Eleições 2026 e compliance: como a rotatividade no poder transforma PEPs em ‘alvo móvel’

Mudanças constantes em cargos públicos elevam riscos reputacionais; empresas buscam infraestrutura de decisão para evitar multas de até 20% do faturamento

Com a proximidade das eleições de 2026, o cenário corporativo brasileiro se prepara para um dos períodos de maior volatilidade na gestão de riscos. O dinamismo das listas de Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) atinge seu pico em anos eleitorais, transformando o monitoramento de terceiros em um verdadeiro ‘alvo móvel’. Nesse contexto, parceiros ou fornecedores aprovados em processos de onboarding hoje podem se tornar riscos jurídicos graves em questão de dias devido a novas nomeações e trocas de cargos.

Para Gustavo Tremel, cofundador e CEO da startup catarinense VAAS, o maior perigo para as organizações é confiar no que ele define como ‘foto estática’. “O onboarding que você fez hoje pode ignorar que seu fornecedor se tornou um PEP amanhã”, analisa o executivo. Tremel alerta que, sob a Lei Anticorrupção (12.846/13), a responsabilidade das empresas é objetiva: “Se um parceiro cometer um ilícito em seu interesse, sua empresa responde junto, com multas de até 20% do faturamento”.

Compliance reativo é falho

O modelo tradicional de checagens esporádicas tem se mostrado insuficiente diante da velocidade das mudanças no setor público. Segundo Tremel, o compliance reativo é o maior inimigo da operação de uma empresa. “A dependência de verificações manuais em um ano de renovação massiva de cargos expõe as companhias a pontos cegos que podem comprometer a marca e a saúde financeira do negócio”, explica o CEO da VAAS.

A resposta para essa volatilidade reside na tecnologia de monitoramento contínuo: em vez de apenas checar a entrada, a ideia é vigiar o risco durante todo o ciclo de vida do parceiro ou cliente. Essa abordagem permite que as empresas mantenham conformidade rigorosa não apenas com a Lei Anticorrupção, mas também com diretrizes setoriais específicas, como a Circular BACEN 3.978/20, que rege políticas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD).

Tecnologia atua como infraestrutura de decisão

A orquestração de dados, proposta pela VAAS, surge como ferramenta para garantir que o rigor do compliance não se torne um gargalo para o crescimento das empresas. Gustavo Tremel conta que a integração de diferentes fontes de dados e aplicações em um único hub permite uma visão total da exposição ao risco.

“Os benefícios são diversos. Destaco o mapeamento de UBO (beneficiário final), que identifica os reais controladores de empresas em segundos; o monitoramento ativo de mudanças de status de PEPs, varredura de mídias negativas e critérios ESG; e a geração de dossiê probatório com apenas um clique, assegurando segurança jurídica”, pontua o executivo.

Tremel conclui que ao adotar inovação no compliance, o empreendedor se protege em cenários turbulentos como o eleitoral. “Para as empresas que buscam navegar a instabilidade de 2026, a mensagem é clara: a reputação não pode ser deixada ao acaso”, finaliza o cofundador da VAAS.

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Da Redação