Secretaria do Entorno e Representação de Goiás no DF reforçam parceria por políticas públicas em Brasília
Encontro entre Rafael Lustosa e Renatho Melo destacou a articulação federativa para ampliar projetos, captar oportunidades e fortalecer os municípios goianos do Entorno.
O secretário do Entorno do Distrito Federal (SEDF-GO), Rafael Lustosa, visitou o chefe do Gabinete de Representação de Goiás no Distrito Federal, Renatho Melo, em Brasília. O encontro reforçou a integração entre os dois órgãos estaduais e a importância da articulação institucional na construção de políticas públicas para os municípios goianos do Entorno.
A reunião ocorreu no ano em que o Gabinete de Representação de Goiás no DF completa 70 anos, em 19 de agosto. Na ocasião, Renatho presenteou Rafael Lustosa com um livro que resgata a trajetória da representação goiana em Brasília e sua atuação junto ao Distrito Federal e ao Governo Federal.
Durante o encontro, Renatho destacou o potencial da Secretaria do Entorno na elaboração de projetos e na aproximação com as estruturas federais da capital. “A gente Secretaria do Entorno tem um potencial enorme de gerar política pública e captar em Brasília”, afirmou.

Segundo ele, a parceria contribui para transformar demandas regionais em ações concretas, especialmente em áreas como mobilidade, infraestrutura, desenvolvimento social e serviços públicos. “Ao completar 70 anos, o Gabinete reafirma seu papel de articulação em Brasília. A aproximação com a Secretaria do Entorno fortalece essa atuação em favor dos municípios goianos”, destacou.
Rafael Lustosa afirmou que a Secretaria do Entorno trabalha para ampliar a presença da região nas agendas estratégicas de Goiás e da União. “O Entorno já ocupa um lugar estratégico na agenda de Goiás. Agora, queremos somar forças com a Representação em Brasília para ampliar parcerias, estruturar projetos e planejar melhor a chegada das políticas públicas à segunda região metropolitana do Estado”, afirmou.
A visita reforçou a disposição da SEDF-GO e do Gabinete de Representação de Goiás no DF em atuar de forma integrada, ampliando a presença institucional de Goiás em Brasília e fortalecendo a defesa dos interesses do Entorno em programas, investimentos e ações estruturantes.
Secretaria do Entorno do DF | Governo de Goiás
Cora amplia serviços ao abrir reabilitação robótica para pacientes do Crer
Complexo oncológico do Governo de Goiás completa um ano de funcionamento com expansão da reabilitação por tecnologia robótica e ampliação de tratamentos de alta complexidade para crianças e adolescentes
O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) completa um ano de funcionamento com a ampliação dos serviços oferecidos à população. Entre as novidades anunciadas nesta quarta-feira (10/6) está o início do atendimento a pacientes encaminhados pelo Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), que passarão a utilizar a estrutura de reabilitação robótica da unidade. O anúncio foi feito pelo governador Daniel Vilela durante a solenidade que marcou o primeiro aniversário do hospital.
O chefe do Executivo estadual destacou o impacto do Cora para as famílias goianas. “Hoje, Goiás conta com uma unidade de tratamento completa que já atendeu inúmeras famílias e realizou quatro transplantes de medula. Isso demonstra a importância desse hospital, que salva vidas e dá conforto às famílias para que elas possam atravessar esse momento difícil sem precisar se deslocar para outros estados”, afirmou Daniel Vilela.
A medida integra a estratégia do Governo de Goiás de ampliar o acesso a tratamentos especializados na rede pública estadual. A expectativa, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES), é atender até dez pacientes do Crer por semana na área de reabilitação. Cada caso será submetido a avaliação prévia para definição da elegibilidade ao uso dos quatro equipamentos robóticos disponíveis na unidade.
Transplantes
Além da ampliação da reabilitação, o Cora avança na oferta de tratamentos oncológicos de alta complexidade. Em seu primeiro ano de funcionamento, a unidade implantou o serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO) pediátrico e já realizou os primeiros procedimentos autólogos em pacientes atendidos pelo hospital. A técnica utiliza células do próprio paciente para recompor a medula óssea após sessões intensivas de quimioterapia. Até o momento, três crianças com idades entre 1 e 4 anos passaram pelo procedimento e apresentaram resposta positiva.
