Brasília debate felicidade como indicador de desenvolvimento em congresso internacional

Especialistas discutem políticas públicas de bem-estar e qualidade de vida durante o 2º Congresso da Felicidade de Brasília, que será realizado no Museu Nacional da República. As inscrições são gratuitas
 

A capital recebe, no dia 20 de março, o 2º Congresso da Felicidade de Brasília, encontro que reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir um tema que ganha cada vez mais espaço no debate global: a felicidade como indicador de desenvolvimento social. O evento gratuito acontece no Museu Nacional da República, das 9h às 18h, em celebração ao Dia Internacional da Felicidade, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular reflexões sobre bem-estar e qualidade de vida nas sociedades contemporâneas.
 

Mais do que um conceito subjetivo, a felicidade tem sido tratada em diversos países como um parâmetro relevante para orientar políticas públicas. Um dos principais exemplos é o modelo adotado pelo Butão, país que se tornou referência mundial ao desenvolver o indicador de Felicidade Interna Bruta (FIB), criado na década de 1970 e consolidado como política nacional a partir dos anos 2000. O índice considera fatores como saúde, educação, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, preservação ambiental, cultura e participação comunitária, dimensões que ampliam a visão tradicional de desenvolvimento baseada apenas em indicadores econômicos.


A experiência butanesa estará representada no congresso por Lhatu, diretor executivo do Centro de Felicidade Interna Bruta do Butão (GNH/Buthan), que compartilhará a experiência do país na construção de políticas públicas voltadas ao bem-estar e à felicidade. O modelo do Butão tem inspirado debates em diferentes partes do mundo sobre a necessidade de ampliar os critérios tradicionais de desenvolvimento.


O tema ganha relevância diante de dados recentes sobre bem-estar global. O World Happiness Report 2024, estudo internacional publicado pela ONU em parceria com a Gallup e a Universidade de Oxford, aponta que fatores como saúde mental, confiança social, segurança e qualidade das relações humanas influenciam diretamente a percepção de felicidade da população. O relatório também demonstra que sociedades que investem em políticas públicas voltadas ao bem-estar tendem a apresentar níveis mais elevados de satisfação com a vida.
 

No Brasil, pesquisas também indicam desafios nesse campo. O Global Happiness Survey 2023, realizado pelo Instituto Ipsos, revelou que 63% dos brasileiros afirmam sentir-se felizes, percentual abaixo da média global registrada no estudo. Entre os fatores que impactam negativamente o bem-estar estão o estresse financeiro, a insegurança e questões relacionadas à saúde mental. Outro dado relevante aparece no relatório “Mental State of the World 2023”, do instituto internacional Sapien Labs, que apontou o Brasil entre os países com índices preocupantes de saúde mental, refletindo um cenário global de aumento de ansiedade, estresse e esgotamento emocional.
 

Além da participação internacional, o Congresso reunirá especialistas brasileiros de diferentes áreas que atuam diretamente com temas ligados ao desenvolvimento humano, liderança, educação, espiritualidade e felicidade nas organizações. Entre os palestrantes confirmados estão Cosete Ramos, idealizadora do movimento Brasília Capital da Felicidade e consultora da felicidade do Congresso; Lívia Azevedo, primeira Diretora de Felicidade do Brasil; Manoel Clementino Barros Neto, Diretor-Presidente do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF); e Bispo JB Carvalho, líder religioso e palestrante que aborda temas ligados à fé, propósito e construção de uma vida com significado.


A diversidade de vozes e experiências reforça a proposta do evento de ampliar o debate sobre felicidade para além da dimensão individual, abordando também sua relação com políticas públicas, gestão organizacional, educação e qualidade de vida nas cidades.


Para Cosete Ramos, discutir felicidade de forma estruturada é um passo importante para repensar prioridades sociais. “A felicidade precisa deixar de ser vista apenas como uma experiência individual e passar a ser considerada também como um objetivo coletivo. Quando falamos de felicidade, estamos falando de saúde mental, relações humanas, propósito e qualidade de vida nas cidades”, afirma.


O presidente do Instituto de Produção Socioeducativo e Cultural Brasileiro (IPCB), Jorge Luiz, destaca que o congresso busca contribuir para ampliar esse diálogo no país. “A proposta do Congresso da Felicidade é abrir espaço para uma reflexão profunda sobre desenvolvimento humano. Mais do que crescimento econômico, as sociedades contemporâneas precisam discutir bem-estar, equilíbrio, qualidade de vida e felicidade como parte central das políticas públicas”, afirma.
 

Realizado pelo IPCB, com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura, o evento reforça o posicionamento de Brasília como um espaço cada vez mais relevante para o debate sobre bem-estar, desenvolvimento humano e novas formas de pensar o futuro das sociedades.


Serviço:
 

2º Congresso da Felicidade de Brasília
Quando: 20 de março de 2026, das 9h às 18h
Onde: Museu Nacional da República – Brasília
Ingressos: gratuito
Inscrições: Link
Mais informações: @congressodafelicidadebsb

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Da Redação