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COP 30: O Distrito Federal Apresenta ao Brasil e ao Mundo as Suas Soluções de Sustentabilidade

O evento é considerado um marco histórico para o Brasil e para biomas fundamentais como a Amazônia e o Cerrado | Fotos: Raimundo Pacco/COP30

Por Agência Brasília
Com informações da Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal

No alvorecer de novembro próximo, quando Belém do Pará — joia amazônica e guardiã das águas do Norte — se converter em palco da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o Brasil, diante do concerto das nações, haverá de reafirmar sua vocação de protagonista na defesa do planeta. A COP 30, de magnitude universal, erige-se em ponto culminante da consciência ecológica humana, onde o destino da Terra se debate entre o progresso e a preservação.

O Governo do Distrito Federal, fiel ao dever que o tempo impõe às administrações esclarecidas, far-se-á presente por intermédio de ilustre delegação de técnicos e gestores, a quem cabe o múnus de robustecer as políticas ambientais e fazer convergir os programas locais às metas globais de mitigação e adaptação às mudanças do clima.

Entre as ações que levam o selo da Capital da República, fulguram como astros de uma nova era o Plano Carbono Neutro do DF, o Plano de Adaptação e Mitigação às Mudanças do Clima, o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e o Programa de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PPCIF) — instrumentos que corporificam o zelo, a ciência e a razão em prol de uma modernidade ambientalmente virtuosa.

A vice-governadora Celina Leão, em verbo inflamado de civismo, proclamou:

“O Distrito Federal tem demonstrado que sustentabilidade não é mera retórica, mas ação concreta. A COP 30 será ocasião oportuna para mostrarmos ao mundo as obras que realizamos em defesa do Cerrado e da dignidade da vida.”

Em igual diapasão, o secretário do Meio Ambiente, Gutemberg Gomes, asseverou que a presença brasiliense neste conclave planetário traduz não só o dever de cooperação, mas o de liderança moral no concerto ecológico das nações. E acrescentou:

“Cumpre-nos apresentar o Distrito Federal como exemplo de sustentabilidade e erigir o Cerrado — este coração verde do Brasil — em símbolo de resiliência, biodiversidade e esperança.”

O presidente do Instituto Brasília Ambiental, Rôney Nemer, elevou o verbo à defesa da pátria vegetal, recordando o papel sagrado do bioma central na tessitura da vida brasileira:

“Somos o berço das águas. O Cerrado, segundo maior bioma do país, há de ser visto não como apêndice, mas como fundamento. O Brasil vai além da Amazônia, e nossos projetos têm o condão de garantir o futuro das gerações vindouras.”

No painel “Gestão territorial, sociobiodiversidade e economia verde: experiências do Distrito Federal no enfrentamento às mudanças climáticas”, a comitiva do DF apresentará exemplos paradigmáticos: da modernização da gestão ambiental ao uso racional do solo, do fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade ao fomento de práticas circulares e inclusivas.

A COP 30 será, ademais, arena propícia à cooperação internacional e à projeção global do labor ambiental de Brasília. Por seu intermédio, a Secretaria do Meio Ambiente e o Instituto Brasília Ambiental buscarão consolidar parcerias com organismos multilaterais, agências de fomento e entidades civis, em prol de recursos, tecnologias limpas e projetos sustentáveis voltados à energia renovável, à gestão hídrica e à agricultura de baixo carbono.

Ao levar ao escrutínio das nações o Sistema Distrital de Informações Ambientais (Sisdia), a primeira usina pública de energia fotovoltaica, o Programa Parque Educador e o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Digital (PGRS), o Distrito Federal oferece ao mundo a prova cabal de que a sustentabilidade, quando guiada pela razão pública e pela virtude cívica, torna-se obra de civilização.

Assim, a presença do Distrito Federal na COP 30 reafirma-lhe o destino de farol nacional das boas práticas ambientais — fruto do labor diligente de seus servidores, que, na discrição de seu ofício, elevam Brasília à dupla condição de coração político da República e consciência verde do Brasil.

MINA amplia legado arquitetônico de Niemeyer em compromisso com o futuro da água

Durante a programação da 6ª Conferência Internacional da Rede Global de Museus da Água (WAMU+NET), um dos momentos de maior destaque foi o painel “O Memorial Internacional da Água – MINA: A visão de Oscar Niemeyer para as Nações Unidas dos Museus da Água”. A sessão reuniu especialistas de diferentes países e instituições para discutir o papel simbólico e educativo do projeto na promoção de uma nova cultura da água.

