Medida extingue imposto federal de 20% sobre encomendas importadas de baixo valor; Charles Mendlowicz analisa impacto fiscal e no varejo
Em um movimento que promete sacudir o cenário econômico e político do país, o governo anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas”. A medida, que entra em vigor nesta quarta-feira (13), extingue o imposto federal de importação de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual que varia entre 17% e 20% na maioria dos estados, continuará a ser cobrado do consumidor.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o anúncio ocorre em um momento estratégico, faltando poucos meses para as eleições, e é visto pelo mercado como uma tentativa do governo de recuperar terreno junto às classes populares. “A medida é uma notória bomba fiscal e um movimento estratégico no tabuleiro político. Nesse xadrez das eleições, o governo pegou uma peça, moveu e assustou o adversário”, analisa Mendlowicz.
A “taxa das blusinhas”, implementada originalmente em 2024, tornou-se um dos símbolos de impopularidade da atual gestão devido ao impacto direto no consumo das famílias de baixa renda. Segundo Mendlowicz, o governo percebeu que o custo político superou o ganho de arrecadação, que vinha batendo recordes.
O Economista Sincero destaca que a medida permitirá que a população volte a acessar produtos de varejistas chinesas como Shein, Shopee e AliExpress a preços menores. “No Brasil, o ‘Diabo veste Shein’. Pela primeira vez as pessoas puderam ir ao trabalho mais arrumadas porque as coisas no Brasil custam caro e o imposto acaba com tudo”, pontua.
Prejuízos nos Correios e desafio para o varejo nacional
A crise financeira dos Correios também é apontada como um dos motores da decisão. A estatal registrou um prejuízo de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, e a queda no volume de encomendas internacionais (que representavam 22% da receita e caíram para 7,8%) foi um dos principais motivos alegados pela gestão.
No entanto, a medida não é isenta de riscos. O fim da taxa gera um cenário de competição que Mendlowicz classifica como desleal para os gigantes do varejo nacional, como Magazine Luiza, Casas Bahia e Renner. “Essas empresas nacionais terão que competir com as chinesas de uma forma desleal, como o próprio governo achava e, por isso, criou essa taxa”, explica Charles Mendlowicz.
Futuro fiscal
Apesar do alívio no bolso do consumidor, o economista alerta para a falta de previsibilidade a longo prazo e o histórico de aumento de impostos da gestão, que somou 27 reajustes desde 2023. “Eu não sei qual será o impacto disso daqui. O governo pode tirar isso agora e, quando passar a eleição, colocar de novo”, adverte Mendlowicz.
O mercado agora aguarda os próximos dados de consumo e a reação oficial das associações de varejistas nacionais diante da nova realidade de isenção.


