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Fogo na Terra Indígena Raposa Serra do Sol aumentou 157% em 2023 

Fonte: Mapbiomas Fogo • Análise e visualização: InfoAmazonia

 Efeitos do El Niño ocorreram desde junho de 2023, causando seca severa e altas temperaturas. Pesquisadores apontam que o padrão do fogo na Amazônia brasileira mudou no último ano em decorrência da emergência climática e de uma redistribuição dos registros de queimadas devido à redução da devastação da floresta no Arco do Desmatamento. 

Por Jullie Pereira 

O fogo registrado na Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, em Roraima, aumentou 157% em 2023, em comparação com o ano anterior. Foram 586 mil hectares queimados, contra 228 mil em 2022, de acordo com análise exclusiva da InfoAmazonia, utilizando os dados de áreas queimadas do MapBiomas Fogo. Segundo cientistas, esse crescimento está relacionado a dois fatores principais: mudanças climáticas e fenômenos como o El Niño e o aquecimento do oceano Atlântico Norte.
 

Em 2019, quando ocorreu o último El Niño, a TI Raposa Serra do Sol teve 214 mil de hectares queimados, ou seja, um aumento de 173% entre um ano de El Niño para outro. “A história é: se não tivesse El Niño, com a diminuição do desmatamento, diminuiria o fogo. Como teve um evento climático extremo, apesar de reduzir a área queimada localmente, não reduziu na Amazônia toda, porque teve uma outra região que foi muito impactada pela seca”, diz Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam).

Área queimada na TI Raposa Serra do Sol em 2019 e 2023, anos de El Niño 
 

Alcebias Sapará, vice-presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), explicou que o calor sentido no último verão (setembro de 2023 a março de 2024) na TI Raposa Serra do Sol foi diferente. “Geralmente, não está tão seco assim. Hoje, o verão já seca tudo. Anos atrás, o El Niño não era tão forte assim. Então, tem alguma coisa acontecendo e as pessoas não querem ouvir”, disse.
 

O El Niño é um fenômeno meteorológico que provoca aquecimento anormal e persistente na superfície do Oceano Pacífico na linha do Equador. Essa linha corta a região norte da Amazônia, passando por Amapá, Pará, Amazonas e Roraima, onde está localizada a TI Raposa Serra do Sol.
 

Em 2023, a TI Raposa Serra do Sol, que desde 2019 era a segunda terra indígena mais queimadas da Amazônia, passou para o primeiro lugar. A TI Tumucumaque, no Amapá, apareceu pela primeira vez na terceira posição. E a TI Parque do Araguaia, no Tocantins, em segundo.
 

Área queimada nas três terras indígenas mais afetadas pelo fogo em 2023 
 

Comparação entre os anos de 2019 e 2023, ambos anos de El Niño. Dados estão em hectares.
 

Gráfico: InfoAmazonia Fonte: Mapbiomas Fogo

Aquecimento do Atlântico Norte 
 

O professor Paulo Brando, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, pesquisa fogo na floresta amazônica e explica que vivemos um calor atípico. Além do efeito do El Niño, em 2023 também houve aquecimento do Oceano Atlântico Norte. Os dois fenômenos juntos foram capazes de provocar mudanças drásticas nos ecossistemas por já estarem interagindo com um clima alterado, mais quente.
 

“Existe algo que a gente chama de variabilidade climática, que ocorre a cada 30 anos, as mudanças dos ciclos climáticos. É natural que existam ondas de calor e de seca. Mas, desde os anos 2000, deveríamos estar vivendo um clima seco mais ameno e de repente não é o que está ocorrendo. Isso é assustador”, disse.
 

Segundo Brando, quando há interação entre o aquecimento do Atlântico e do Pacífico, há também uma alta na temperatura da região amazônica, o que é “superperigoso” para a vegetação: “se você muda o clima, você acaba mudando a estrutura daquele ecossistema. Então, essa interação estressa ainda mais o sistema”, completa.
 

O aquecimento dos dois oceanos impede a formação das chuvas, deslocando as nuvens para outras localidades. Os efeitos disso duraram por um ano na Amazônia, entre junho de 2023 e junho de 2024, o que tomou parte da época chuvosa. Com menos chuva, o solo da vegetação ficou ainda mais seco, criando um cenário altamente inflamável.

 

Incêndios florestais atingiram grandes porções de florestas preservadas na Amazônia Foto: Bibiana Garrido/ Ipam

“A gente tem que lembrar que a chuva vai impactar muita coisa, mas, principalmente, ela é armazenada no solo. Então, se você não tem muita chuva na estação chuvosa, o solo permanece seco. É essa seca que vai estressar a vegetação”, diz Brando.

Desmatamento e fogo 
 

Os pesquisadores do Ipam destacam que os padrões de fogo na Amazônia mudaram em termos de localidade, época e tipo de vegetação no ano passado. Em junho deste ano, eles publicaram uma nota técnica indicando que 10,7 milhões de hectares foram queimados na Amazônia de janeiro a dezembro de 2023, um aumento de 36% em relação a 2022. No mesmo período de 2023, os alertas de desmatamento tiveram uma redução de 50%. Ane Alencar explica que, com a redução do desmatamento no bioma, esperava-se que as queimadas também diminuíssem, mas isso não ocorreu.
 

A dinâmica do fogo e do desmatamento na Amazônia em 2022 e 2023 revelam uma série de tendências e padrões diferenciados e preocupantes.

 


Para compreender essa mudança de padrão, os cientistas analisaram a dinâmica do fogo e do desmatamento na Amazônia brasileira em 2022 e 2023. Eles entenderam que o Brasil conseguiu conter o desmatamento na parte mais sensível da Amazônia – 219 municípios de um total de 433 -, o que levou à forte queda na taxa. Essa redução do desmate fez o fogo diminuir especialmente nessas localidades. No entanto, o fogo não diminuiu no restante da Amazônia, com o aumento na área queimada se concentrando mais ao norte da região amazônica.
 

“Teve um ingrediente aí que foi o clima. Ele fez com que a geografia do fogo mudasse. A área queimada mais afetada foi mais ao norte porque nessa região foi onde houve o epicentro da seca. Então, aí tem a relação com o El Niño e o aquecimento do Oceano Atlântico Norte”, explicou Alencar.
 

Além da mudança no padrão regional das queimadas, houve também uma alteração no tipo de vegetação afetada. Normalmente, há uma alta incidência de fogo para limpeza de pastagem, mas em 2023 este tipo de fogo teve uma redução de 50%. Neste ano, a vegetação mais queimada foi a de floresta, que inclui tanto as de terra firme como as alagadas e o mangue, com aumento de 121% na área afetada, e as áreas campestres.
 