Presidido por Ruben Fernandes, representante da Águas do Porto (Portugal), o painel abordou a importância de integrar arte, arquitetura e sustentabilidade em espaços culturais voltados à educação ambiental. Fernandes ressaltou que o memorial propõe uma reflexão sobre como as sociedades se relacionam com a água e reforça o papel dos museus como agentes de conscientização e transformação.

Os diretores da Adasa Rogério Rosso, Félix Palazzo e Apolinário Rebêlo apresentaram a concepção do Memorial Internacional da Água (MINA), idealizado a partir de um projeto original de Oscar Niemeyer para um museu da água. Coube à atual gestão da Adasa reinterpretar e ampliar essa proposta, transformando-a em um memorial com vocação global, dedicado à valorização da água como patrimônio da humanidade.

Como coordenador do projeto, Rogério Rosso destacou o caráter universal da iniciativa e sua sintonia com a visão humanista de Oscar Niemeyer. “A água sempre inspirou Niemeyer. O MINA traduz essa relação entre o humano e o natural, simbolizando um compromisso global com o futuro sustentável do planeta”, afirmou.

Com uma perspectiva internacional, Eriberto Eulisse, diretor executivo da Global Network of Water Museums (WAMU+NET), definiu o MINA como um projeto visionário alinhado à missão da rede de conectar ciência, cultura e diplomacia da água. “O memorial é mais do que uma obra física — é um símbolo de união entre museus, culturas e gerações em torno da memória e da sustentabilidade da água”, concluiu.

Encerrando a sessão, o público reforçou o poder inspirador do projeto e sua sintonia com Brasília — cidade símbolo da arquitetura moderna e da visão de futuro de Oscar Niemeyer.

Mais do que um espaço cultural, o Memorial Internacional da Água (MINA) foi apresentado como um símbolo de cooperação global e educação ambiental, projetando o Brasil no centro do diálogo internacional sobre o uso responsável da água e o legado da arquitetura a serviço da sustentabilidade.

Operação Paz no Planalto reforça a segurança em Valparaíso de Goiás

Ação reúne mais de 100 policiais militares e segue por todo o mês de novembro com foco na redução da criminalidade

A cidade de Valparaíso de Goiás recebeu, nesta quinta-feira, 6 de novembro, o início da Operação Paz no Planalto, uma iniciativa da Polícia Militar do Estado de Goiás que visa intensificar as ações de segurança pública e promover maior tranquilidade à população. A operação conta com a participação de mais de uma centena de policiais militares e o apoio de unidades especializadas, como o Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (GRAER), a Companhia de Policiamento Especializado (CPE) e o Batalhão de Choque.

As ações da operação se estenderão ao longo de todo o mês de novembro e contemplarão diversas regiões do município. O lançamento oficial aconteceu nos bairros Céu Azul e Vila Guaíra, com a promessa de que as atividades sejam ampliadas para todo o território valparaisense. A proposta é intensificar o policiamento ostensivo, aumentar a presença de viaturas nas ruas e reforçar o monitoramento em pontos estratégicos da cidade, buscando inibir a criminalidade e garantir a segurança dos moradores.

Durante a cerimônia de abertura, o prefeito Marcus Vinicius destacou a importância da operação e a transformação positiva observada nos últimos anos no cenário da segurança pública do município. “Mais uma vez, Valparaíso acolhe uma operação que devolve serenidade ao nosso povo — povo este que, há uma ou duas décadas, convivia com a amarga sensação de insegurança e com índices alarmantes de violência. Hoje, mercê do denodado labor da nossa gloriosa Polícia Militar, vemos reescrita essa história”, afirmou o gestor.

O comandante regional da Polícia Militar, coronel Arantes, reforçou o compromisso da corporação com a proteção da cidade e da região do Entorno do Distrito Federal. Segundo ele, o trabalho das forças policiais tem resultado em uma queda expressiva dos índices de criminalidade. “Lançamos hoje esta operação nas áreas do Céu Azul e Vila Guaíra, mas a sua abrangência contemplará toda Valparaíso. Contamos com o apoio do GRAER, da CPE e do Choque — sendo que o GRAER permanecerá atuante por trinta dias consecutivos no Entorno. Para se aquilatar o progresso, basta recordar que outrora registrávamos quinhentos roubos mensais na região; hoje, não mais que oitenta e sete. O crime, lamentavelmente, ainda não foi extinto, mas é indubitável que Valparaíso e todo o Entorno Sul gozam de segurança muito superior à de outrora, fruto do labor incessante de nossos policiais, dia e noite”, destacou o coronel.

