Pela saúde do homem

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Data alerta para a necessidade de cuidados preventivos e detecção precoce da doença, o que amplia a possibilidade de cura. Parlamento goiano está desenvolvendo várias ações dentro da campanha Novembro Azul.

O Novembro Azul é uma campanha que integra o calendário mundial com o objetivo de alertar para a importância do diagnóstico precoce e colaborar para a quebra de tabus ao divulgar anualmente informações sobre o câncer de próstata, o segundo mais incidente entre os homens, perdendo somente para o câncer de pele.

A campanha vai além, ao procurar conscientizar quanto aos cuidados especiais com a saúde integral do homem, abrangendo temas como doenças crônicas, infecções sexualmente transmissíveis, bem como a saúde mental que garante o equilíbrio emocional.

No mundo todo, em milhares de cidades, prédios e monumentos históricos se iluminam de azul, cor símbolo dessa data, com o objetivo de chamar a atenção para esse movimento global de conscientização em prol da saúde masculina. A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) também participa das celebrações expondo sua ampla fachada nessa mesma cor. Além disso, dentro deste mês também está incluído no calendário o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, realizado em 17 de novembro. 

E quando se fala em câncer de próstata os números são bastante preocupantes. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), lamentavelmente em 2022, o país registrou 44 mortes diárias em consequência da doença e espera para este ano 74 mil novos casos. Já os dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que a mortalidade pela doença ainda continua em alta, ceifando a vida de  cerca de 25% dos que desenvolvem neoplasias malignas. Diante desse cenário, a SBU abraça todos os anos a campanha do Novembro Azul com o intuito de incentivar o cuidado com a saúde masculina de forma global.

Grande parte disso, de acordo com a SBU, reflete o impacto causado pela pandemia do coronavírus, quando os homens se afastaram ainda mais de todos os serviços ofertados na saúde, comprometendo o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Os dados indicam que, neste período, o número de consultas urológicas realizadas pelo Sistema Únicos de Saúde (SUS) caiu 33,5% e houve uma redução de mais de 20% nas cirurgias de câncer de próstata. Além da redução nas cirurgias, a SBU revela, ainda, a diminuição na coleta para os exames de Antígeno Prostático Específico, mais conhecido como exame de PSA (27%), do toque retal e da biópsia da próstata em cerca de 21%, respectivamente. 

Isso demonstra que ainda podemos estar sentindo os efeitos do período pandêmico (do coronavírus) com o número de casos de câncer de próstata em alta, devido ao reflexo da baixa procura pelos serviços de saúde relacionados ao problema nesse período. Provavelmente ainda vai levar um tempo para que essa demanda represada pela busca dos serviços médicos, especialmente os urológicos, seja atendida. 

Ações do Novembro Azul 

Em Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), o governo estadual realiza uma série de atividades nesse período ampliando os cuidados  com a saúde integral do homem, de acordo com determinação do Ministério da Saúde (MS). Entre as ações, são realizadas panfletagem, testagens de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), distribuição de preservativos, imunização, aferição de pressão e testes de glicemia, lives sobre diabetes com profissionais de saúde dos municípios, entre outros.

Em todo o Estado, as regionais de saúde vão orientar os gestores municipais a oferecer acesso a exames, a realizar a busca ativa do público alvo e a promover decorações alusivas ao mês. O horário de atendimento das unidades também será ampliado para favorecer o atendimento aos homens que trabalham durante o horário comercial. O objetivo dessa estratégia é fazer com que a campanha atinja a população masculina, principalmente jovens e adultos, que têm mais dificuldade para procurar o atendimento médico.

A Alego, por iniciativa do deputado Ricardo Quirino (Republicanos), realizou no último dia 6 a audiência pública denominada “Câncer de próstata: não ouça a voz do preconceito. Escute seu médico!”. Na ocasião, várias autoridades, profissionais da área da saúde, médicos especialistas e representantes da sociedade civil organizada participaram de um amplo debate que procurou alertar e conscientizar sobre a prevenção da doença, observando a importância da rede familiar na identificação e tratamento do câncer de próstata.