“Muitas áreas de campo na Amazônia, as áreas de campinarana, de lavrado, tipo savânica, estão em territórios indígenas. Existe território que queimou toda a área de savana que tem. Como o ano foi muito seco, esse fogo saiu do controle, é difícil controlar o fogo numa área muito longe, muito inflamável. Dentro de uma terra indígena e unidade de conservação, é quase impossível”, diz Alencar.

 

Efeito do El Niño e do aquecimento do Atlântico Norte provocaram seca extrema na Amazônia Foto: Bibiana Garrido/Ipam

Causas e consequências 
 

A TI Raposa Serra do Sol, por exemplo, é cortada por estradas que dão acesso à fronteira de Roraima com a Guiana e a Venezuela. Além disso, possui áreas de praias, cachoeiras e rios. Lideranças indígenas relatam que isso tem provocado invasões territoriais para tráfico de drogas, garimpo e turismo. Na fronteira com a Guiana, a TI enfrenta invasões garimpeiras de balsas que extraem minérios no rio que faz a divisa entre os dois países, resultando em conflitos frequentes com os indígenas da Raposa Serra do Sol. 
 

Os componentes climáticos apontados pelos cientistas potencializam o espalhamento do fogo, e os indígenas identificaram que, no ano passado, as queimadas tiveram sua origem principalmente nas estradas. Oficialmente, não é permitido entrar em terras indígenas sem o consentimento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e dos representantes das comunidades. Por isso, aquela região não devia estar sendo usada como trânsito de não indígenas.

 

Vegetação de lavrado, vista na TI Raposa Serra do Sol, é mais seca. Foto: Nailson Wapichana/InfoAmazonia

“Tanto na TI Raposa Serra do Sol quanto na São Marcos, nós temos algumas estradas. Tem a BR-174 e a 433. Geralmente, o fogo parte dessas áreas da BR. A gente não consegue provar se de fato foi intencional, mas como nós temos igarapés que as pessoas param, nós temos alguns banhos, e geralmente partem disso aí. Como há anos não tínhamos um verão tão forte, tinha muita matéria acumulada, esse fogo vai se alastrando por todo o território”, explica Marcelo Macuxi, coordenador da Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos, território próximo à TI Raposa Serra do Sol.
 

A cientista Erika Berenguer, da Rede Amazônia Sustentável, explica que as estradas e as bordas que ficam ao redor de áreas de campo e floresta são altamente sensíveis ao fogo, e piora em regiões como a da TI Raposa Serra do Sol, formada com grandes áreas de lavrado, um tipo de vegetação que não é florestal e tende a ser mais seca.

“A borda tem vento, tem muita luz solar, a gente vai ter um clima completamente diferente nas bordas. O fogo entra pela borda, que é mais inflamável. Estamos falando de uma localidade que está comida, cheia de buraco, que já foi incendiada outras vezes”, explica a cientista citando a degradação florestal anterior.
 

Os indígenas também explicam que o uso do fogo é uma ferramenta importante na criação dos roçados. No entanto, devido ao calor extremo e à seca severa, ele saiu de controle em alguns casos, espalhando-se rapidamente e atingindo proporções severas.
 

“A gente tem costume de usar fogo na roça de forma controlada, mas esse ano a gente não conseguiu, porque a terra estava mais quente mesmo. Mas a gente se uniu e conseguiu amenizar nesses casos, com apoio do PrevFogo também”, conta o líder Amarildo Macuxi, da TI Raposa Serra do Sol.
 

Em 2023, os meses com maior incidência de queimadas também mudaram. Antes, agosto e setembro eram os meses de pico, mas, no ano passado, os piores meses foram outubro, novembro e dezembro, período em que o El Niño causou maior impacto. Com isso, os indígenas estão perdendo a capacidade de prever as mudanças do tempo. Nos meses em que o fogo controlado era normalmente possível, como em dezembro, no ano passado isso não funcionou, e essas condições não eram previstas.
 

A pesquisadora Alcilene Cardoso, também do Ipam, que atua em comunidades atingidas pelo fogo, explica que as mudanças do clima estão alterando os calendários agrícolas dos indígenas.“Os eventos extremos mexem com todo o cotidiano dessas comunidades, com grandes secas e grandes enchentes, os efeitos sobre o calendário agrícola são muito grandes. O indígena que estava preparado para fazer suas roças no início do inverno amazônico, que geralmente era novembro, hoje não é. Pode ser dezembro, pode ser janeiro. Então, essa sazonalidade está mudando e muda todo ritmo, todo pulso que essas comunidades estão acostumadas”, explica.

Como analisamos o aumento do fogo em terras indígenas? 
 

Nesta reportagem, coletamos e analisamos dados da plataforma MapBiomas Fogo, que mapeia as áreas queimadas no Brasil entre 1985 a 2023. Focamos no período de 2019 a 2023 e cruzamos esses dados com os limites das Terras Indígenas fornecidos pela Funai, identificando assim o aumento do fogo nesses territórios.
 

Para reforçar nosso compromisso com a transparência e garantir a replicabilidade das análises, a InfoAmazonia disponibiliza os dados nesta pasta.

Esta reportagem foi produzida pela Unidade de Geojornalismo InfoAmazonia, com o apoio do Instituto Serrapilheira.

Texto: Jullie Pereira

Análise de dados: Renata Hirota

Visualização de dados: Carolina Passos

Edição: Carolina Dantas

Coordenação de dados: Thays Lavor

Direção editorial: Juliana Mori

Crédito: Jullie Pereira – InfoAmazonia* 

*a autorização para republicação do conteúdo se dá mediante publicação na íntegra, com crédito e redirecionamento (link) para a publicação original. O InfoAmazonia não se responsabiliza por alterações no conteúdo feitas por terceiros. 

Ministro saudita apresenta a autoridades brasileiras vantagens de investimento industrial e de mineração na Arábia Saudita

O ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Al-Khorayef, e comitiva discutem incentivos industriais com CNI. Foto/Divulgação

 Ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Al-Khorayef, durante sua reunião com o presidente da Confederação Nacional da Indústria no Brasil (CNI), Antonio Ricardo Alvarez, realizada em Brasília, na quinta-feira, apresentou os incentivos e as facilidades oferecidos por seu país aos investidores industriais e de mineração. Ele falou também sobre as medidas para facilitar a realização de negócios no ambiente de investimento de ambos os setores, que aumentaram sua competitividade e sua atratividade. O ministro saudita convidou as empresas brasileiras a aproveitar as oportunidades de qualidade oferecidas para 12 setores promissores que fazem parte a Estratégia Industrial Nacional da Arábia Saudita.
 