Um quarto paciente segue em acompanhamento médico após o transplante. A estrutura destinada ao serviço conta com oito leitos especializados e suporte de terapia intensiva pediátrica. O próximo passo será a habilitação para a realização de transplantes alogênicos, modalidade que utiliza células de doadores compatíveis e amplia as possibilidades terapêuticas para pacientes oncológicos. A previsão é que a unidade alcance a capacidade de realizar até 100 transplantes por ano.
Titular da SES, Rasível Santos ressaltou que os resultados refletem uma política pública estruturada para ampliar o acesso ao tratamento especializado. “Estamos acompanhando muitas curas acontecendo aqui no Cora, e isso é resultado de uma política pública de muita responsabilidade. Os investimentos em estrutura e equipamentos são fundamentais, mas a alma deste hospital são os profissionais que dedicam seu trabalho diariamente para cuidar das crianças e das famílias que enfrentam essa luta”, destacou.
Desde a inauguração, o Cora recebeu 420 pacientes e realizou mais de 5,4 mil consultas médicas ambulatoriais. A oncologia pediátrica respondeu por 3.896 atendimentos, enquanto o serviço de quimioterapia contabilizou 2.433 sessões realizadas. O atendimento multiprofissional também registra números expressivos. Nesse período, foram realizadas mais de 8,3 mil consultas em áreas como psicologia, fisioterapia, nutrição, enfermagem, odontologia e terapia ocupacional. Já o centro cirúrgico contabilizou 1.420 procedimentos.
Atendimento especializado
O diretor-geral do Cora, Rafael Mendonça, destacou a expansão dos serviços prestados pela unidade. “Em apenas um ano, o Cora se tornou uma referência para Goiás e para o Brasil. É um hospital que nasceu para transformar vidas e que reúne profissionais, pacientes e famílias em torno de um propósito comum. Nosso desafio agora é ampliar ainda mais o atendimento e fortalecer essa rede de cuidado”, afirmou.
Presidente da Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital de Amor, Henrique Prata ressaltou a estrutura disponível para os pacientes. “O Cora oferece às crianças e às famílias uma estrutura de nível internacional, com equipamentos e recursos tecnológicos utilizados nos maiores centros de tratamento do mundo. É um hospital preparado para oferecer atendimento de alta qualidade não apenas aos goianos, mas também a pacientes de todo o país”, disse.
A avaliação dos usuários também demonstra aprovação dos serviços prestados. Pesquisa realizada pela unidade apontou índice de satisfação de 84,5%, enquanto 98,6% dos pacientes e familiares afirmaram que recomendariam o hospital a outras pessoas.
Sobre o Cora
Construído com investimento de R$ 255,8 milhões, o Cora dispõe de 60 leitos pediátricos, incluindo internação, observação, UTI pediátrica, centro cirúrgico, unidade de quimioterapia e setor de transplante de medula óssea. A estrutura conta ainda com ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassom, raio-X digital e centro de reabilitação equipado com tecnologia robótica.
Fotos: Lucas Diener
Legenda: Cora completa um ano com ampliação dos serviços de reabilitação e transplante de medula óssea para crianças e adolescentes
Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás
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GDF encaminha à CLDF projeto sobre acolhimento humanizado e internação involuntária
Proposta cria política distrital voltada à proteção, cuidado integral e reinserção social de pessoas em situação de rua
O Governo do Distrito Federal encaminhou à Câmara Legislativa do Distrito Federal um projeto de lei que institui a Política Distrital de Acolhimento Humanizado e Atenção Integral às Pessoas em Situação de Rua.
A proposta prevê a integração de ações nas áreas de assistência social, saúde e qualificação profissional, com foco na proteção, na recuperação da autonomia e na reinserção social dessa população.
O texto também regulamenta a internação involuntária em situações excepcionais, quando houver risco à vida da própria pessoa ou de terceiros. Nesses casos, a medida deverá seguir critérios técnicos e avaliação médica.
Segundo o GDF, o objetivo é ampliar a rede de acolhimento, garantir atendimento humanizado e oferecer novas oportunidades para que pessoas em situação de vulnerabilidade possam reconstruir seus projetos de vida.
O projeto segue agora para análise e votação na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Saúde mental em Ribeirão Preto a urgência de fortalecer a rede pública no pós pandemia
No município de Ribeirão Preto, o debate sobre a saúde mental deixou de ser uma pauta secundária para se tornar uma urgência de gestão que precisa pautar a rede de atenção pública.