Silenciosa e assintomática 

Em entrevista à Agência de Notícias, o médico urologista Marco Túlio Alves Cruvinel informa que o câncer de próstata na sua fase inicial é silencioso e assintomático e, por isso, as consultas médicas de rotina devem necessariamente ocorrer ao menos uma vez por ano, entretanto grande parte dos homens deixa imperar o preconceito e não procura o médico para realizar o diagnóstico, que é feito com apenas dois exames simples que se somam e não são excludentes: o exame de sangue (conhecido como PSA) e o exame do toque.

Cruvinel diz que o preconceito ainda impede que o homem procure um atendimento precoce fazendo com que muitos homens se sintam ameaçados por esse tipo de exame. Ele destaca, entretanto, que isso vem diminuindo a cada ano, pois os homens têm se conscientizado que o exame de toque e os exames preventivos não afetam a masculinidade. “Estão mudando a mentalidade e encarando isso como uma questão de saúde.”

O urologista alerta para a necessidade de uma rotina de cuidados com a sua saúde, buscando consultar sempre o mesmo médico para acompanhar seu histórico ao longo dos anos. “Infelizmente, grande parte dos homens aguarda que o sintoma apareça para só depois procurar ajuda médica, dando espaço para que a doença continue progredindo. Então, quando se descobre, o câncer já está numa fase muito mais avançada, onde o tratamento já é considerado agressivo, prolongado e os riscos maiores. Quando detectado precocemente, o câncer de próstata tem 90% de chance de cura, proporcionando um tratamento muito mais tranquilo.”

Além de considerar a cultura machista que cria barreiras capazes de desmotivar o autocuidado, Cruvinel também traz reflexões acerca do estilo de vida contemporâneo, ressaltando que alguns fatores que sempre estão relacionados ao câncer de próstata, dentre eles:  a obesidade, o sedentarismo e o tabagismo. Ele crava que suspender o tabagismo e adotar uma alimentação saudável associada a atividades físicas diárias, ajudam no combate à doença. 

O especialista lembra que a próstata é uma pequena glândula do sistema reprodutor masculino localizada na região anterior do reto que pode crescer de forma desordenada com o passar da idade, tornando-se suscetível a tumores que se desenvolvem devido ao crescimento desordenado das células. O médico lembra os diferentes métodos de tratamento disponíveis, como cirurgia, radioterapia, terapia hormonal e outros, dependendo do estágio e da gravidade da doença. Ele enfatiza que o tratamento adequado deve ser definido no momento do diagnóstico, após a realização de todos os exames.

A próstata foi descrita pela primeira vez pelo anatomista Niccolò Massa, em 1536 e teve sua primeira representação ilustrada pelo também anatomista Andreas Vesalius, em 1538. No entanto, o câncer de próstata só foi identificado em 1853, pelo cirurgião J. Adams. A princípio, foi considerado como uma doença rara, provavelmente por causa da baixa expectativa de vida daqueles diagnosticados com o mal e pela própria dificuldade de diagnóstico no século XIX.

Hábitos de vida 

Pesquisas comprovam que a saúde não está relacionada somente à genética, mas principalmente às escolhas e hábitos de vida, associados ao acompanhamento preventivo. Dentre os critérios que podem estar associados a melhor qualidade de vida podemos citar: atividade física regular, peso corporal adequado, alimentação balanceada, eliminar bebida alcoólica, eliminar fumo, drogas e reduzir o estresse diário. Estudos comprovam que os homens mais cuidadosos têm maior expectativa de vida, especialmente por conseguirem detectar precocemente as doenças.

Tantos médicos quanto nutricionistas recomendam que sejam incorporados na dieta dos pacientes alguns alimentos que ajudam a proteger a próstata, tais como os ricos em ômega-3 contidos especialmente entre peixes como salmão, sardinha, atum e truta; tomates e outros frutos vermelhos ricos em licopeno; brócolis; chá verde; castanha do Pará.

Na busca de quebrar tabus e enfrentar o preconceito, outra atitude necessária que todos os homens podem adotar é o autocuidado. O “sexo forte” como é conhecido, pode encontrar coragem para romper ciclos de negligência, praticando o autocuidado e demonstrando responsabilidade consigo mesmo, desde questões mais básicas como o acompanhamento médico periódico, por exemplo.Agência Assembleia de Notícias

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