Na reunião, os participantes discutiram o fortalecimento da cooperação entre o Reino da Arábia Saudita e o Brasil no setor industrial e a identificação dos principais setores com alto potencial de exportação e importação entre os dois países, como petroquímicos, fabricação de alimentos e máquinas e equipamentos. O encontro também explorou oportunidades promissoras para construir parcerias no setor industrial e as fortalezas industriais de ambos os países, que preparam o terreno para desenvolver uma cooperação industrial mútua e para ampliar o acesso dos produtos das duas nações aos mercados globais, com alta qualidade.


Ainda durante a reunião, Al-Khorayef falou sobre a Estratégia Industrial Nacional e os setores específicos que estão no foco dessa iniciativa. Tratou também das oportunidades atraentes nesses setores, apresentando facilidades de investimento, incentivos e mecanismos de apoio disponíveis para investidores industriais.


O ministro mencionou os passos que a Arábia Saudita está tomando para explorar seus recursos minerais e aumentar a contribuição do setor de mineração para diversificar as fontes de renda econômica do país. Isso inclui o lançamento do Programa de Pesquisa Geológica Geral para explorar esses recursos e a alteração da Lei de Investimento de Mineração para melhorar o ambiente de investimento no setor. Ele enfatizou a importância da cooperação com outros países no desenvolvimento do setor de mineração, especialmente o Brasil, devido à sua vasta experiência e a suas altas capacidades no setor.

 

Comitiva saudita em reunião com a ministra da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Luciana Santos. Foto/Divulgação.

Houve ainda uma reunião da autoridade saudita com a ministra da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Luciana Santos, para discutir as últimas tecnologias da chamada quarta revolução industrial e da economia digital, oportunidades para troca de expertise em inovação e desenvolvimento técnico e o fortalecimento de parcerias em tecnologias de manufatura inteligente, incluindo inteligência artificial.
 

Vice-ministro e ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita em conversa com a Apex sobre cooperação bilateral no setor mineral (da esquerda para a direita). Foto/Divulgação.


A reunião tratou do papel da automação das instalações industriais na melhoria da eficiência da produção e do fortalecimento da cooperação na economia digital, em tecnologias emergentes e ainda em inovação e na troca de conhecimento digital.


A agenda de Al-Khorayef também contou com um encontro com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana. Na reunião, foram debatidas maneiras de fortalecer a cooperação bilateral no setor de mineração, oportunidades únicas de investimento na exploração de minerais básicos e preciosos na Arábia Saudita, as vantagens do Programa de Incentivos à Exploração de Mineração, o licenciamento de faixas mineralizadas e a facilitação da realização de negócios no ambiente de investimento em mineração.


As reuniões contaram com a presença do vice-ministro da Indústria e Recursos Minerais para Assuntos Minerais, Khalid Al-Mudaifer, do CEO do Banco Saudita de Exportação e Importação, Saad Al-Khalb, e do embaixador no Brasil das Duas Mesquitas Sagradas, Faisal Ghulam.


As reuniões bilaterais fazem parte da visita oficial atual do Ministro da Indústria e Recursos Minerais ao Brasil e Chile, de 22 a 30 de julho. A visita visa fortalecer os laços bilaterais e atrair investimentos para os setores industriais e de mineração da Arábia Saudita.

 Ministério da Justiça confirma que está sem declarar novas terras indígenas devido à indefinição sobre marco temporal 

Ministros assinaram a demarcação de duas terras indígenas em abril deste ano. Foto: Robson Alves/MJSP

A pasta é responsável por declarar os limites das terras indígenas após estudos da Funai. O ministério atribui a demora às ‘sucessivas mudanças no marco jurídico de demarcação’, incluindo a aprovação do marco temporal em projeto de lei no Congresso e a decisão do STF contrária à tese. 

Por Jullie Pereira

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que as “sucessivas mudanças no marco jurídico de demarcação de terras indígenas”, como a Lei 14.701, que determina o marco temporal, estão afetando as análises técnicas necessárias para a declaração dos limites territoriais, parte do processo demarcatório sob responsabilidade do MJSP. A pasta diz que recebeu mais de 30 processos para demarcação desde o início do atual governo do presidente Lula (PT). No entanto, não são publicadas novas portarias declaratórias desde abril deste ano.
 

“Houve sucessivas mudanças no marco jurídico da demarcação de terras indígenas, com a aprovação da Lei 14.701, de 20 de outubro de 2023, vetos do presidente da República, rejeição e promulgação dos vetos pelo presidente do Congresso Nacional e julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF)”, disse, em nota, o MJSP à InfoAmazoniaLeia na íntegra aqui.
 

“Essas mudanças afetaram, sobretudo, os procedimentos em fase de declaração, considerando que se trata da fase em que ocorre a análise de mérito do processo, com a emissão da Portaria Declaratória pelo ministro da Justiça e Segurança Pública. Os procedimentos declaratórios em trâmite no MJSP estão em fase de análise técnica”, completou o ministério.
 

De acordo com o MJSP, existem 26 processos sendo analisados no momento, oito deles referentes a terras indígenas localizadas na Amazônia Legal. São elas: TI Jauary (AM), TI Menkü (MT), TI Apiaká do Pontal e Isolados (MT), TI Paukalirajausu (MT), TI Sawré Muybu (PA), TI Cobra Grande (PA), TI Maró (PA) e TI Kanela Memortumré (MA).
 

A TI Jauary é uma das impactadas pelo Projeto Autazes, da mineradora canadense Potássio do Brasil, que é alvo de ações do Ministério Público Federal (MPF). Os procuradores alegam irregularidades no processo e citam suspeitas de pagamento de suborno a comunidades indígenas. A última fase da demarcação dessa terra terminou em outubro de 2012, quando ela foi identificada. Desde então, ela aguarda a portaria declaratória.
 

Outro território que convive com invasões é o Sawré Muybu. Em 2022, a reportagem da InfoAmazonia flagrou uma draga de garimpo rondando as comunidades, a menos de 500 metros de distância. Em novembro do ano passado, o MPF recomendou que o MJSP desse prosseguimento ao processo em até 60 dias. A última fase concluída ocorreu em 2016, quando a Funai publicou os estudos antropológicos e de delimitação.

