Planejamento financeiro para 2026 define os recursos disponíveis para investimentos, custeio dos serviços públicos e manutenção da estrutura estadual
O orçamento do Estado de São Paulo para 2026 foi estimado em R$ 382,3 bilhões, consolidando o maior estado do país como responsável por uma das maiores estruturas financeiras entre os governos estaduais. A proposta encaminhada pela gestão de Tarcísio de Freitas define a previsão de receitas e despesas para áreas como saúde, educação, segurança pública, transportes e infraestrutura.
Mais do que apresentar um valor global, o orçamento revela as escolhas políticas e administrativas do governo. É por meio dele que o Estado estabelece quanto pretende investir em obras, hospitais, escolas, policiamento, programas sociais e manutenção dos serviços utilizados diariamente pela população paulista.
A proposta também provoca discussões na Assembleia Legislativa de São Paulo. Deputados governistas defendem que o planejamento busca preservar o equilíbrio das contas públicas, enquanto parlamentares da oposição questionam a distribuição dos recursos, o volume de investimentos e os benefícios tributários concedidos a determinados setores econômicos.
Outro ponto acompanhado por prefeitos e lideranças municipais é a capacidade do governo estadual de manter transferências e parcerias com as cidades. Municípios dependem desses recursos para executar obras, ampliar serviços e adquirir equipamentos, especialmente em áreas como saúde, mobilidade e defesa civil.
A execução do orçamento será um dos principais indicadores para a avaliação do governo Tarcísio em ano eleitoral. Além do montante anunciado, o desempenho da administração dependerá da capacidade de transformar os recursos previstos em serviços, obras e resultados percebidos pela população.
Evento será em 25 e 26 de agosto e reúne atividades educativas, debates com especialistas e discussões sobre a garantia dos direitos das crianças
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, entre 25 e 26 de agosto, a 4ª Semana Legislativa pela Primeira Infância. Promovida pela Escola do Legislativo (Elegis), o evento reúne atividades educativas, debates com especialistas e discussões sobre a garantia dos direitos das crianças. A participação é gratuita e terá direito a certificado. O número de vagas é limitado. A inscrição pode ser feita por este link.
O mote deste ano é “escutar para construir: cultura democrática desde a infância”. O objetivo é ser um espaço de diálogo, reflexão e formação sobre a importância da escuta das crianças como fundamento para a construção de uma cultura democrática desde a infância, reconhecendo-as como sujeitos históricos, culturais e de direitos e fortalecendo sua participação na vida social e na construção de políticas públicas.
A abertura da semana ocorre na terça-feira (25), às 8h, com o projeto Infância Cidadã, que recebe crianças da educação infantil da rede pública de ensino do DF. A iniciativa da Elegis promove educação para a cidadania com estudantes de quatro a seis anos de idade, a partir de atividades que incluem visitas guiadas aos espaços da CLDF, contação de histórias, oficina e espetáculo musical do grupo Camerata Caipira, além de piquenique.
No dia seguinte, a abertura oficial do evento está marcada para as 9h, no auditório da Casa, seguida da conferência magna com o tema “escutar para reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos”. A palestrante será a professora doutora Zoia Prestes, que leciona na Universidade Federal Fluminense e é pesquisadora nas áreas de educação, psicologia e desenvolvimento infantil, com base na teoria histórico-cultural.
Após intervalo para almoço, a programação será retomada às 14h30, com uma mesa redonda sobre o tópico “escutar para transformar: o lugar da criança na construção da vida social. Além de Zoia Prestes, o debate contará com os professores Rodrigo Rodrigues e Simão de Miranda.
Prioridade de Estado
Instituída pela Resolução nº 357/2025, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), a Semana Legislativa pela Primeira Infância integra oficialmente o calendário anual da CLDF. “Ver a Semana Legislativa chegar à quarta edição mostra que essa agenda se consolidou e continua cumprindo o propósito para o qual foi criada: manter as crianças no centro das políticas públicas”, destaca Belmonte.
