Pipa no alimentador: entenda como uma brincadeira inocente pode deixar milhares de pessoas sem energia

Especialista da Equatorial Goiás explica por que uma ocorrência aparentemente simples pode interromper o fornecimento de energia para milhares de consumidores e comprometer serviços essenciais

Goiânia, 28 de julho de 2026 – Julho e agosto são meses marcados pelas férias escolares e pelos ventos mais intensos. Cenário ideal para uma das brincadeiras mais tradicionais do Brasil: soltar pipa. O que muitas pessoas não imaginam é que uma única pipa enroscada na rede elétrica pode provocar interrupções no fornecimento de energia que afetam milhares de consumidores ao mesmo tempo, além de colocar vidas em risco.

Segundo o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, os impactos vão muito além da residência de quem está soltando a pipa. “Dependendo do ponto da rede onde ocorre a interferência, bairros inteiros podem ficar sem energia até que a situação seja solucionada com segurança”, afirma. 

Vinicyus explica que existe um equívoco comum sobre esse tipo de ocorrência. “Muita gente acredita que basta a linha da pipa encostar na rede para acontecer um curto-circuito. Na maioria das vezes não é isso que provoca o problema. O grande risco começa quando a pessoa tenta recuperar a pipa e passa a puxar a linha. Esse movimento faz os cabos balançarem e eles podem tocar, atingir árvores ou até se romper. Dependendo da linha utilizada, principalmente quando há cerol ou linha chilena, também podem ocorrer danos na proteção dos cabos. É essa movimentação que pode causar curtos-circuitos, rompimentos e desligamentos automáticos da rede”, esclarece. 

Além dos impactos para o fornecimento de energia, Vinicyus reforça que a prática também representa riscos à segurança das pessoas. “Embora a rede elétrica conte com dispositivos de proteção que desligam automaticamente o circuito em situações de falha, esse mecanismo não elimina o risco de acidentes. Quem tenta retirar uma pipa da rede geralmente permanece muito próximo da fiação e, em caso de rompimento de cabos, pode sofrer acidentes graves. Por isso, a orientação é nunca tentar remover pipas presas na rede de energia e acionar a distribuidora para que a situação seja tratada com segurança”, destaca.

Dados da companhia registraram 288 ocorrências de pipa na rede elétrica apenas no primeiro semestre de 2026. “São cerca de 70 mil clientes afetados, ainda que por pouco tempo devido à rápida atuação de nossas equipes, em todo estado”, afirma. 

O que é um alimentador?

Para entender por que uma única ocorrência pode atingir milhares de pessoas, é importante conhecer o funcionamento da rede elétrica.  O superintendente da região Metropolitana detalha esse sistema.  

“O alimentador é um circuito de distribuição que sai de uma subestação e transporta energia para diversas regiões da cidade. Dependendo da configuração do sistema, um único alimentador pode abastecer milhares de imóveis, incluindo residências, comércios, indústrias, escolas, hospitais e outros serviços públicos. Por isso, quando ocorre um curto-circuito ou outra anormalidade nesse circuito, os equipamentos de proteção identificam imediatamente o problema e desligam automaticamente o alimentador, impactando muitas vezes vários clientes”. 

Vinicyus explica que essa interrupção faz parte do sistema de proteção da própria rede elétrica e evita danos ainda maiores aos equipamentos da companhia e riscos à população.

Impactos que vão muito além da brincadeira

Quando um alimentador precisa ser desligado, as consequências podem atingir toda a rotina das cidades. Entre os principais impactos estão:

  • Interrupção do fornecimento de energia em bairros inteiros;
  • Comprometimento do funcionamento de hospitais e unidades de saúde, que passam a depender de geradores;
  • Desligamento de semáforos e aumento do risco de acidentes de trânsito;
  • Paralisação de atividades comerciais;
  • Interrupção de processos industriais, com perdas de produção;
  • Prejuízos para escolas, órgãos públicos e demais serviços essenciais.

Além dos desligamentos, linhas com cerol ou linha chilena podem provocar cortes parciais ou até o rompimento dos cabos da rede elétrica. Esses danos aumentam o risco de acidentes, incêndios, interrupções prolongadas e necessidade de substituição de equipamentos.

Prevenção é o principal caminho

A Equatorial Goiás investe continuamente na modernização da rede elétrica para reduzir os impactos de ocorrências. Entre as soluções utilizadas estão equipamentos de proteção, monitoramento em tempo real pelo Centro de Operações Integradas (COI) e a instalação de espaçadores entre os cabos em trechos estratégicos, diminuindo o risco de contato entre os condutores.

No entanto, a distribuidora reforça que nenhuma tecnologia substitui a prevenção. “Temos equipamentos que ajudam a reduzir os impactos e proteger a rede, mas a atitude mais eficiente continua sendo evitar que a pipa seja solta próximo à rede elétrica. A prevenção protege tanto o sistema quanto, principalmente, a vida das pessoas”, afirma.

A Equatorial Goiás orienta que a população adote alguns cuidados simples:

  • Nunca solte pipas próximo à rede elétrica;
  • Escolha campos, parques e áreas abertas, longe dos fios;
  • Não utilize cerol, linha chilena ou fios metálicos;
  • Nunca tente retirar pipas presas nos cabos da rede;
  • Jamais utilize varas, escadas ou suba em postes;
  • Mantenha crianças sempre acompanhadas por um adulto;
  • Caso uma pipa fique enroscada na rede, acione a Equatorial Goiás e nunca tente removê-la.

Em caso de ocorrência, se houver cabo rompido ou qualquer situação envolvendo a rede elétrica:

  • Isole o local e impeça a aproximação de outras pessoas;
  • Nunca toque em fios caídos ou objetos que estejam em contato com a rede;
  • Acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193;
  • Comunique a Equatorial Goiás pela Central de Atendimento no 0800 062 0196.

Sobre a Equatorial Goiás

A Equatorial Goiás é uma empresa que pertence ao Grupo Equatorial, uma holding brasileira do setor de utilities, sendo o 3º maior grupo de distribuição de energia do País, com 7 concessionárias que atendem mais de 56 milhões de pessoas. Somente em Goiás são cerca de 3,8 milhões de unidades consumidoras, localizadas em 237 municípios do Estado e abrangendo 98,7% do território estadual, com cobertura de uma área de 336.871 km².

Fotos: Equatorial Goiás 

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Da Redação