Novos capítulos sobre o marco temporal 
 

Lei 14.701 foi aprovada em 27 de setembro de 2023. Ela foi uma resposta do Congresso Nacional à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu o marco temporal como inconstitucional. Na ocasião, Lula sancionou o projeto de lei com vetos parciais, removendo o trecho que estabelecia a tese. No entanto, na promulgação, os parlamentares derrubaram esses vetos.
 

Neste ano, o debate nacional sobre o marco temporal ganhou novos capítulos. Partidos de esquerda (PSOL, Rede Sustentabilidade, Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde), junto com organizações indígenas, pediram a anulação do PL 14.701, enquanto partidos de direita (Partido Progressista, Partido Liberal e Republicanos) pediram a validação. Os dois lados protocolaram ações no STF. Assim, em meio ao imbróglio político e jurídicoo ministro Gilmar Mendes paralisou todas as ações e determinou um período de conciliação, que começará com uma audiência em 5 de agosto e terminará em 18 de dezembro deste ano.
 

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), organização que reúne líderes indígenas de todo o país, deve escolher seis pessoas para estarem nas audiências, mas ainda não sabe se irá participar. Os indígenas estão impondo uma condição: a suspensão da Lei 14.701. Uma petição foi enviada ao STF solicitando essa medida.
 

“Nós temos um posicionamento muito forte. Estamos falando de uma câmara de negociação/conciliação em que os povos indígenas já entram com desvantagens. Como é que nós vamos entrar no debate perdendo? Porque nós estamos com a lei sendo aplicada. Nós estamos vendo os conflitos acontecendo e nós estamos vendo a paralisação da demarcação das terras indígenas”, disse o advogado Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib.
 

Marco temporal foi tema de protestos no Acampamento Terra Livre deste ano. Foto: Fábio Bispo/InfoAmazonia 

Enquanto isso, tudo parado 
 

O MJSP é o órgão responsável por uma das fases mais sensíveis da demarcação das terras indígenas: a declaração dos limites territoriais, que determina, efetivamente, onde são colocados os marcos que desenham o limite do mapa do território. Com essa declaração, as comunidades têm o parecer jurídico favorável para a delimitação territorial.

Fases de demarcação de uma terra indígena 
 

– Elaboração e aprovação pela Funai do estudo de identificação da terra indígena: o órgão indigenista realiza estudos antropológicos, fundiários, cartográficos e ambientais para identificar e delimitar a terra tradicional.

– Período de contestação do estudo: após a publicação do relatório, há um período em que outros órgãos governamentais e a sociedade civil podem contestar os limites propostos.

– Declaração dos limites territoriais pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP): após a análise das contestações, o MJSP declara os limites da terra indígena.

– Demarcação física da terra indígena pela Funai: a Funai realiza a demarcação física dos limites no terreno.

– Homologação da terra indígena: o presidente da República homologa o território demarcado, oficializando os direitos indígenas sobre a área.

– Registro final da terra indígena: a terra é registrada em cartório, concluindo o processo de demarcação.

No primeiro ano deste governo Lula, oito terras indígenas foram homologadas. A expectativa das organizações indígenas era de que outras seis terras indígenas também tivessem o processo de demarcação finalizado até abril, quando a gestão completou os primeiros 100 dias, mas apenas mais duas receberam a assinatura do presidente.
 

Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública, na época chefiado por Flávio Dino durante o primeiro ano do governo, não publicou nenhuma portaria declaratória no período. Após recebimento do estudo antropológico, feito pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o ministério tem o prazo de 30 dias para publicar a portaria declaratória, como determina o Decreto 1.775, de 1996. No entanto, esse tempo não está sendo respeitado. Tendo recebido mais de 30 processos, ainda restam outras terras aguardando a análise.

Dinamam Tuxá afirma que o MJSP deveria respeitar o que diz a Constituição, porque a Lei 14.701 ainda está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) e em desacordo com o texto constitucional, que garante a demarcação.

“Nós estamos falando de uma lei infraconstitucional. Então, o que prevalece é o texto constitucional. Uma lei complementar, uma lei ordinária, vai sobrepor um texto constitucional? O MJ deveria seguir o rito que está previsto. Se houver judicialização na frente, cabe à outra parte o direito de contestar”, defende o coordenador executivo da Apib.

Além disso, Dinaman afirma que existem processos que não caberiam na tese do marco temporal, cujas populações estariam nas suas terras ainda antes de 1988, e por isso não estariam enquadradas na lei. “A parte mais prejudicada, mais uma vez, são os povos indígenas. Nós cobramos que haja uma celeridade nesse processo. A aplicabilidade da lei [14.701] não justifica para todos os casos que aguardam as declarações. Essa morosidade não se justifica”, disse.
 

Senador Davi Alcolumbre (União-AP), à esquerda, aceitou proposta do senador governista Jaques Wagner (PT-BA), à direita, e adiou a votação da PEC 48/2023. Foto: Adilson Rodrigues/Agência Senado 

Marco temporal na Constituição  
 

Em uma tentativa de colocar um fim aos argumentos contrários ao marco temporal, muito fundamentados na inconstitucionalidade da tese, senadores tentaram votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 48/2023 na semana passada, que inclui no texto da Constituição Federal a data de 5 de outubro de 1988 para a demarcação de terras. A votação não foi concluída e um adiamento foi proposto para que ocorra após as eleições municipais, em outubro.
 

A proposta é do senador governista Jaques Wagner (PT-BA), que justifica a necessidade de um consenso entre os poderes, já que o STF decidiu pela inconstitucionalidade, mas os congressistas ainda tentam consolidar a tese por meio do projeto de lei. Os senadores agora esperam os resultados da comissão de conciliação, proposta pelo ministro Gilmar Mendes para retomar as discussões sobre a PEC 48/2023.
 

“Essa proposta de emenda constitucional surgiu, a bem da verdade, por conta justamente desse imbróglio criado pelo Poder Judiciário. Não é embate, não é enfrentamento, nem protagonismo; é papel constitucional desta Casa deliberar sobre assuntos legislativos […] Eu tenho certeza de que, no fundo, todos os senadores que estão aqui estão buscando um caminho para resolver esse problema”, disse o senador Davi Alcolumbre (União-AP).
 

Assim que a PEC entrou no debate na semana passada, os indígenas se uniram em manifestações nas redes sociais, usando a hashtag #PECdaMorte e #MarcoTemporalNão e conseguiram reunir artistas, líderes indígenas e organizações, para pressionar os congressistas. Com o recuo da votação, Tuxá avalia que os congressistas estão criando estratégias para criar um clima maior de instabilidade e fazer a tese ser discutida novamente.
 