A distrital ressalta ainda que a primeira infância precisa ser prioridade do Estado. “É nesse período que construímos bases fundamentais para o desenvolvimento das nossas crianças e, consequentemente, para o futuro da nossa sociedade”, acrescenta.
Programação
25 de agosto (segunda-feira) Local: Auditório da CLDF (com visita guiada aos espaços da CLDF) • 8h às 11h | Projeto Infância Cidadã • 14h às 17h | Projeto Infância Cidadã
26 de agosto (terça-feira) Local: Auditório da CLDF • 8h30 | Credenciamento e acolhimento • 9h | Abertura Institucional. Tema: Escutar para Construir: cultura democrática desde a infância • 9h30 | Conferência Magna. Tema: Escutar para Reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos – Palestrante: Prof.ª Dra. Zoia Prestes • 11h30 às 14h | Intervalo para almoço • 14h | Recepção • 14h30 | Mesa-redonda. Tema: Escutar para Transformar: o lugar da criança na construção da vida social Participantes: Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues, Prof. Dr. Simão de Miranda e Prof.ª Dra. Zoia Prestes • 16h30 | Encerramento.
Candidato do PSD percorre cidades goianas na largada eleitoral e coloca segurança pública entre os principais eixos da disputa pelo Planalto
Ronaldo Caiado (PSD) escolheu Goiás e, especialmente, o Entorno do Distrito Federal para dar início à sua campanha à Presidência da República. Depois de participar de uma missa em Goiânia, o candidato seguiu para uma carreata pela região, passando por cidades estratégicas na divisa com Brasília.
A escolha do Entorno coloca uma das regiões politicamente mais importantes de Goiás no centro da estratégia presidencial. Caiado participou da agenda acompanhado de Gracinha Caiado, candidata ao Senado, e de Daniel Vilela, candidato ao Governo de Goiás, reforçando a tentativa de apresentar um grupo político unificado ao eleitor.
A segurança pública ganhou destaque no discurso do candidato. Caiado apresentou o tema como uma de suas principais credenciais para a eleição presidencial e defendeu maior rigor no combate ao crime, além de mudanças relacionadas à punição de agressores de mulheres. O candidato também apresentou propostas envolvendo o funcionamento das instituições e os critérios para indicação de ministros ao Supremo Tribunal Federal.
Politicamente, Caiado tenta construir um espaço próprio entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na largada da campanha, reforçou sua condição de oposição ao atual presidente ao mesmo tempo em que buscou se diferenciar da candidatura bolsonarista, estratégia que pode ser decisiva para conquistar eleitores que procuram uma alternativa aos dois principais polos da disputa.
Ao começar pelo Entorno, Caiado também tenta nacionalizar resultados e bandeiras construídas durante sua trajetória em Goiás. Para a região, a movimentação aumenta a centralidade política de municípios que convivem diariamente com Brasília e concentram um eleitorado cada vez mais relevante nas eleições goianas.
Real Time Big Data mostra presidente com forte vantagem no primeiro turno e liderança ainda maior em eventual confronto direto
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma ampla vantagem eleitoral no Ceará. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (20) mostra o presidente com 65% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com 21%.
A diferença entre os dois principais candidatos chega a 44 pontos percentuais. Renan Santos (Missão) aparece com 3%, Ronaldo Caiado (PSD) registra 2% e Romeu Zema (Novo) tem 1%. Outros candidatos somam 1%, enquanto votos brancos e nulos representam 3%. Outros 4% não souberam ou não responderam.
O cenário de segundo turno amplia a vantagem do atual presidente. Em uma disputa direta contra Flávio Bolsonaro, Lula alcança 66%, enquanto o senador registra 27%. Brancos e nulos ficam em 4%, e 3% dos entrevistados não souberam responder.