Com o reforço operacional e a integração entre diferentes forças de segurança, a Operação Paz no Planalto reafirma o compromisso do Governo de Goiás e da Prefeitura de Valparaíso em consolidar uma política pública de segurança preventiva, eficiente e integrada. O trabalho conjunto busca proteger vidas, manter a ordem e garantir que Valparaíso de Goiás continue avançando como uma cidade mais segura e justa para todos os seus moradores.

População de Novo Gama adere em peso ao Programa Mais Saúde

Ação oferece atendimentos médicos e exames gratuitos até o dia 10 de novembro, em frente ao Sintético do Lago Azul

O Programa Mais Saúde chega ao quarto dia de atividades com grande participação da população de Novo Gama. A iniciativa, que começou no início da semana, segue até o dia 10 de novembro oferecendo consultas, exames e orientações médicas gratuitas à comunidade, em frente ao Sintético do Lago Azul.

De acordo com a organização, centenas de moradores já foram atendidos desde o início do evento. A programação inclui consultas com especialistas em pediatria, cardiologia, ortopedia, dermatologia, otorrinolaringologia e endocrinologia. Além disso, estão sendo realizados exames laboratoriais, cardiológicos, preventivos e de imagem, como ultrassonografias, tomografias e mamografias.

O objetivo, segundo a gestão municipal, é ampliar o acesso da população aos serviços de saúde e garantir mais qualidade de vida. “O Mais Saúde é uma ação que reforça o compromisso da gestão municipal com o bem-estar da população, levando mais acesso, cuidado e qualidade de vida para todos”, destacou a administração.

Com estrutura montada em área central e de fácil acesso, o programa tem atraído famílias inteiras em busca de atendimento rápido e humanizado. A expectativa é que, até o fim das atividades, milhares de pessoas sejam beneficiadas com os serviços oferecidos gratuitamente.

Obra da nova UBS de Novo Gama entra na fase final e deve beneficiar 12 mil moradores por mês

Unidade abrigará equipes da Estratégia de Saúde da Família e de saúde bucal, com estrutura moderna e acessível para ampliar o atendimento à população.

A nova Unidade Básica de Saúde (UBS) de Novo Gama avança para a fase final das obras, com a estrutura praticamente concluída. As paredes de alvenaria já estão erguidas, a laje foi lançada, as janelas instaladas e o reboco está em fase de acabamento. O prédio, que vem sendo construído pela prefeitura, representa um importante reforço para a rede municipal de saúde.

Quando concluída, a UBS terá capacidade para atender cerca de 12 mil moradores por mês. O espaço contará com duas equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e duas de saúde bucal, ampliando o acesso a consultas, diagnósticos e tratamentos.

O projeto prevê consultórios individualizados, sala de vacinação, área de amamentação, espaço lúdico para crianças, farmácia com dispensação interna e externa, além de locais para práticas coletivas e atendimento multiprofissional. Todos os ambientes foram planejados com foco na acessibilidade, no conforto e no cuidado integral aos usuários.

A construção da nova UBS integra o programa de investimentos da administração municipal voltado à ampliação dos serviços públicos de saúde e à melhoria da qualidade de vida da população. Segundo a prefeitura, a unidade representa “um símbolo de acolhimento e de humanidade”, reforçando o compromisso do governo com a justiça social e o bem-estar coletivo.

ICL apoia desdobramento da Operação Carbono Oculto e reforça importância do combate à lavagem de dinheiro e à fraude no setor de combustíveis

O Instituto Combustível Legal (ICL) manifesta seu total apoio à Operação Carbono Oculto 86, deflagrada nesta quarta-feira (5) nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins, que resultou na interdição de 49 postos de combustíveis suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 5 bilhões, com conexões diretas com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação, conduzida pela Polícia Civil do Piauí, em parceria com o Ministério Público e outras forças de segurança, representa um novo e importante avanço no enfrentamento ao crime organizado, à fraude fiscal e à adulteração de combustíveis, práticas que comprometem a integridade do mercado e afetam toda a sociedade.
Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos, além de recorrer à sonegação tributária e à venda de combustíveis adulterados para financiar atividades ilegais.
 “Mais uma vez, a Operação Carbono Oculto comprova a interligação entre a sonegação estruturada de tributos e o crime organizado no Brasil. Ações como essa são fundamentais para proteger o consumidor, garantir concorrência leal e fortalecer a segurança pública. O ICL reitera seu apoio total às autoridades e ao Ministério Público na continuidade dessa investigação exemplar”, destaca Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal.
 O ICL vem alertando, há anos, para os riscos sistêmicos da sonegação e da lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, que movimentam bilhões de reais e financiam estruturas criminosas em todo o território nacional. O avanço das investigações comprova que a penetração do crime organizado já atinge todas as regiões do Brasil, não se restringindo mais apenas ao eixo Rio-São Paulo, o que reforça a urgência de ações coordenadas e permanentes de combate a esse tipo de atividade.