“Nós temos visto uma grande movimentação do Congresso Nacional. Eu acho que dentro desse contexto atual da política, eles têm promovido de fato a tentativa de enfraquecer a política indígena, de retirar direitos dos povos indígenas. Infelizmente, nós temos visto negociações, incluindo diversas bancadas, principalmente vinculadas ao agronegócio e às indústrias da mineração e da madeira, para tentar acessar os territórios indígenas”, disse.
 

Tuxá também avalia que os congressistas estão unidos e firmes nesta pauta, o que torna a disputa mais difícil. “A tramitação dessa PEC gerou maior temor e desconforto, visualizamos um grande processo de negociação ali dentro. E a votação só reafirma também que a Lei 14.701 é inconstitucional. Se eles estão propondo uma PEC, é porque sabem que a lei é inconstitucional”, explicou.

Crédito: Jullie Pereira – InfoAmazonia*

*a autorização para republicação do conteúdo se dá mediante publicação na íntegra, com crédito e redirecionamento (link) para a publicação original. O InfoAmazonia não se responsabiliza por alterações no conteúdo feitas por terceiros.

Ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita debate oportunidades de investimento com Vale e Petrobras

Encontro do ministro de Indústria e Mineração da Arábia Saudita (o segundo, da esq. para a dir.) e representantes da Vale. Foto: Divulgação

O Ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar AlKhorayef, encontrou-se na última sexta, 26, com Eduardo Bartolomeo, CEO da mineradora brasileira Vale, no Rio de Janeiro. Eles discutiram oportunidades de investimento no setor de mineração saudita em empresas brasileiras e também os planos de expansão de investidores brasileiros na Arábia Saudita. A reunião contou com a presença do Vice-Ministro da Indústria e Recursos Minerais para Assuntos de Mineração, Khalid Al-Mudaifer.


A discussão destacou os fortes laços entre os dois países no setor de mineração, incluindo a recente aquisição por parte da Arábia Saudita de uma participação de 10% na área de minerais básicos da Vale, por meio da Manara Metals, joint venture entre o Fundo de Investimento Público (PIF) do país e a Ma’aden, a maior empresa de mineração da Arábia Saudita,

A reunião abordou a importância de empregar tecnologias modernas em projetos de mineração para melhorar a eficiência da produção e a sustentabilidade, com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono nas próximas décadas.


Eduardo Bartolomeo elogiou o progresso econômico da Arábia Saudita e os ambiciosos projetos de desenvolvimento do país, destacando o significativo apoio que a Vale recebeu ao investir lá, particularmente no projeto de pelotização de ferro em Ras Al-Khair. Ele convidou a delegação saudita a visitar as minas da Vale em Carajás para testemunhar as melhores práticas em mineração.

Os extensos recursos de mineração e a expertise do Brasil fazem do país um parceiro-chave para a Arábia Saudita, dada a longa relação bilateral, que se estende por mais de 50 anos, especialmente nas áreas de energia e minerais.


A Arábia Saudita está avançando no seu setor de mineração, com o objetivo de explorar seus recursos minerais, avaliados em aproximadamente 9,4 trilhões de riyais sauditas (a moeda do país), para impulsionar a economia nacional e fortalecer o setor industrial. O país reconhece a necessidade de cooperação internacional para superar desafios na cadeia de suprimento mineral.


Para atrair investidores, a Arábia Saudita melhorou suas oportunidades de investimento, ao emendar a Lei de Investimento em Mineração, oferecendo incentivos como co-financiamento de 75% para despesas de capital, isenção fiscal de cinco anos e 100% de propriedade estrangeira. Em abril de 2024, o Ministério da Indústria e Recursos Minerais introduziu o Programa de Capacitação de Exploração (EEP), alocando US$ 182 milhões para mitigar riscos de investimento e acelerar a exploração inovadora. Esses desenvolvimentos posicionam a Arábia Saudita como um jogador global de destaque na mineração.


O país fornece dados geológicos abrangentes e atualizados, por meio de uma plataforma digital, para apoiar as decisões dos investidores e garantir transparência. O recém-estabelecido Programa Nacional de Minerais visa melhorar a qualidade e eficiência das cadeias de suprimento mineral e investir 120 bilhões de riyais sauditas nas indústrias minerais básicas e estratégicas.


A comitiva de autoridades da Arábia Saudita se encontrou também com Magda Chamberyard, CEO Petrobras, para explorar oportunidades de cooperação nos setores de manufatura e petroquímica.
 

Essas reuniões fazem parte da visita do ministro de Indústria e Recursos Minerais, que está em uma turnê econômica pelo Brasil e Chile, de 22 a 30 de julho, com o objetivo de fortalecer as relações bilaterais, atrair investimentos e explorar oportunidades mútuas nos setores industrial e de mineração.

Três tendências para o mercado de investimentos

Crédito: Unsplash

Setor passa por mudanças no modelo de remuneração e nas relações entre investidores e assessores de investimentos

Segundo a Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), o Brasil tem, atualmente, mais de 25 mil assessores de investimento credenciados. Esse número vem crescendo nos últimos anos e a profissão, portanto, se popularizando e trazendo tendências que podem mudar todo o mercado brasileiro de investimentos. Abaixo, separamos para você, algumas das principais novidades deste setor:

Modelo fiduciário

Fidúcia é uma palavra vinda do latim, que significa confiança. Assessorias financeiras que trabalham com o modelo fiduciário no Brasil ainda são uma novidade. Já em países como os Estados Unidos e o Reino Unido, o atendimento já migrou amplamente para o modelo fiduciário, no qual o assessor não é remunerado por comissões diferentes para cada produto em que seu cliente investir, mas sim pelo seu trabalho técnico desenvolvido, por meio de uma taxafixa mensal, independentemente do produto consumido pelo cliente.

Apesar de ainda ser um modelo de remuneração menos conhecido no Brasil, ao estudar a fundo o mercado financeiro global, é inegável que o modelo fiduciário é o futuro da assessoria de investimentos no Brasil. “A única forma de você não consumir um produto financeiro que é bom apenas para a instituição financeira é o modelo fiduciário. Ao trabalhar com uma taxa fixa, quando o cliente enriquece, o assessor de investimentos também passa a ganhar mais, afinal ganha um % sobre seu patrimônio”, explica Henrique de Barros, planejador financeiro especialista no modelo fiduciário.

