Monitores educacionais do DF cobram mudanças na redistribuição anual entre escolas

Sessão solene na Câmara Legislativa reconheceu a importância dos profissionais na inclusão escolar e abriu espaço para reivindicações da categoria

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou uma sessão solene em homenagem aos monitores educacionais da rede pública de ensino. O encontro destacou a atuação desses profissionais no acompanhamento dos estudantes, especialmente dos alunos com deficiência, e também colocou em debate demandas relacionadas às condições de trabalho e à redistribuição anual entre as escolas.

A cerimônia foi proposta pelo deputado distrital Jorge Vianna (Democrata), autor da legislação que instituiu o Dia do Monitor Educacional, celebrado em 31 de julho. Participaram do evento profissionais da categoria, representantes sindicais, gestores escolares e integrantes da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

Durante a solenidade, a secretária de Educação do DF, Iêdes Braga, ressaltou que os monitores desempenham uma função essencial para o avanço da inclusão na rede pública. Segundo ela, o trabalho realizado diariamente contribui para garantir que estudantes com diferentes necessidades possam permanecer no ambiente escolar com mais segurança, acolhimento e autonomia.

Os monitores educacionais são responsáveis por prestar apoio nas atividades de cuidado, higiene, alimentação, mobilidade e estímulo dos estudantes. A função está prevista na legislação que regulamenta a carreira de assistência à educação no Distrito Federal.

A coordenadora da Regional de Ensino de Taguatinga, Daniela Freitas, afirmou que esses profissionais estabelecem uma ligação importante entre estudantes, professores, familiares e equipes gestoras. Para ela, a convivência diária permite a construção de vínculos que aumentam a confiança das famílias e fortalecem o processo de aprendizagem.

Categoria questiona redistribuição anual de profissionais

Apesar do reconhecimento recebido durante a homenagem, representantes dos monitores aproveitaram o espaço para apresentar dificuldades enfrentadas no cotidiano das escolas. Uma das principais reivindicações está relacionada ao atual modelo de redistribuição, que pode provocar a mudança dos profissionais de unidade de ensino a cada ano.

O monitor e sindicalista Sergio Dionizio defendeu o encerramento desse processo ou a realização da redistribuição ainda durante o ano letivo. Segundo ele, as transferências efetuadas no início do ano seguinte dificultam a organização familiar e profissional dos trabalhadores, que muitas vezes recebem pouco tempo para se adaptar a uma nova rotina.

A monitora Fabiana Zumba avaliou que a troca frequente de escola também prejudica o reconhecimento profissional. Ela explicou que o monitor precisa reconstruir anualmente sua relação com a direção, os professores, os alunos e a comunidade escolar, o que pode dificultar a participação em processos internos e o acesso a funções de gestão.

Para os representantes da categoria, a permanência por mais tempo na mesma unidade de ensino permitiria maior integração com a comunidade, continuidade no acompanhamento dos estudantes e melhores condições para o desenvolvimento da carreira.

Lei garante equipamentos de proteção aos monitores

A sessão também apresentou avanços conquistados pelos profissionais, como a ampliação do número de monitores na rede pública e a criação da Lei nº 7.889/2026. A legislação determina que sejam disponibilizados equipamentos de proteção individual para o exercício das atividades.

Entre os materiais previstos estão luvas descartáveis, máscaras faciais, álcool 70% e outros itens necessários durante os cuidados com higiene, alimentação e necessidades pessoais dos estudantes. A medida também contempla os educadores sociais voluntários, que exercem atividades semelhantes de maneira temporária.

De acordo com Jorge Vianna, a disponibilização dos equipamentos é necessária porque monitores e educadores podem ter contato com secreções, fluidos corporais e outros agentes durante o atendimento aos alunos.

O parlamentar também chamou atenção para episódios de agressões sofridas por profissionais dentro das escolas. Arranhões, tapas e outros tipos de lesões, segundo ele, precisam ser tratados com mais seriedade pelas autoridades responsáveis, com medidas de prevenção e proteção aos trabalhadores.

Ao final da solenidade, monitores educacionais foram homenageados com moções de louvor em reconhecimento aos serviços prestados à educação pública do Distrito Federal.

DISTRITO FEDERAL
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Da Redação