A entidade destaca ainda a necessidade de aprovação urgente de marcos legais, como o PLP 125/2022 (devedor contumaz), que cria instrumentos mais eficazes para o enfrentamento de grupos econômicos que utilizam a sonegação e a fraude como modelo de negócio.
 “Combustível fora da lei abastece o crime. Operações como essa mostram que o enfrentamento ao devedor contumaz e ao mercado ilegal é também uma questão de segurança pública”, complementa Kapaz.
 O Instituto reafirma seu compromisso em colaborar com os órgãos de fiscalização e com o Poder Público para fortalecer a integridade, a transparência e a legalidade no setor, defendendo um mercado ético, competitivo e livre do crime organizado.

Falha na FIA expôs dados de pilotos da F1: e se fosse no Brasil?

*Alexander Coelho

Três pesquisadores de segurança — Ian Carroll, Gal Nagli e Sam Curry — demonstraram uma vulnerabilidade grave no portal de categorização de pilotos da FIA. Em dez minutos, a partir de um cadastro comum, foi possível elevar privilégios e acessar dados sensíveis, inclusive o passaporte de Max Verstappen. Não é boato: os detalhes técnicos foram publicados pelos próprios pesquisadores e a FIA confirmou o incidente.

A combinação de um erro elementar de autorização com um alvo de alto valor transformou um formulário online em porta de entrada para informações pessoais e internas. O timing torna o caso ainda mais relevante: às vésperas do GP em Interlagos, vale perguntar — como a legislação brasileira reagiria a uma falha desse calibre?

Tecnicamente, tratou-se de mass assignment: a API devolvia e aceitava campos de função (roles) que, ao serem reenviados pelo cliente, promoviam a conta a administradora. Com o perfil elevado, tornou-se viável consultar documentos de identidade, licenças e contatos, além de visualizar comunicações internas de avaliação de pilotos. É a anatomia de um clássico: controle de acesso implantado do lado errado, testes negativos insuficientes e ausência de validações robustas no servidor. Quando o esqueleto da autorização cede, todo o edifício da privacidade desaba junto.

A linha do tempo também importa. Segundo os relatos, a falha foi reportada à FIA em 3 de junho; o portal saiu do ar rapidamente e a correção veio na sequência. Ao tornar o caso público agora, a entidade reconheceu o incidente, afirmou não haver evidência de uso malicioso além do teste e declarou ter notificado autoridades de proteção de dados e pilotos possivelmente afetados. O contraste entre “escopo potencial” e “escopo efetivo” é comum na forense digital, mas não diminui a gravidade do vetor.

Do ponto de vista jurídico, a resposta inicial da FIA dialoga com o que exigem marcos como o GDPR e, por analogia, a LGPD brasileira: medidas técnicas e administrativas proporcionais ao risco, comunicação tempestiva aos titulares e, quando cabível, às autoridades competentes. Mas conformidade não é folheto; é prática auditável. Em episódios assim, o “como” corrige pesa tanto quanto o “que” corrige: trilhas de auditoria imutáveis, segregação de funções, MFA consistente, code review com foco em autorização, testes de invasão recorrentes e feature flags que permitam desativar rapidamente superfícies de ataque. Maturidade se prova em evidência, não em slogans.

E se fosse no Brasil? A LGPD determina que incidentes com risco ou dano relevante aos titulares sejam comunicados ao órgão regulador e aos próprios titulares. Desde abril de 2024, o Regulamento de Comunicação de Incidente fixou prazo claro: até três dias úteis, contados do conhecimento de que o incidente afetou dados pessoais, com possibilidade de complementação fundamentada em até vinte dias úteis. A comunicação deve trazer, entre outros pontos, a natureza e a categoria dos dados afetados, perfil dos titulares, medidas de segurança aplicadas, riscos e providências adotadas. A ANPD pode instaurar procedimento específico inclusive quando toma ciência por outras vias, e os prazos são em dobro para agentes de pequeno porte.