Transparência nas relações

A regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou por alterações significativas, impactando diretamente a maneira como os assessores de investimento operam no Brasil. As principais mudanças introduzidas pelas Resoluções CVM 178 e 179 afetam tanto os assessores quanto os investidores.

Resolução CVM 178 define que os assessores de investimento têm a obrigação de fornecer um termo de ciência ao cliente, detalhando suas atividades, estrutura remuneratória e potenciais conflitos de interesse. Já a Resolução CVM 179 complementa as mudanças, exigindo que as instituições financeiras disponibilizem em seus sites informações qualitativas sobre remunerações e eventuais conflitos de interesses. Isso significa uma maior transparência na relação entre assessores e investidores que já está em vigor e auxiliando o investidor a ter conhecimento sobre o destino de seus investimentos.

Clientes bem informados

As Resoluções do CVM, que abrem caminho para o modelo fiduciário, trazem a transparência necessária para que os clientes se tornem mais bem informados para suas decisões. O Brasil ainda tem, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 25% de sua população investindo apenas na poupança. Há desconhecimento sobre o setor de investimentos.

Investir é algo muito contraintuitivo”, explica Henrique de Barros. “E, por isso, os clientes são muitas vezes traídos pelos seus vieses. O papel do bom assessor de investimentos é trazer clareza e racionalidade para esse processo de maneira estruturada por meio de um bom planejamento financeiro”.

De acordo com o especialista, o Brasil começa a experimentar um ajuste rumo a democratização do acesso de serviço de qualidade para investidores e, consequentemente, do conhecimento para os investidores, que passam a entender e opinar em seus investimentos. “E isso não é reinventar a roda, é apenas popularizar algo que já é tão comum em países desenvolvidos e entre os multimilionários brasileiros”, salienta.

Sobre Henrique de Barros

Planejador financeiro especialista no modelo fiduciário, certificado com CFP®. É graduado em Engenharia Industrial pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com passagem pela GOS Engenharia, Vangardi, Méliuz, Instituto Henrique$$er e Arpium.

Deputado Pastor Daniel de Castro se posiciona contra participação de transgêneros em competições femininas

O deputado Pastor Daniel de Castro expressou sua firme posição sobre a participação de atletas transgêneros em competições femininas. Em um pronunciamento veemente, o parlamentar destacou os eventos recentes nas Olimpíadas de 2024, onde a atleta Angela Carini, da categoria até 66 kg, abandonou uma luta após apenas 46 segundos de combate contra a argelina Imane Khelif, acusada de ser transgênero. A situação, segundo o deputado, expõe uma desigualdade física inerente entre atletas de diferentes sexos biológicos.

“A situação envolvendo Angela Carini e Imane Khelif ilustra claramente a disparidade física entre homens e mulheres. Não podemos ignorar que a constituição biológica dos homens, em termos gerais, confere-lhes maior força e resistência do que às mulheres. Permitir que indivíduos do sexo masculino compitam contra mulheres é uma injustiça que desvaloriza e coloca em risco a segurança das atletas femininas”, afirmou Pastor Daniel de Castro.

Em resposta a esses eventos, o deputado protocolou o Projeto de Lei nº 709/2023 na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A proposta estabelece o sexo biológico como critério exclusivo para a determinação do gênero de atletas em competições, excluindo a possibilidade de participação de atletas transgêneros em categorias femininas no Distrito Federal. O projeto tem gerado debates intensos sobre a presença de atletas transgêneros no esporte feminino e a necessidade de preservar a integridade física das competidoras.

“O PL 709/2023 é uma medida necessária para garantir a equidade nas competições esportivas e proteger o espaço conquistado pelas mulheres no esporte. A inclusão de atletas transgêneros pode trazer desequilíbrios fisiológicos, colocando em risco a segurança das competidoras”, explicou o deputado. Ele também destacou que o projeto prevê penalidades para o descumprimento das novas normativas, incluindo desclassificação, suspensão, devolução de prêmios e multas que podem alcançar até 100 salários mínimos.

O deputado Pastor Daniel de Castro reiterou seu compromisso com a justiça, igualdade e respeito às diferenças, mas enfatizou que não pode aceitar práticas que comprometam a segurança e dignidade das mulheres no esporte. “Estamos comprometidos em criar um ambiente esportivo justo e seguro para todas as atletas, garantindo que as competições sejam realizadas em condições equitativas”, concluiu.

Leandro Karnal à FAPDF: o futuro será dominado por homens e mulheres que saibam dominar a inteligência artificial

Em um bate-papo descontraído, o historiador, professor e escritor, Leandro Karnal conversou com o chefe de Comunicação da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), Douglas Silveira. A entrevista falou sobre oportunidades e também sobre os medos gerados pelas novas tecnologias no mercado de trabalho e a necessidade de se inovar cada vez mais no Brasil. “O futuro será dominado por homens e mulheres que saibam dominar a inteligência artificial”, afirma Karnal.

Durante a entrevista, Leandro Karnal ressaltou a importância de se reinventar e de ter pensamentos estratégicos neste momento acelerado das novas tecnologias. “À medida que a robótica e a inteligência artificial avançam, as máquinas se tornam mais inteligentes e capazes de assumir tarefas complexas. Isso significa que muitas profissões vão ser extintas ou a automação gera, na verdade, oportunidades e a criação de novas profissões?”, essa foi uma das perguntas que o chefe da Ascom/FAPDF fez ao historiador. Assista à entrevista completa no canal da Fundação no YouTube.

O encontro ocorreu nos bastidores do 6º Simpósio Internacional de Segurança, promovido pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), em maio deste ano, em Brasília, com apoio do FAPDF. Na oportunidade, Leandro Karnal também ministrou o talk show com o tema “O futuro é agora”, no quadro Tech Night Summit, apresentado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal. Assista à entrevista de 15 minutos de duração AQUI. – https://www.youtube.com/watch?v=KkQ3QfC6TwM

Por: Daniela Uejo/ASCOM-FAPDF

Circuito de Festejos Juninos: Sucesso de público e impacto na economia local

O Circuito passou por dez regiões administrativas (RAs), com uma estimativa de público que variou entre 30 a 45 mil pessoas diariamente por etapa. Como consequência do comparecimento do público, o evento trouxe um aumento considerável no consumo local, beneficiando um total de aproximadamente 200 vendedores ambulantes e comerciantes.

