Governo cogita fim da “taxa das blusinhas” para conter desgaste eleitoral

Com prejuízo recorde nos Correios e queda no poder de compra, Planalto estuda reverter imposto sobre importações; economista Charles Mendlowicz analisa o cenário

O governo federal iniciou discussões para reverter a taxação de produtos importados de até US$ 50, a popular “taxa das blusinhas”, em uma tentativa de reduzir o desgaste político e melhorar a popularidade antes das eleições de 2026. A medida, que incide sobre compras em sites como Shein, Shopee e AliExpress, tornou-se um símbolo de insatisfação entre eleitores de baixa renda, apesar de ter gerado uma arrecadação de R$ 425 milhões em janeiro deste ano, segundo dados da Receita Federal.

Ainda de acordo com a Receita Federal, o volume de compras internacionais em desacordo com as normas caiu 60% em 2025, uma vez que a cobrança passou a ser feita de forma direta no ato da transação. Contudo, o custo eleitoral parece estar pesando mais que o benefício fiscal.

O economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, aponta uma forte contradição na postura do governo. Segundo ele, o imposto foi defendido pela própria gestão atual como algo positivo para a economia nacional.

“O governo criou uma taxa, defendeu, disse que era uma boa para o país, que era uma boa para as empresas varejistas, que era uma boa para as pessoas. Agora, o governo olha e fala: ‘Não, esse negócio aqui não é bom, foi ruim para os pobres. Precisamos acabar'”, comenta o economista.

Mendlowicz destaca que o principal impacto foi a redução drástica do poder de compra das classes C e D. Ele exemplifica que o consumidor que antes conseguia adquirir duas peças de roupa com o mesmo orçamento, agora se vê limitado a comprar apenas uma devido ao aumento de preços gerado pelos tributos.

“A pessoa gasta a mesma coisa e compra menos, o site ganha a mesma coisa, e a única pessoa que está se dando bem é o governo porque passou a ficar com parte do que o consumidor compraria”, avalia o Economista Sincero.

Crise nos Correios

A situação financeira dos Correios também é um fator de pressão. A estatal fechou o ano de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões. Embora haja tentativas de associar o rombo à queda no volume de encomendas internacionais por conta da taxa, Mendlowicz vê a questão como um problema de gestão. “A ‘taxa das blusinhas’ está sendo usada pelos Correios como uma cortina de fumaça para a desorganização da instituição”, conclui o economista.

Enquanto o governo federal estuda os próximos passos, parlamentares e setores da indústria nacional prometem resistir à reversão, mantendo o debate sobre a carga tributária brasileira e a proteção ao mercado interno no centro da pauta política.

Sobre o Economista Sincero

Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.

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Da Redação