Washington aceita pedido brasileiro para consultas e abre caminho para negociação sobre tarifas aplicadas às exportações nacionais
A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo. O governo norte-americano aceitou formalmente realizar consultas com o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir as tarifas que podem chegar a 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado dos Estados Unidos.
A aceitação das consultas permite que representantes dos dois países negociem diretamente antes que a disputa avance para outras etapas dentro da organização. O movimento abre uma frente diplomática para o governo brasileiro tentar reduzir os impactos das medidas sobre setores da economia nacional.
As tarifas preocupam principalmente a indústria. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que a combinação das cobranças pode atingir quase 4 mil produtos e aproximadamente US$ 10,8 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Apesar do impacto, uma parcela significativa das exportações brasileiras ficou fora das duas taxações. Produtos considerados estratégicos para a relação comercial entre os países receberam diferentes formas de isenção, diminuindo o efeito das medidas sobre o conjunto das vendas nacionais.
A abertura das consultas coloca a relação comercial entre Brasília e Washington novamente no centro da agenda econômica. O resultado das negociações poderá afetar diretamente empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano e deverá permanecer entre os principais temas econômicos acompanhados pelo governo federal.

