para incentivar o seu lado vocacional. Desde cedo, ele gosta de matemática, computadores e jogos. Trazer ele aqui é também estimular em um futuro na área de TI, games ou software”.

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O estudante André Viglioni, de 11 anos, aluno do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 19 de Taguatinga, também ficou entusiasmado com a experiência. “Estou achando fascinante”, disse.

“Gostei muito das partes de criação de jogos, drones, e quero aprender ainda mais”, prosseguiu o jovem. “Hoje estou mais empolgado para saber como funciona a criação de drones, porque quero aprender tudo sobre essa área de tecnologia. No futuro, penso em fazer engenharia de software, porque, vamos ser sinceros, daqui a uns dez anos tudo vai precisar de tecnologia. A Campus Party me ajuda a ter mais conhecimento para alcançar esse objetivo.”

Próxima atração: Innova Summit

Com o encerramento da Campus Party, o Distrito Federal segue no circuito de grandes eventos de inovação. De terça (24) a quinta-feira (26), no Ulysses Centro de Convenções, a capital federal vai receber o Innova Summit 2025, considerado o maior evento gratuito de inovação e negócios do país. 

O encontro prevê mais de 200 palestras com especialistas como o empresário Thiago Nigro (influenciador digital, conhecido como “Primo Rico” no YouTube), Natália Beauty (empresária e influenciadora digital), João Kepler (escritor e apresentador de televisão) e o professor Murilo Gun, considerado um dos pioneiros na internet no Brasil.

A programação inclui também o lançamento oficial do Centro Integrado de Inteligência Artificial (CIIA), iniciativa que vai colocar o DF em como referência nacional em soluções tecnológicas para o setor público.

A entrada é gratuita, e as inscrições podem ser feitas pelo site oficial do evento.

IOF – As incertezas que atrasam o progresso e a ordem das coisas na economia brasileira

Calil Gedeon, advogado especialista em Duplicatas Escriturais e sócio da Monkey – Créditos: Lucas Zocoler

Calil Gedeon, advogado especialista em Duplicatas Escriturais e sócio da Monkey – Créditos: Lucas Zocoler

Por Calil Gedeon, CFO da Monkey, maior marketplace de recebíveis da América Latina
 

No mundo dos negócios e da economia, a única certeza que os agentes precisam para avançar é saber quais serão as regras do jogo. Não precisam ser regras perfeitas, desde que sejam claras, estáveis e aplicáveis de forma coerente. Quando isso não acontece — como tem ocorrido com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) —, a consequência é paralisia. E, mais cedo ou mais tarde, a fatura da indefinição chega cara para todos.
 

Desde que o governo decidiu elevar o IOF sobre operações de crédito, em maio, para gerar uma receita extra estimada em R$ 60 bilhões até 2026, o mercado passou a operar em estado de alerta. A medida foi recebida com forte resistência por parte de instituições financeiras, cooperativas de crédito e empresários, que apontaram falhas técnicas no decreto, ausência de diálogo prévio e insegurança jurídica. O Congresso ensaiou uma reação, ameaçando derrubar a medida. Em resposta, o governo recuou e passou a reformular o plano.
 

O problema é que, nesse intervalo, contratos ficaram em compasso de espera, operações foram suspensas, e a confiança no ambiente regulatório brasileiro sofreu mais um abalo. A tentativa de improvisar soluções fiscais urgentes acabou travando setores inteiros — e a promessa de arrecadação extra encolheu para apenas R$ 18 bilhões. Ou seja: criou-se um problema político e econômico para resolver uma necessidade fiscal, sem garantir a solução de nenhum deles.
 

Para contornar o impasse, o governo publicou, na noite da quarta-feira (11), uma nova medida provisória que eleva impostos em outras frentes. A MP, que já entrou em vigor, afeta empresas de apostas esportivas, instituições financeiras, investidores e até quem aplica em títulos antes isentos de Imposto de Renda. Entre os principais pontos:
 

  1. Apostas esportivas: a alíquota subiu de 12% para 18% sobre o rendimento das bets.
  2. Instituições financeiras: o piso da CSLL foi elevado de 9% para 15%, atingindo inclusive pequenas fintechs.
  3. Títulos antes isentos de IR: passaram a ter alíquota de 5% sobre novas emissões de LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, a partir de 2026.
  4. Operações de risco sacado: o IOF, que antes não incidia sobre essas operações, foi reduzido de 0,38% + 0,0082% ao dia, no anúncio inicial do governo, para 0,0082% ao dia, limitado a 365 dias.
  5. Juros sobre Capital Próprio (JCP): o IR sobre a distribuição subiu de 15% para 20%.
  6. Unificação do IR sobre investimentos: a nova alíquota é de 17,5%, independentemente do prazo ou tipo de aplicação.
  7. Criptoativos: rendimentos de criptomoedas e ativos digitais passam a ser tributados em 17,5%.

