Da Redação
Governador lidera pesquisa para a reeleição, enquanto candidatura petista aposta no apoio de Lula e nos investimentos federais realizados em São Paulo
A eleição para o Governo de São Paulo caminha para um confronto entre dois projetos com forte projeção nacional. De um lado, o governador Tarcísio de Freitas tenta conquistar a reeleição apresentando obras, concessões, investimentos em infraestrutura e resultados de sua administração. Do outro, Fernando Haddad procura reconstruir a presença do PT no maior colégio eleitoral do país.
Pesquisa Datafolha divulgada em julho mostrou Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 30% de Haddad. A vantagem coloca o governador em uma posição confortável no início da campanha, mas não elimina a possibilidade de crescimento do candidato petista durante o período eleitoral.
Tarcísio deverá utilizar a máquina estadual para divulgar entregas e defender seu modelo de gestão. A proximidade com o bolsonarismo também garante apoio entre eleitores conservadores, embora o governador procure manter uma imagem administrativa mais ampla, capaz de dialogar com empresários, prefeitos e setores moderados.
Haddad, que deixou o Ministério da Fazenda para concorrer, aposta em uma campanha nacionalizada. O presidente Lula deverá participar diretamente dos atos em São Paulo, destacando programas federais, obras do Novo PAC, investimentos na saúde, expansão das universidades e políticas sociais executadas nos municípios paulistas.
A estratégia petista consiste em demonstrar que uma parte significativa dos investimentos que chegam ao estado tem origem no Governo Federal. Esse argumento deverá aparecer principalmente em regiões metropolitanas, no interior e em municípios que receberam unidades de saúde, moradias, obras de infraestrutura e recursos para transporte.
O governo estadual, por sua vez, tentará mostrar autonomia e capacidade própria de investimento. A disputa pela autoria das entregas públicas será um dos principais elementos da campanha. Em diferentes municípios, obras possuem recursos federais, estaduais e municipais, permitindo que diferentes grupos políticos reivindiquem os resultados.
Outro desafio de Haddad será reduzir a rejeição construída ao longo de disputas anteriores. Ex-prefeito da capital, ex-candidato à Presidência e derrotado por Tarcísio em 2022, ele é amplamente conhecido pelo eleitorado. Sua campanha precisará apresentar novidades e impedir que a eleição seja vista apenas como uma repetição do confronto anterior.
Tarcísio também terá de administrar sua relação com a família Bolsonaro. O apoio do ex-presidente é importante para conservar a base conservadora, mas uma aproximação excessiva pode dificultar o diálogo com eleitores de centro. O governador tentará equilibrar lealdade política e imagem de gestor.
Mais do que definir o comando do Palácio dos Bandeirantes, a eleição paulista poderá influenciar o futuro da política nacional. Uma vitória de Tarcísio o manteria como liderança central da direita brasileira. Um bom desempenho de Haddad, mesmo diante de uma disputa difícil, poderia fortalecer seu nome como possível sucessor de Lula dentro do campo progressista.