Os números reforçam a importância eleitoral do Nordeste para a estratégia petista. O Ceará continua aparecendo como um território de forte votação de Lula, enquanto Flávio enfrenta o desafio de ampliar sua presença em uma região onde o PT tradicionalmente obtém desempenho acima da média nacional.
O Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores cearenses entre 15 e 19 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08791/2026.
Campanha vê melhora nas pesquisas e aposta na atuação de Michelle Bolsonaro para reduzir resistências e reconstruir alianças importantes
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que começa a superar parte das dificuldades enfrentadas durante a pré-campanha. Nos bastidores, aliados identificam dois movimentos considerados estratégicos: uma maior abertura do empresariado ao candidato e a reconstrução da relação com lideranças evangélicas.
A aproximação com empresários ocorre depois de um período de forte resistência provocado pelas repercussões do chamado caso “Dark Horse”. Segundo integrantes da campanha ouvidos pela CNN Brasil, Flávio encontrou dificuldades para conseguir reuniões com representantes do setor empresarial após a divulgação de um áudio envolvendo Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Agora, aliados relatam maior disposição para ouvir as propostas econômicas do senador.
Outro movimento considerado importante passa por Michelle Bolsonaro. Candidata ao Senado pelo Distrito Federal, a ex-primeira-dama tem participado da reconstrução das pontes entre Flávio e lideranças evangélicas, segmento eleitoral que tradicionalmente possui forte presença entre apoiadores da família Bolsonaro.
Os aliados também relacionam a mudança de ambiente ao desempenho eleitoral. Pesquisa Quaest citada pela CNN mostrou Lula com 43% e Flávio com 40% em uma simulação de segundo turno, empate dentro da margem de erro. No início de agosto, os números eram 44% para Lula e 39% para Flávio.
A estratégia revela uma nova etapa da campanha do candidato do PL. Depois de concentrar esforços na mobilização da base bolsonarista, Flávio tenta reduzir resistências em segmentos capazes de ampliar sua votação. Empresários, evangélicos e eleitorado feminino aparecem como grupos especialmente importantes para essa tentativa de crescimento.
Presidenciáveis concordam sobre necessidade de atingir dinheiro do crime organizado, porém divergem em prevenção, punição e papel do Governo Federal
A segurança pública avança para se tornar uma das principais disputas da eleição presidencial de 2026. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) colocaram o enfrentamento às facções criminosas entre suas prioridades, mas apresentam estratégias diferentes para combater organizações que ampliaram sua atuação para áreas financeiras, logísticas e internacionais.
Há pontos de convergência. Os dois candidatos defendem atingir a estrutura financeira das organizações criminosas, bloquear patrimônio e ampliar o rastreamento dos recursos utilizados pelas facções. Também aparecem nos programas propostas envolvendo maior controle das fronteiras, isolamento de lideranças criminosas e retomada de territórios dominados pelo crime.
As diferenças surgem principalmente na forma de execução. Lula aposta em maior coordenação do Governo Federal, integração das áreas de inteligência e combinação das ações policiais com políticas de prevenção social. A proposta petista procura fortalecer a cooperação entre União, estados e diferentes forças de segurança.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, apresenta uma abordagem mais concentrada no endurecimento penal. Entre as medidas defendidas estão a construção de novos presídios de segurança máxima, ampliação da vigilância tecnológica, penas mais rígidas e enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas.
Apesar do espaço dado ao tema, existe um desafio comum aos dois programas: o financiamento. Até agora, nenhuma das candidaturas apresentou detalhamento completo sobre quanto custariam todas as propostas ou de onde sairia a maior parte dos recursos. A discussão sobre segurança, portanto, deve avançar durante a campanha não apenas sobre quais medidas adotar, mas também sobre como executá-las.