A aplicabilidade da LGPD alcança operações realizadas no território nacional, a oferta de bens ou serviços a pessoas localizadas no Brasil, ou dados coletados aqui. Em um GP em Interlagos, com credenciamento, logística e plataformas voltadas ao público brasileiro, o enquadramento é direto, ainda que haja controladores sediados no exterior; a lei se aplica e as comunicações devem ocorrer por meio do formulário eletrônico oficial da ANPD.

Quanto a consequências, além da orientação para mitigar danos e reforçar controles, a ANPD dispõe de um regulamento de dosimetria para sanções administrativas, que vão de advertência e publicização da infração a multa de até 2% do faturamento no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração, entre outras medidas como bloqueio ou eliminação de dados. A experiência recente mostra que a autoridade já aplica penalidades e analisa o porte econômico, reincidência e cooperação do agente no cálculo da multa.

Há ainda um detalhe frequentemente ignorado em eventos globais: as transferências internacionais de dados. Em cenários de coparticipação entre entidades no Brasil e no exterior, o fluxo deve observar o regulamento específico da ANPD — cláusulas-padrão, avaliação de garantias e análise do risco. Brechas como a da FIA expõem não só a superfície técnica, mas a governança de transferência e retorno de dados entre jurisdições.

O recado final permanece incômodo — e necessário. De nada adianta marketing de segurança no front stage se a API de retaguarda promove administradores por convenção de campo. Em um esporte que vive de precisão, o padrão de diligência não pode oscilar: excelência na pista exige excelência no back-end. No Brasil, com prazos objetivos e fiscalização ativa, o cronômetro corre contra o improviso. Quem corta a chicane da autorização acaba descobrindo que a penalidade não é virtual; ela chega com hora marcada.

Tradição e Inovação: Alcachofra paulista floresce como destaque nacional 

Produção de Alcachofra na cidade de Piedade (SP)

São Paulo concentra o maior cultivo da flor comestível do país e investe em pesquisa para preservar e modernizar a produção

Pouca gente sabe, mas a alcachofra é uma flor. Colhida antes de se abrir completamente, quando suas pétalas ainda protegem um coração macio e saboroso, ela se transforma em um dos ingredientes mais valorizados da culinária e símbolo da agricultura paulista.

É em São Paulo que essa flor ganha o maior espaço de cultivo do Brasil. No município de Piedade, no interior do estado, cerca de 90% da produção nacional tem origem, consolidando a cidade como capital brasileira da alcachofra. Ali, tradição e conhecimento se unem há gerações, e foi de lá que saíram as mudas que hoje abastecem produtores de todo o país.

A cultura faz parte da identidade local. “São poucos produtores, mas com muita relevância para o Brasil. Nossa alcachofra é reconhecida pela qualidade, resultado de décadas de dedicação e preparo cuidadoso”, destaca Otávio Freitas Neves, produtor de Piedade e herdeiro de uma família que cultiva a flor há mais de 60 anos.

Com clima ameno e solo fértil, a cidade oferece as condições ideais para o cultivo. A colheita ocorre, em geral, uma vez por ano, mas técnicas de indução hormonal permitem uma segunda safra, ampliando a produtividade e o abastecimento. Versátil, a alcachofra também se destaca na gastronomia: é usada em pratos sofisticados ou simples, sempre valorizando o sabor paulista que vem do campo.

Reconhecendo essa importância, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) apoia os produtores por meio da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), oferecendo orientação, acesso a crédito rural, apoio para regularização ambiental e incentivo à comercialização em programas institucionais, como a merenda escolar.

Além do suporte técnico, São Paulo também investe em pesquisa e inovação para manter viva a tradição da flor. Na Apta Regional de São Roque, próxima a Piedade, uma equipe trabalha para modernizar o cultivo e recuperar o vigor genético da tradicional alcachofra “Roxa de São Roque”. O projeto, coordenado pelo pesquisador Wilson Tivelli, começou em 2010 e ganhou força a partir de 2020, em parceria com o Instituto Biológico (IB-Apta) e a CATI Sementes e Mudas.

