Ibaneis Rocha: o dia em que a fé ganhou escritura no Distrito Federal

Como a assinatura e entrega de escrituras a templos religiosos transformou a relação entre organizações de fé e o território urbano no DF

No Palácio do Buriti, no coração político do Distrito Federal, a manhã de agosto passado parecia comum — até que as portas se abriram para líderes religiosos e representantes comunitários. A cada nome chamado, um sorriso surgia, gestos se estreitavam e velhos documentos eram substituídos por algo novo: a escritura de um templo religioso oficialmente reconhecida pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

A entrega, conduzida pelo governador Ibaneis Rocha, marcou mais um capítulo de um programa que começou anos antes, com o objetivo de dar segurança jurídica às instituições de fé que há décadas ocupavam espaços sem a devida titulação. “Com esta escritura, sabemos que aquilo nos pertence; agora podemos investir e sonhar com novos projetos”, disse um dos líderes presentes, emocionado.

O projeto, conhecido como Igreja Legal, começou como uma resposta pragmática a conflitos urbanos e à necessidade de regularizar ocupações históricas de igrejas, templos e entidades de assistência social. Desde 2019, centenas de escrituras foram lavradas, sinalizando uma mudança profunda: o religioso deixa de ser invisível na burocracia para se tornar parte integrante do mapa oficial do DF.

Essa transformação teve impacto direto na vida das comunidades. Com a escritura em mãos, associações que antes lutavam para atender seus públicos em segurança agora planejam reformas, ampliações e até ações sociais. A sensação de pertencimento se tornou tão palpável quanto as chaves entregues naquela cerimônia.

Especialistas em políticas públicas apontam que a iniciativa vai além de uma questão territorial: trata-se de cidadania e reconhecimento institucional. Ao assegurar que o lugar onde pessoas se reúnem para rezar, ajudar e celebrar seja oficialmente delas, o GDF constrói uma ponte entre o Estado e a sociedade civil.

E para os protagonistas dessa história — líderes de templos e fiéis — a escritura é mais que um papel: é a promessa de continuidade. Uma garantia de que ali, naquele pedaço do Distrito Federal, fé e futuro caminham juntos.

DISTRITO FEDERAL
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Da Redação