Parcerias internacionais preveem transferência de tecnologia e podem movimentar até R$ 10 bilhões em uma década, fortalecendo a produção nacional de tratamentos oncológicos
Durante missão oficial à Índia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Alexandre Padilha formalizou três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) voltadas à fabricação nacional de medicamentos oncológicos estratégicos para o Sistema Único de Saúde. A assinatura ocorreu em Nova Delhi, no âmbito do Fórum Empresarial Brasil–Índia, e marca um novo passo na política de fortalecimento da indústria farmacêutica brasileira.
Os acordos envolvem a produção dos medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe — utilizados no tratamento de câncer de mama, leucemias e câncer de pele. A estimativa é que, apenas no primeiro ano, o investimento do Ministério da Saúde alcance cerca de R$ 722 milhões, podendo chegar a R$ 10 bilhões ao longo de dez anos, a partir do uso do poder de compra do Estado para garantir escala, acesso e previsibilidade ao SUS.
Além da ampliação do acesso a terapias de alta complexidade, os contratos preveem transferência de tecnologia e internalização da produção. A estratégia integra a política de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com foco na redução da dependência externa, geração de empregos qualificados e ampliação da autonomia sanitária brasileira.
A iniciativa reúne laboratórios públicos e empresas privadas brasileiras e indianas. Entre os parceiros estão a Bahiafarma e a FURP, além de empresas como Bionovis, Biocon e Dr. Reddy’s. A proposta é consolidar cadeias produtivas no país, garantindo estabilidade no fornecimento de medicamentos essenciais e ampliando a capacidade tecnológica nacional.
A agenda bilateral também avançou em outras frentes. Foi prorrogado por mais cinco anos o Memorando de Entendimento entre Brasil e Índia na área da saúde, ampliando a cooperação em vacinas, biofármacos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial aplicada à gestão sanitária. A parceria inclui intercâmbio técnico em áreas como oncologia, diabetes e doenças crônicas.
A Fundação Oswaldo Cruz reforçou o movimento ao firmar memorandos com farmacêuticas indianas para desenvolvimento e produção de medicamentos destinados a doenças raras e infecciosas negligenciadas. Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ampliou a cooperação regulatória com a autoridade sanitária indiana, abrindo caminho para maior agilidade na análise de medicamentos e no intercâmbio de boas práticas.
O conjunto das medidas consolida a aproximação estratégica entre Brasil e Índia no campo da saúde pública e projeta um cenário em que inovação, produção local e cooperação internacional caminham lado a lado para ampliar o acesso da população brasileira a tratamentos modernos e essenciais.