Candidato do PL grava campanha em frente a unidade fechada em Brasília e tenta transformar recuperação judicial da varejista em símbolo do debate econômico eleitoral
A crise enfrentada pelo Grupo Casas Bahia entrou oficialmente na disputa presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) gravou material de campanha em frente a uma unidade fechada da varejista em Taguatinga, no Distrito Federal, e utilizou a situação da empresa para criticar a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A escolha do cenário ocorre poucos dias depois de o Grupo Casas Bahia pedir recuperação judicial. A empresa declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas reconhecidas no processo e anunciou um plano de reestruturação que prevê o fechamento de quase 300 lojas e a possibilidade de corte de aproximadamente 3 mil postos de trabalho.
Na mensagem eleitoral, Flávio tenta relacionar a situação enfrentada pela companhia a questões como juros elevados, inflação e dificuldades para empresas e consumidores. A estratégia é colocar a economia cotidiana no centro da campanha, explorando especialmente o impacto do custo do crédito e das demissões sobre trabalhadores e famílias.
A situação das Casas Bahia, porém, envolve um conjunto mais amplo de fatores. A companhia enfrenta dificuldades após anos de investimentos em digitalização e logística, aumento do endividamento, efeitos da pandemia e períodos prolongados de juros elevados. A rede acumula oito trimestres de prejuízos, segundo informações divulgadas no processo de reestruturação.
O episódio mostra como a economia tende a ocupar espaço crescente na campanha presidencial. Ao utilizar uma loja fechada como cenário, Flávio Bolsonaro busca transformar números econômicos em uma imagem de fácil compreensão para o eleitor, enquanto Lula deverá defender indicadores e políticas do próprio governo diante das críticas da oposição.
Encontro reunirá apoiadores da governadora em mobilização política no Guará 2
O movimento Juventude com Celina realiza neste sábado (22) um adesivaço em apoio à governadora do Distrito Federal, Celina Leão. O encontro está marcado para as 11h, no Seu Juca Bar, no Guará 2, e deve reunir amigos, apoiadores e integrantes do movimento em uma mobilização política. Com o mote “Cola com a Leoa”, a iniciativa terá como principal atividade a adesivagem de carros e motos com material de campanha. Segundo a organização, o encontro será aberto a apoiadores de diferentes idades e terá formato informal. A ação integra a estratégia de mobilização em torno da pré-candidatura de Celina Leão ao Governo do Distrito Federal. Na divulgação do evento, o grupo apresenta Gustavo Rocha como candidato a vice-governador. O encontro ocorre em meio à intensificação das articulações políticas para as eleições de 2026 no Distrito Federal.
No domingo, 16 de agosto de 2026, o Brasil apertou o “play”. Foi o primeiro dia em que o calendário do TSE liberou propaganda eleitoral nas ruas e na internet — e, como quem estava esperando o sinal verde há meses, seis candidatos à Presidência subiram ao palco quase ao mesmo tempo. Faltando 49 dias para o primeiro turno (4 de outubro), Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Pablo Marçal deram a largada.
Mas aqui vai o ponto que interessa a quem faz campanha: um lançamento não é só uma festa. É o primeiro frame do eixo narrativo. É o momento em que cada equipe de marketing entrega, em estado bruto, o posicionamento que vai tentar sustentar por sete semanas. O local escolhido, o figurino, a trilha, o formato, a primeira frase — nada disso é acaso. Tudo é mensagem.
E o dia 16 foi generoso: seis candidatos, seis gramáticas de campanha completamente diferentes. Vamos ler cada uma.
Lula (PT): a nostalgia como método
Lula não escolheu um palco qualquer. Escolheu o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, o chão das greves do ABC, o berço sindical de onde ele saiu para a política. Isso é storytelling de trajetória em estado puro: antes de falar de futuro, a campanha ancora o candidato na sua própria origem.