Segundo estimativas da Warren Investimentos, a MP pode gerar R$ 44 bilhões em receitas adicionais à União em 2026. No entanto, ainda será preciso aprová-la no Congresso. E, como afirmou o presidente da Câmara, Hugo Motta, não há compromisso firmado para isso.
 

Enquanto isso, os efeitos da instabilidade se acumulam. A cada nova mudança de rota ou tentativa de improviso, a percepção de risco sobre o Brasil aumenta. Investidores exigem prêmios maiores, empresas adiam planos, e a atividade econômica desacelera.
 

Ao invés de medidas estruturais, o país parece preferir soluções paliativas, como o próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu ao dizer que a nova MP “atinge moradores de cobertura” — uma forma de dizer que afeta os mais ricos, o que ignora os efeitos de segunda ordem de repasse do custo do imposto nos preços ao consumidor final e não resolve o problema central: a imprevisibilidade que assombra o ambiente de negócios e impede o progresso sustentável.
 

Incerteza custa caro. Desacelera a economia, enfraquece a arrecadação, e obriga o governo a recorrer a novas compensações que, muitas vezes, criam mais distorções do que soluções. O que falta não é criatividade fiscal, mas planejamento, previsibilidade e compromisso com a estabilidade. Só assim será possível construir um caminho duradouro para o crescimento e o equilíbrio das contas públicas.
 

 Sobre Calil Gedeon – É CFO e Diretor Jurídico da Monkey, maior marketplace de soluções financeiras da América Latina. Com formação em Direito e Administração pela FGV e passagem pela New York University em Nova York.

Governo sofre revés com IOF, mas mantém alta de tributos por outros caminhos

Especialistas alertam para desequilíbrio fiscal e desgaste político

A derrubada dos decretos presidenciais que elevaram as alíquotas do IOF representa uma derrota significativa para o governo federal — mas não significa alívio para contribuintes ou empresas. Especialistas ouvidos alertam que as demais medidas tributárias continuam em vigor por meio da Medida Provisória nº 1.303/2025, que traz uma série de aumentos fiscais e mudanças relevantes, especialmente sobre o Imposto de Renda.

“A MP continua valendo, ainda que seus efeitos, no caso do IR, estejam condicionados à aprovação até o fim do ano, por força do princípio da anualidade. Ou seja, nada muda para 2025, mas, se o Congresso não barrar, os impactos virão fortes em 2026”, explica o tributarista Marcelo Censoni, sócio do Censoni Advogados Associados e CEO do Censoni Tecnologia Fiscal e Tributária.

Entre as medidas que seguem em vigor estão o fim da isenção de IR para investimentos como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas; o aumento da CSLL para fintechs de 9% para 15%; o crescimento da alíquota sobre apostas online, de 12% para 18%; e a elevação do IR retido na fonte sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), de 15% para 20%. Também foram incluídos dispositivos que dificultam a compensação de créditos tributários e alteram regras de benefícios sociais.

“O governo tentou manter a arrecadação mesmo após o recuo no IOF, mas isso criou um ambiente de instabilidade política e insegurança jurídica. Medidas emergenciais vêm sendo tomadas sem planejamento, em meio a um cenário já bastante desgastado entre Executivo e Legislativo”, afirma Censoni.

Para o tributarista André Felix Ricotta, sócio da Felix Ricotta Advocacia e presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB/Pinheiros, o caminho escolhido pelo governo para tentar equilibrar as contas públicas já está esgotado. “O aumento da carga tributária chegou ao limite. Quando se passa do ponto de equilíbrio, o que cresce é a sonegação, a informalidade e a quebra de contribuintes. O governo precisa olhar para o outro lado da equação: cortar gastos, rever subsídios, vender ativos e, principalmente, enfrentar a reforma administrativa que está sendo deixada de lado”, afirma.