Com investimento de R$7 milhões, evento atraiu até 45 mil pessoas por etapa e impulsionou a economia local, celebrando a cultura junina em grande estilo

O Circuito de Festejos Juninos, que englobou o 9º Festival Gonzagão, o 2º Festival Candangão Junino e o 24º Circuito de Quadrilhas Juninas, aconteceu em cinco etapas, entre os dias 21 de junho e 28 de julho. O evento, promovido pelo Instituto Acolher em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, contou com um investimento total de R$6.999.997,65, gerando uma movimentação significativa na economia do Distrito Federal.

O evento contou com a participação de 55 quadrilhas juninas e 73 apresentações de trios de forró, distribuídas nas RAs de Planaltina, Gama, Sobradinho, São Sebastião, Paranoá, Taguatinga, Samambaia, Ceilândia, Recanto das Emas e Cruzeiro. A seleção das quadrilhas participantes foi criteriosa, baseada na filiação com o Movimento Junino e no histórico de apresentações anteriores. Os jurados, por sua vez, foram escolhidos por seu notório saber em culturas populares, garantindo a imparcialidade e qualidade das avaliações.

Segundo Tamires Rodrigues, presidente do Instituto Acolher, o evento superou todas as expectativas e alcançou um resultado extremamente positivo. “Estamos muito felizes e orgulhosos com a realização desse grande projeto que envolveu muitos agentes culturais, foram mais de duas mil pessoas envolvidas, 55 quadrilhas, 73 apresentações de trios de forró, 20 bandas além de toda uma equipe de trabalho dedicada, que se se esforçou muito para entregar o melhor que podia. Finalizamos com a sensação de dever cumprido e a alegria de ter realizado o maior Circuito de Festejos Juninos da história do Distrito Federal”, destacou.

Cultura descentralizada

O Circuito de Festejos Juninos é uma peça fundamental da Política Cultural Distrital, estabelecida pelo Decreto 42.315/2021, que visa apoiar a cadeia produtiva dos festejos juninos no Distrito Federal.

O Secretário de Cultura e Economia Criativa, Claudio Abrantes, ressalta que os festejos juninos são uma excelente oportunidade para promover o desenvolvimento cultural e econômico do DF e Entorno. “O Circuito de Festejos Juninos ressaltou a importância do movimento junino no Distrito Federal e o impacto da cultura pode ter na economia criativa da região. O evento se consolidou como um marco de celebração e tradição junina, promovendo integração e desenvolvimento, e deixando um legado positivo para toda a comunidade”, finalizou.

Confira a classificação final dos grupos quadrilheiros:

Ranking final da IX Festival Gonzagão de Quadrilhas Juninas

  1. Pau Melado – 418,4
  2. Arrasta Pé – 416,0
  3. Arcanjos do Cerrado – 415,5
  4. Santo Afonso – 415,4
  5. Arraiá Chapéu de Palha – 413,8
  6. Chamego Bom – 410,2
  7. Êta Peleja – 409,6
  8. Arriba Saia – 407,7
  9. Chapéu de Palha – 403,9
  10. Estrela de Fogo – 402,9

Ranking final da XXV Circuito de Quadrilhas Juninas (LINQDFE):
Grupo Especial:
1 – Arroxa o Nó (839,1)
2 – Formiga da Roça (839,1)
3 – Ribuliço (836,9)
4 – Xamegar (833,9)
5 – Mala Veia (831,9)
6 – Rasga o Fole (831,8)
7 – Caipirada (831,4)
8 – Eita Bagaceira (830,9)
9 – Amor Junino (830,8)
10 – Arraiá dos Matutos (830,2)
11 – Pinga em Mim (829,9)
12 – Coisas da Roça (829,6)
13 – Fornalha (826,4)
14 – Xique Xique (822,1)
15 – Xem Nhem Nhem (817,6)

Grupo de Acesso:
1 – Vai mas não vai (1.185,2)
2 – Tico Tico no Fuba (1.178,0)
3 – Espalha Brasa (1.173,1)
4 – Os Caboclos do Sertão (1.172,8)
5 – Matingueiros do Sertão ( 1.166,9)
6 – Chinelo de Couro (885,3)
7 – Bambolea (865,0)

Ranking final da Federação das Quadrilhas Juninas (FequajuDFE)
1 – Si Bobiá a Gente Pimba – 220 pontos
2 – Sabugo de Milho – 219,8 pontos
3 – Paixão Cangaço – 219,05 pontos
4 – Elite do Cerrado – 218,75 pontos
5 – Sanfona Lascada – 218,53 pontos
6 – Eta Lasquêra – 218,28 pontos
7 – Aquarela Nordestina – 218,13 pontos
8 – Segue o Fogo – 216,75 pontos
9 – Pula Fogueira – 215,63 pontos
10 – Triscou Queimou – 214,45 pontos

Legislações para festividades, saúde e proteção do menor são conquistas da deputada Dra. Zeli em 2024

Balanço aponta as matérias apresentadas pela deputada que se tornaram Lei no primeiro semestre deste ano

A deputada estadual Dra. Zeli (UB) foi eleita em 2022 para o seu primeiro mandato na Casa de Leis e, desde que tomou posse, ela já protocolou 20 projetos de lei ordinária e mais 57 requerimentos. Das matérias apresentadas na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e aprovados em Plenário, quatro autógrafos de Lei foram sancionados pelo Poder Executivo e se tornaram leis somente este ano.

As quatro matérias que se tornaram Lei são referentes a proposituras apresentadas ainda em 2023. Proteção e seguranças de crianças, pacientes diabéticos e reconhecimento de festas culturais são objetos das proposituras.

A primeira Lei sancionada pelo Executivo foi referente ao projeto que tramitou sob o nº 1580/23, que incluiu no Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado de Goiás o evento Valparaíso Rodeio Show, celebrado anualmente no mês de junho, na cidade do Entorno do Distrito Federal (DF).

O evento é tradição em Valparaíso e valoriza a cultura e as tradições do rodeio, promovendo o turismo local, a geração de empregos temporários e a movimentação econômica na região. A parlamentar justificou que é uma forma de reconhecer a importância do evento para as identidades cultural e turística do Estado.

Em 19 de março de 2024, entrou em vigor a lei nº 22.573, referente ao projeto que tramitou na Casa de Leis sob o nº 2738/23, cujo objetivo é alterar a Lei n° 20.253, de 1º de agosto de 2018 e garantir o direito às pessoas com diabetes, em toda a rede de saúde pública, privada e filantrópica do município, de ter os pés examinados em toda consulta médica, independentemente da especialidade, com encaminhamento a um especialista no caso de pé de risco, inclusive criança.