A leitura de marketing é clara. Como incumbente, Lula não vende ruptura, vende continuidade com emoção. O ato misturou memória sindical, defesa da democracia e mobilização popular, com a coligação ampla “O Brasil Pronto Pra Mais” (PT, PDT, PSB, PCdoB, PV, PSOL e Rede) enchendo o palanque. Enquanto adversários brigam por atenção, Lula exibe o ativo que ninguém mais tem: máquina, tempo de TV e uma frente unida.
O detalhe mais estratégico, porém, foram os acenos. Janja subiu para falar dos direitos das mulheres e homenagear Marisa Letícia e a campanha exibiu a música-tema gravada com o cantor gospel Kleber Lucas. Traduzindo: dois públicos que a esquerda perdeu terreno nos últimos ciclos mulheres e evangélicos, estão explicitamente no centro do plano. Some a isso a defesa de um Ministério da Segurança Pública, e você vê uma campanha tentando blindar flancos antes mesmo do adversário atacar.
Provável linha: experiência contra aventura, com nostalgia afetiva na superfície e reconquista cirúrgica de segmentos no subtexto.
Flávio Bolsonaro (PL): a herança e a transferência de capital
Copacabana. Trio elétrico na Avenida Atlântica. Camisa verde e amarela com “Meu partido é o Brasil”. Flávio fez o oposto de Lula: em vez de ancorar no próprio passado, ancorou no passado do pai. O Rio é o berço do bolsonarismo, e a Atlântica é o palco histórico dos atos de Jair, escolher esse cenário é dizer, sem dizer, “eu sou a continuidade”.
Esse é o desafio central da campanha, e a equipe sabe: Flávio precisa fazer a transferência do capital simbólico de um líder preso e inelegível para um herdeiro que ainda não tem carisma próprio equivalente. Daí a moldura da “missão” passada pelo pai. É legado + um toque de vitimização (a perseguição ao clã como narrativa de mobilização).
Duas jogadas de posicionamento chamaram atenção. A primeira: os discursos de abertura miraram deliberadamente o eleitorado feminino, mesmo movimento de Lula, sinal de que a mulher será o campo de batalha decisivo de 2026. A segunda foi a frase para o bolso da classe média: “a esperança virou dívida”. Aí está a tentativa de furar a bolha bolsonarista dura e disputar o eleitor de centro pelo argumento econômico.
Provável linha: herança do bolsonarismo + economia doméstica (o custo de vida), tentando ampliar a base para mulheres e classe média, sempre sob a sombra de quem o centrão preferiria ver na disputa.
Ronaldo Caiado (PSD): o vão do meio, com prova de entrega
Enquanto os outros faziam comício, Caiado fez carreata no entorno de Brasília, começando por Águas Lindas de Goiás. A escolha de formato já é estratégia: carreata é território, é proximidade, é “eu passo pela sua rua”. E a escolha do lugar é argumento: uma região que, segundo ele, já foi das mais violentas do país e virou vitrine de gestão.
Toda a construção aponta para o mesmo lugar: gestão e segurança pública como prova de entrega. O vocabulário “coragem, competência, autoridade moral” é o de quem quer se vender como executor, não como ideólogo. É “o que funcionou em Goiás pode funcionar no Brasil”.
O posicionamento de Caiado é o mais delicado de todos: ele disputa o vão do meio, tentando ser a alternativa a Lula e a Flávio sem cair na armadilha da terceira via que não decola. O recado “os Estados Unidos não mandam no Brasil; eleição nossa é no Brasil” é sofisticado, ao mesmo tempo em que sinaliza soberania para o centro, cria contraste implícito com a direita que orbita o trumpismo, sem atacar de frente.
Provável linha: posicionamento por contraste (nem Lula, nem Bolsonaro) sustentado por currículo de gestor e pela bandeira da segurança. O risco: densidade digital baixa e a briga por oxigênio com Flávio no mesmo campo.
