Da Redação
Candidato do PL grava campanha em frente a unidade fechada em Brasília e tenta transformar recuperação judicial da varejista em símbolo do debate econômico eleitoral
A crise enfrentada pelo Grupo Casas Bahia entrou oficialmente na disputa presidencial. Flávio Bolsonaro (PL) gravou material de campanha em frente a uma unidade fechada da varejista em Taguatinga, no Distrito Federal, e utilizou a situação da empresa para criticar a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A escolha do cenário ocorre poucos dias depois de o Grupo Casas Bahia pedir recuperação judicial. A empresa declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas reconhecidas no processo e anunciou um plano de reestruturação que prevê o fechamento de quase 300 lojas e a possibilidade de corte de aproximadamente 3 mil postos de trabalho.
Na mensagem eleitoral, Flávio tenta relacionar a situação enfrentada pela companhia a questões como juros elevados, inflação e dificuldades para empresas e consumidores. A estratégia é colocar a economia cotidiana no centro da campanha, explorando especialmente o impacto do custo do crédito e das demissões sobre trabalhadores e famílias.
A situação das Casas Bahia, porém, envolve um conjunto mais amplo de fatores. A companhia enfrenta dificuldades após anos de investimentos em digitalização e logística, aumento do endividamento, efeitos da pandemia e períodos prolongados de juros elevados. A rede acumula oito trimestres de prejuízos, segundo informações divulgadas no processo de reestruturação.
O episódio mostra como a economia tende a ocupar espaço crescente na campanha presidencial. Ao utilizar uma loja fechada como cenário, Flávio Bolsonaro busca transformar números econômicos em uma imagem de fácil compreensão para o eleitor, enquanto Lula deverá defender indicadores e políticas do próprio governo diante das críticas da oposição.