Segundo a parlamentar, seu objetivo é de que as pessoas acometidas de diabetes sejam examinadas com mais atenção. “Os pés, nessa doença, são um termômetro de como anda a saúde das pessoas. Mesmo que o profissional não seja da área, ele precisa dar um encaminhamento para o que for necessário”, completou.

No dia 9 de abril de 2024, entrou em vigor a lei nº 22.602, referente ao projeto de lei nº 609/23, que tem a proteção e segurança de crianças como teor. A matéria determina a obrigatoriedade de estabelecimentos de hotelaria e hospitalidade identificarem crianças e adolescentes neles hospedados.

Para identificação da criança e do adolescente, a deputada elenca 12 itens a serem preenchidos, tais como nome completo, data de nascimento, naturalidade, endereço residencial, nome completo dos pais, documento de identificação com foto dos pais, datas de entrada e de saída do estabelecimento e destino de origem, declarado na chegada ao estabelecimento, e destino previsto, declarado no momento da saída.

Outra festa cultural que também recebeu os devidos reconhecimentos e foi inclusa no calendário oficial é a festa em honra a São Francisco de Assis, realizada na primeira semana do mês de outubro, anualmente, em Valparaíso de Goiás. O projeto de lei que tratou do reconhecimento foi protocolado sob o nº 1581/23 e, na justificativa, a parlamentar ressaltou que a festa é reconhecida pela Igreja Católica desde 1998 e caminha para o seu jubileu de 25 anos. O evento é emblemático e simbólico no município. “A cultura do meu município é muito rica, e eu entendo que valorizar as festividades locais é uma forma de reconhecer e preservar as tradições valparaisenses para todo o sempre.”

A deputada demonstrou sua satisfação com o resultado do trabalho parlamentar e destacou suas expectativas para o próximo semestre. “Vamos continuar trabalhando com afinco para ajudar a população que me confiou este cargo. 2024 será um ano muito produtivo”, destacou.

NETSCOUT AMPLIA CAPACIDADE DE MONITORAMENTO DE BORDA DIGITAL (DIGITAL EDGE)

O novo Business Edge Observability oferece gestão integral de rendimento de redes, aplicativos e experiência do usuário para mitigar riscos e reduzir o MTTR (Tempo Médio para Reparo)

WESTFORD, Massachusetts – NETSCOUT SYSTEMS, INC. (NASDAQ: NTCT), provedor líder de soluções de gerenciamento de desempenho, segurança cibernética e proteção contra ataques DDoS, acaba de anunciar seu novo conjunto de produtos Business Edge Observability, que inclui soluções nGenius Edge Sensor e Remote InfiniStreamNG, para fornecer observabilidade de TI para locais remotos. À medida que aumenta a importância de aplicações e serviços de missão crítica em ambientes remotos, como lojas de varejo, fábricas, bancos, serviços públicos, hospitais e escritórios governamentais, a observabilidade proativa e aprofundada é essencial para mitigar riscos comerciais e garantir a disponibilidade contínua desses sistemas.
Uma pesquisa recente do Uptime Institute aponta para os altos custos das interrupções em TI. 16% dos entrevistados afirmaram que sua interrupção mais recente custou mais de US$ 1 milhão e 54% disseram que os custos ultrapassaram US$ 100.000, reforçando a necessidade de automatizar as operações de TI para que aplicativos e dados de missão crítica possam estar disponíveis localmente.
“Com o advento da computação de borda, soluções de IoT, interações de linha de frente, ameaças perimetrais e de trabalhadores híbridos, a visibilidade detalhada dos recursos remotos, das trocas de dados e experiências de aplicações torna-se mais crítica do que nunca”, afirma Mark Leary, diretor de investigação, análise e automação de rede IDC. “As funções essenciais, como inspeção profunda de pacotes escaláveis e testes de transações sintéticas, oferecem visualizações abrangentes e mecanismos de controle valiosos para a infraestrutura digital. Isso fortalece a eficiência operacional, a produtividade dos trabalhadores, a satisfação dos clientes, a postura de segurança e, em última análise, o desempenho financeiro”.
A crescente complexidade no uso de serviços como SASE, SD-WAN, SaaS e UCaaS representa um desafio adicional para garantir experiências digitais de alta qualidade em locais remotos. Os métodos tradicionais, como ferramentas de pontos de aplicações, testes sintéticos, autodiagnóstico do usuário e solução de problemas ad hoc, mostram-se ineficazes e demorados. Como as equipes de TI frequentemente enfrentam recursos limitados em locais remotos, é crucial contar com instrumentação que ofereça uma combinação de recursos de transação sintética e inspeção profunda de pacotes (DPI) para evitar lacunas de visibilidade e identificar rapidamente a causa raiz.
As soluções NETSCOUT Business Edge Observability combinam a tecnologia patenteada Adaptive Services Intelligence® (ASI) com testes sintéticos e decodificação automática para oferecer visibilidade abrangente em pontos essenciais de negócios. Em locais remotos, os Sensores nGenius Edge e os InfiniStreamNGs Remotos atuam como os “olhos e ouvidos” da equipe de TI, reduzindo o tempo necessário para solucionar problemas e resolver questões.
“Considere as complexidades dos hospitais”, diz Bruce Kelley, Chief Technology Officer da NETSCOUT. Quando os registros eletrônicos de pacientes ou aplicativos de imagem e radiologia não estão disponíveis, o impacto vai além do custo do tempo de inatividade. Os aplicativos hospitalares são cruciais para os negócios, pois sustentam a segurança do paciente, o tratamento, o atendimento ao cliente e a confiança geral da instituição. Uma interrupção do serviço, seja relacionada ao desempenho ou à segurança, representa mais do que um simples problema comercial; está em jogo a atenção ao paciente”.
Visite nosso site para saber mais sobre as novas soluções nGenius Edge Sensor e Remote InfiniStreamNG.

Sobre a NETSCOUT
A NETSCOUT SYSTEMS, INC. (NASDAQ: NTCT) protege o mundo conectado contra ataques cibernéticos e interrupções de desempenho e disponibilidade por meio da plataforma de visibilidade exclusiva da empresa e soluções alimentadas por sua tecnologia pioneira de inspeção profunda de pacotes em escala. A NETSCOUT atende as maiores empresas, provedores de serviços e organizações do setor público do mundo. Saiba mais em www.netscout.com ou siga @NETSCOUT no LinkedIn, X ou Facebook.

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