Romeu Zema (Novo): o nativo digital por necessidade
O primeiro movimento de Zema não foi um palanque, foi um post. Um vídeo produzido com inteligência artificial em que um avião de papel cruza o país, entra no Congresso e pousa na mesa de um fantoche do Lula, com o recado: “Lugar de intocável é na cadeia! Tô chegando… Zema”. Provocação direta, formato viralizável, tom anti-establishment e anti-STF.
Isso não é excentricidade, é cálculo. Zema não tem tempo de TV e assumiu que sua campanha vive nas redes, na imprensa e nos debates. Sem o megafone tradicional, a única moeda é a viralização e o earned media (a mídia que fala de você de graça). Usar IA logo na estreia é, ao mesmo tempo, um statement de modernidade e um risco reputacional calculado, coloca o tema “IA na propaganda” no centro e faz o candidato parecer o gestor liberal do futuro contra o político tradicional.
No ato de rua, em Montes Claros, o roteiro reforçou a marca: missa, mercado, contato. E a mensagem de governo veio condensada em três palavras-chave, controle de gastos, combate à corrupção e segurança pública.
Provável linha: campanha nativa digital, provocação como conteúdo, gestor liberal contra a “velha política”. A aposta e a fragilidade são a mesma: depender de viralizar.
Renan Santos (Missão/MBL): o outsider que ataca os dois lados
Renan subiu ao palco com colete à prova de balas, no Largo de São Francisco (a Faculdade de Direito da USP, onde ele estudou), e cantou o jingle da campanha ao vivo. Cada elemento é estética disruptiva pensada para gerar ruído a baixo custo: o colete é imagem, o local é história pessoal, o jingle é engajamento.
O que diferencia o posicionamento dele é o alvo. Renan não bateu só no Lula, bateu no Lula e no Flávio, definindo os dois como “projeto de poder como fim em si mesmo”. É o clássico do outsider, recusar o tabuleiro e se colocar como o único de fora. A promessa de “enfrentar os inimigos da nação”, a chapa pura, o símbolo da onça-pintada e a militância do MBL organizada em torno de pautas de comunicação de massa (vídeos curtos, projetos como a “Lei Anti-Oruam”) mostram uma engrenagem que já pensa em construir marca e partido para o longo prazo, talvez mais do que em vencer 2026. Vale notar até o cuidado de escalar uma coordenadora de campanha para dar “toque feminino” à agenda: o mesmo eleitorado que Lula e Flávio disputam.
Provável linha: insurgência anti-sistema contra “os dois lados”, alta densidade militante e comunicação de guerrilha digital. Construção de ativo político acima do resultado imediato.
Pablo Marçal (PRTB): a economia da atenção elevada ao limite
O lançamento de Marçal foi o próprio suspense do registro: a candidatura entrou no sistema do TSE a nove minutos do prazo final, viabilizada por uma liminar, com o candidato inelegível até 2032 e a homologação ainda pendente. Some a isso o episódio do valor bilionário declarado (R$ 7,4 bilhões, atribuído pela defesa a um “erro de digitação”), e você tem o retrato exato da estratégia.
Porque nada disso é acidente narrativo é conteúdo. Marçal é nativo da economia da atenção: 12,7 milhões de seguidores, polêmica constante, judicialização como combustível. O registro de última hora mantém o nome em pauta, a própria ameaça de indeferimento vira narrativa de perseguição, o ruído é a mensagem. Ele transforma o algoritmo em palanque e o processo eleitoral em roteiro.
Provável linha: manter-se no centro da conversa a qualquer custo, monetizando atenção e provocação. A fragilidade é estrutural, a candidatura pode simplesmente não se confirmar e a campanha inteira precisa render antes disso.
O que os seis lançamentos revelam
Ler os atos lado a lado, como uma peça só, é onde a análise fica interessante:
Três temas colaram em quase todo mundo. Segurança pública apareceu em Lula, Caiado, Zema e Renan. A economia doméstica, o custo de vida, “a esperança virou dívida”, foi a ponte de Flávio para a classe média. E a disputa pelo voto feminino ficou explícita em Lula, Flávio e Renan, evidenciando que a mulher será, de novo, o eleitorado decisivo, e as três equipes já sinalizaram isso no dia um.