Segundo Ricotta, a estratégia de tentar resolver tudo pelo lado da arrecadação — sem enfrentar as despesas — é insustentável. “Temos um Estado inchado. Sem uma revisão séria das despesas, o equilíbrio fiscal nunca será alcançado.”

Mais gastos no Legislativo e pressão nos mercados

Além do recuo no IOF e da fragilidade na articulação da MP, outro fator tem causado apreensão: a proposta de aumento no número de deputados federais. Para Ricotta, o impacto fiscal é inevitável, apesar dos discursos oficiais de que não haverá aumento de gastos.

“É um contrassenso. Evita-se aumentar a carga tributária — o que é positivo —, mas ao mesmo tempo se amplia a estrutura de gastos públicos. Todos sabem que, na prática, haverá mais verbas de gabinete, mais cotas parlamentares, mais benefícios. O impacto será direto nas contas públicas”, avalia.

Na visão dos dois especialistas, o recado que fica para o mercado é preocupante. “A derrota no IOF e as dificuldades para aprovar a MP mostram a fragilidade do governo. A credibilidade fiscal está comprometida. A consequência tende a ser o aumento dos juros, desvalorização cambial e mais pressão inflacionária”, conclui Ricotta.

Fontes:

André Felix Ricotta de Oliveira, professor doutor em Direito Tributário, sócio da Felix Ricotta Advocacia, coordenador do curso Tributação sobre o Consumo do Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB/Pinheiros.

Marcelo Costa Censoni Filho, sócio do Censoni Advogados Associados, especialista em Direito Tributário e CEO do Censoni Tecnologia Fiscal e Tributária.

Secretário Pábio Mossoró participa da abertura da 19ª Feira da Moagem em Formosa

Município retoma Feira após 10 anos, resgatando raízes culturais e que devem movimentar turismo, economia e memória afetiva no Entorno nos próximos dias

Atmosfera de roça, a comida típica, o som da sanfona e o brilho nos olhos de quem esperava por esse momento há quase uma década: a Feira da Moagem está de volta. Na abertura da 19ª edição, realizada nesta quarta-feira (25), o secretário do Entorno do DF, Pábio Mossoró, participou da cerimônia que celebrou o retorno de uma das festas mais simbólicas de Formosa, no nordeste goiano.

Acompanhando o secretário de Infraestrutura do Estado de Goiás, Pedro Sales, e a prefeita Simone Ribeiro, Mossoró destacou a importância da retomada de eventos que resgatam o orgulho da população e fortalecem a identidade regional. “É uma alegria ver o povo de Formosa reencontrando suas raízes. Essa feira é memória, cultura e desenvolvimento. O Governo de Goiás reconhece e valoriza tudo isso”, afirmou o secretário.

Durante o discurso de abertura, também foi ressaltado o reconhecimento da Feira da Moagem como patrimônio histórico e cultural do município — conquista que chancela a importância do evento não apenas para Formosa, mas para todo o Entorno. A prefeita Simone Ribeiro reforçou o valor da parceria entre o município e o Governo de Goiás para tornar possível o retorno da festa. “Sozinhos, não conseguiríamos. Esse é um trabalho de união e amor por Formosa”, pontuou.

O secretário Pedro Sales reafirmou o apoio do Estado às ações estruturantes que impactam diretamente a qualidade de vida da população local, especialmente em um momento de valorização das tradições goianas. “Infraestrutura é também sobre dignidade, pertencimento e identidade. Quando a gente preserva e valoriza as raízes culturais de um povo, estamos investindo no que há de mais nobre: sua história, sua memória e seu futuro”, destacou Sales.

A Moagem: o campo encontra a cidade no coração de Formosa
Mais do que uma festa, a Feira da Moagem é um rito. São os melaços sendo cozidos lentamente nos tachos, as farinhas sendo processadas, os artesanatos ganhando forma, os violeiros afinando a alma do sertão e a cidade se enchendo de cheiro, cor e música. Realizada entre os dias 25 e 29 de junho, a 19ª edição da feira reúne produtores, artistas, visitantes e famílias inteiras em torno daquilo que Formosa tem de mais autêntico: suas raízes.

Secretaria de Entorno do DF | Governo de Goiás

DF tem uma das polícias menos letais do país, aponta Primeiro Anuário de Segurança Pública

O Distrito Federal se destaca nacionalmente pela baixa letalidade policial, segundo dados do Primeiro Anuário de Segurança Pública do DF, lançado na última quarta-feira (18) pelo Governo do Distrito Federal (GDF). O levantamento aponta uma redução de 46% das mortes por intervenção legal de agentes do Estado em comparação com 2023 — foram 15 registros em 2024.