Após décadas de multiplicação vegetativa, a planta havia perdido força devido à contaminação por vírus. A iniciativa envolveu a identificação dos vírus presentes nas plantas, a limpeza do material genético em laboratório e a produção de novas mudas livres de contaminação. Em 2023, essas mudas foram reintroduzidas no campo, em dois sistemas de cultivo: o tradicional, com linhas simples, e um modelo experimental em linhas duplas, que busca aumentar a densidade de plantio e, consequentemente, elevar a rentabilidade dos produtores.

“O objetivo é garantir que a alcachofra continue sendo um símbolo cultural e econômico de São Roque e de toda a região, unindo tradição, ciência e inovação”, afirma Tivelli.

 Em 12 anos, quase metade dos jovens do Bolsa Família atingiu a autonomia e deixou o Cadastro Único, revela pesquisa

Foto: Lyon Santos / MDS

Estudo acompanhou beneficiários de 2012 a 2024 e mostra que 48,9% deles não precisaram mais estar no registro do Governo Federal para famílias de baixa renda


Um estudo que acompanhou a trajetória de 15,5 milhões de jovens beneficiários do Bolsa Família revela que quase metade (48,9%) deixou completamente o Cadastro Único até 2024. A pesquisa “Determinantes da Saída do Cadastro Único: Evidências Longitudinais a partir dos beneficiários do Bolsa Família em 2012”, do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), acompanhou os jovens durante 12 anos e identificou os fatores que determinaram a permanência ou saída da rede de proteção social.
 

A pesquisa analisou pessoas que, em dezembro de 2012, tinham entre sete e 16 anos e estavam registradas como dependentes na folha de pagamento do Programa Bolsa Família. O estudo escolheu tal ano, por representar um momento de estabilidade institucional do programa e por ser o primeiro com microdados detalhados do Cadastro Único sistematicamente disponíveis.
 

Após 12 anos de acompanhamento, 48,9% dos jovens, o equivalente a 7,6 milhões de pessoas, saíram completamente do Cadastro Único. Outros 17,6%, cerca de 2,7 milhões de jovens, saíram do Bolsa Família e permaneceram apenas no Cadastro Único, sugerindo melhora relativa de renda, mas mantendo-os ligados à rede de proteção social. Portanto, do total acompanhado, 66,45% deixou o programa de transferência de renda.
 

A pesquisa registrou a permanência no programa em 33,5% da coorte, aproximadamente 5,2 milhões de pessoas, o que sinaliza a persistência de condições de vulnerabilidade.
 

Perfil
 

Em 2012, o grupo da pesquisa era predominantemente composto por jovens pardos e pretos, que totalizavam 73,4% do total. Embora 96% frequentassem a escola, 27,4% estavam em defasagem idade-série. Uma parcela expressiva das famílias vivia em condições domiciliares precárias, 14,3% moravam em casas com materiais frágeis e menos da metade, 40,4%, possuía ligação à rede coletora de esgoto.
 

A análise revelou seletividade no desligamento do Bolsa Família com jovens que apresentavam melhores condições iniciais em 2012, tendo maior probabilidade de não serem encontrados no Cadastro Único em 2024. O sexo masculino foi o fator individual mais robusto, aumentando significativamente a chance de saída. Jovens alfabetizados em 2012 tiveram maior probabilidade de desvinculação, assim como aqueles que trabalhavam precocemente.

Segundo o estudo, as condições familiares também influenciaram a trajetória dos jovens. Responsáveis com maior escolaridade, especialmente aqueles com ensino médio completo ou superior, aumentaram a probabilidade de desligamento. A inserção em empregos formais também esteve associada à saída do programa, assim como a situação de famílias com renda per capita superior a R$ 140 em 2012.
 

Em contrapartida, fatores de vulnerabilidade estiveram associados à permanência na rede de proteção social. Jovens pretos e pardos apresentaram menor probabilidade de saída em comparação a jovens brancos. A permanência também esteve relacionada a condições precárias de moradia.
 

O tempo de permanência da família no Bolsa Família até 2012 influenciou diretamente o resultado em 2024. Famílias com curta exposição ao programa, de até dois anos, tiveram a maior probabilidade de desligamento.
 

O estudo demonstra que a trajetória dos jovens foi influenciada pela combinação de características individuais, familiares e contextuais. A permanência no Bolsa Família esteve ligada a situações de maior vulnerabilidade. Já a saída completa do Cadastro Único sugere trajetórias de mobilidade socioeconômica, geralmente favorecidas por maior capital humano inicial e melhores condições econômicas familiares.
 

Assessoria de Comunicação – MDS