A guerra é de canais, não só de ideias. De um lado, Lula com palanque, coligação e tempo de TV. Do outro, Zema, Renan e Marçal fazendo campanhas digital-first, por escolha e, principalmente, por necessidade. Isso muda tudo, quem não tem TV precisa que a internet fale de graça, e por isso aposta em provocação, IA e ruído. É a diferença entre comprar audiência e conquistá-la.
O tabuleiro tem três andares. No centro do ringue, a polarização Lula x Flávio se reafirma. No vão do meio, Caiado tenta o espaço mais difícil da política brasileira. E na periferia da atenção, Zema, Renan e Marçal disputam ao mesmo tempo o eleitor de direita não-bolsonarista e algo ainda mais escasso, o clique.
O marketing político de 2026 já se declarou. Num único domingo convivem nostalgia afetiva e fantoche gerado por IA, jingle cantado ao vivo e trio elétrico, carreata de proximidade e registro de última hora feito para viralizar. A caixa de ferramentas nunca foi tão ampla e nunca esteve tão exposta.
A lição que fica para quem trabalha com campanha é direta: o lançamento é o primeiro capítulo, e ele já contou o final que cada equipe pretende escrever. Cada candidato entregou, em poucos minutos, o eixo narrativo que vai defender até outubro. Quem soube ler o dia 16 já sabe qual filme cada campanha está tentando rodar.
A campanha começou. E a estratégia, para quem observa com olhos de marqueteiro, já está toda ali à vista de todos e vc candidato e candidata aos outros cargos em disputa no Brasil, já construiu a sua?
Edson Panes de Oliveira Filho é advogado e estrategista político, especialista em Direito Eleitoral, com MBA em Direito Empresarial, MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político. É proprietário da CRIA Marketing Digital e Político e cofundador da Alcateia Política.
Número de pedidos caiu em relação às eleições de 2022; Assembleia Legislativa reúne 587 candidaturas e Câmara Federal tem 256 nomes na disputa
Goiás entrou oficialmente na corrida eleitoral de 2026 com 888 pedidos de registro de candidatura apresentados à Justiça Eleitoral. O número representa uma redução significativa em relação às eleições de 2022, quando o estado contabilizou 1.243 registros. Com esse volume, Goiás ocupa a oitava posição entre os estados brasileiros com maior número de pedidos de candidatura.
A maior disputa está concentrada nas vagas da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Foram apresentados 587 pedidos de candidatura para deputado estadual. Para as cadeiras goianas na Câmara dos Deputados, são 256 concorrentes. Já a corrida pelo Governo de Goiás reúne seis candidatos ao Palácio das Esmeraldas e seis candidatos a vice-governador.
Para o Senado, a Justiça Eleitoral recebeu 11 registros de candidatura, além de 11 nomes para primeira suplência e outros 11 para segunda suplência. Em comparação com 2022, houve redução principalmente nas disputas proporcionais: naquele ano, Goiás teve 391 candidatos à Câmara Federal e 800 concorrentes à Assembleia Legislativa.
O perfil das candidaturas também mostra predominância masculina. Dos 888 registros, 551 são de homens, o equivalente a 62,05%, e 337 são de mulheres, ou 37,95%. A faixa etária com maior participação é a de 45 a 49 anos, responsável por 18,58% dos registros. Mais da metade dos candidatos, 54,95%, declarou possuir ensino superior completo.
Os números ainda representam o panorama inicial da eleição. Todos os pedidos apresentados precisam passar pela análise da Justiça Eleitoral, que verificará se os candidatos atendem às exigências legais para concorrer. A partir dessa etapa, a campanha em Goiás entra em um período decisivo de busca por votos para o governo, Senado, Câmara Federal e Alego.
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