Com uma população de 698.642 habitantes (IBGE, 2022), a cidade enfrenta um desafio de escala: embora conte com nove serviços especializados: seis CAPS, dois ambulatórios e um serviço de urgência, a rede atual ainda não atinge a cobertura necessária. De acordo com a literatura internacional, uma cidade deste porte demandaria atendimento para cerca de 70 mil pacientes, um patamar que a estrutura atual ainda busca alcançar.
A recente inauguração, em abril de 2026, do novo CAPS II Centro Sul no bairro Jardim Maria Goretti — resultado da unificação das unidades Sul e Central em uma estrutura mais moderna — é um avanço real, mas deve ser encarada como um ponto de partida, e não de chegada, para suprir os vazios assistenciais da região.
Essa necessidade local reflete um cenário global devastador. A pandemia de Covid-19 deixou uma ferida que não aparece só nas estatísticas: ela se mostra no dia a dia das famílias ribeirão-pretanas, nas crises de ansiedade, na depressão silenciosa e no esgotamento dos trabalhadores.
No primeiro ano da crise sanitária, a prevalência global de ansiedade e depressão subiu 25%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, um estudo com 45.161 adultos revelou que 40,4% relataram tristeza frequente e 52,6% ansiedade durante o período. Em 2024, o país registrou um aumento de 68% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais, totalizando mais de 472 mil casos.
Em Ribeirão Preto, os números confirmam essa pressão: o atendimento em Saúde Mental saltou de 75 mil em 2020 para 209.806 em 2024. Embora expressivo, esse volume se distribui entre pacientes que exigem acompanhamento contínuo, gerando dezenas de consultas e oficinas anuais para cada indivíduo.
O problema central é que o sistema público, já fragilizado, saiu da pandemia sobrecarregado. No estado de São Paulo, os procedimentos clínicos ambulatoriais no SUS saltaram de 2,1 milhões em 2020 para 3,8 milhões em 2024, enquanto as internações subiram de 48 mil para 56 mil. Em Ribeirão Preto, apenas em 2024, foram realizadas cerca de 300 internações psiquiátricas.
É neste contexto que a expansão dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) se torna vital. O Novo PAC Seleções, do Governo Federal, prevê a construção de 130 novos CAPS para responder a esses vazios assistenciais com uma abordagem humanizada.
Defender essa expansão nos territórios não é apenas construir prédios, mas garantir a capacidade pública de oferecer atenção especializada onde o cidadão vive.
Para compreender a eficácia dessa política, é preciso olhar para quem está na ponta. O pesquisador Michael Lipsky conceitua a “burocracia de nível de rua” para explicar que o Estado real se manifesta nas decisões cotidianas dos profissionais da linha de frente: psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e médicos.
Em Ribeirão Preto e no Brasil, o pós-pandemia tornou esse trabalho ainda mais duro, com equipes sobrecarregadas e limites no atendimento remoto. Quando há estrutura, a discricionariedade do servidor se transforma em cuidado qualificado; sem ela, vira improviso.
Mas onde instalar esses serviços importa tanto quanto instalá-los: refletir sobre o território também é de suma importância. Como defende o geógrafo Milton Santos, o território não é apenas um endereço burocrático, mas o espaço real da vida onde se acumulam desigualdades de renda, mobilidade, moradia, violência e acesso ao Estado.
Na saúde mental, esses elementos influenciam diretamente o quadro clínico. Por isso, levar CAPS para as áreas mais vulneráveis de Ribeirão Preto significa enfrentar a desigualdade socioespacial e aproximar o direito à saúde de quem mais precisa.
Portanto, embora a modernização da rede em Ribeirão Preto seja um passo louvável, prefeitos e gestores da região devem assumir um compromisso que vai além da placa de inauguração.
Não basta abrir portas; é preciso garantir a continuidade do cuidado, a manutenção das equipes, a articulação com a atenção básica e o funcionamento efetivo em rede.
Só assim garantiremos que o cidadão que acessa o SUS encontre uma resposta real ao seu sofrimento, evitando que o atraso no atendimento se transforme em um agravamento irreversível da crise.
Humberto Tobé
Pós-graduado em Gestão da Saúde Pública, é Analista de Gestão no Ministério da Saúde atuando na interlocução com municípios paulistas.
Fatima Christine
Graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional; servidora pública federal da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.