Segundo o secretário de Segurança Pública do DF (SSP-DF), Sandro Avelar, o dado reflete o uso proporcional da força pelas corporações e o investimento em práticas alinhadas aos direitos humanos.

“Os dados do Anuário mostram que é possível preservar vidas e combater o crime com inteligência, profissionalismo e integração. A baixa letalidade policial registrada em 2024, somada aos menores índices de homicídio das últimas décadas, é reflexo direto de uma política de segurança pública orientada por evidências, com foco na capacitação dos nossos agentes e na atuação estratégica das corporações. Esse é um resultado que nos orgulha e que reafirma o compromisso do DF com uma segurança pública moderna, humana e eficiente. Ou seja, o DF tem mostrado ao país que é possível unir eficiência operacional e respeito à vida”, declara.

Entre os fatores que contribuem para a atuação mais eficiente e menos letal estão o planejamento de grandes eventos, o preparo psicológico dos policiais, a padronização de protocolos operacionais, a capacitação contínua dos agentes e o uso de tecnologias de monitoramento em tempo real.

Responsável pela produção dos protocolos que norteiam a atuação integrada das forças de segurança, a Subsecretaria de Operações Integradas (SOPI) da SSP-DF elabora documentos técnicos que vão da definição de estratégias até a execução tática, em operações permanentes ou temporárias. “O planejamento detalhado evita dúvidas e garante maior eficiência, definindo todos os detalhes do emprego das forças policiais”, explica o subsecretário Carlos Eduardo Melo de Souza. Em relação aos grandes eventos, ele destaca o alinhamento prévio entre organizadores, dirigentes das instituições e comandantes operacionais.

“O Carnaval e o aniversário de Brasília exemplificam a eficácia desse modelo, com planejamento prévio e acompanhamento em tempo real, permitindo ajustes pontuais sempre que necessário”, afirma Melo. A SOPI atua como elo entre as instituições, monitorando as ações e solicitando reforços ou mudanças operacionais de acordo com o grau de risco de cada situação. “O nível de rigidez das operações varia conforme o tipo de evento”, acrescenta.

Comunicação estratégica

Durante as reuniões de alinhamento operacional, também são definidas as mensagens a serem repassadas ao público e aos agentes. A comunicação estratégica inclui orientações sobre condutas esperadas, objetos proibidos e protocolos de segurança, tanto para o público quanto para os servidores. “Essas orientações evitam ruídos, aumentam a colaboração da população e facilitam a atuação das equipes no terreno”, reforça o subsecretário.

Entre os fatores que contribuem para a atuação mais eficiente e menos letal estão o planejamento de grandes eventos, o preparo psicológico dos policiais, a padronização de protocolos operacionais, a capacitação contínua dos agentes e o uso de tecnologias de monitoramento em tempo real.

Responsável pela produção dos protocolos que norteiam a atuação integrada das forças de segurança, a Subsecretaria de Operações Integradas (SOPI) da SSP-DF elabora documentos técnicos que vão da definição de estratégias até a execução tática, em operações permanentes ou temporárias. “O planejamento detalhado evita dúvidas e garante maior eficiência, definindo todos os detalhes do emprego das forças policiais”, explica o subsecretário Carlos Eduardo Melo de Souza. Em relação aos grandes eventos, ele destaca o alinhamento prévio entre organizadores, dirigentes das instituições e comandantes operacionais.

“O Carnaval e o aniversário de Brasília exemplificam a eficácia desse modelo, com planejamento prévio e acompanhamento em tempo real, permitindo ajustes pontuais sempre que necessário”, afirma Melo. A SOPI atua como elo entre as instituições, monitorando as ações e solicitando reforços ou mudanças operacionais de acordo com o grau de risco de cada situação. “O nível de rigidez das operações varia conforme o tipo de evento”, acrescenta.

Comunicação estratégica

Durante as reuniões de alinhamento operacional, também são definidas as mensagens a serem repassadas ao público e aos agentes. A comunicação estratégica inclui orientações sobre condutas esperadas, objetos proibidos e protocolos de segurança, tanto para o público quanto para os servidores. “Essas orientações evitam ruídos, aumentam a colaboração da população e facilitam a atuação das equipes no terreno”, reforça o subsecretário.