Disputa sobre duodécimos expõe tensão entre poderes e reacende debate sobre autonomia institucional.
A política goiana ganhou novos contornos de tensão após o governo estadual decidir reter parte dos repasses orçamentários destinados à Assembleia Legislativa e a outros órgãos autônomos. A medida, justificada como ajuste fiscal, foi interpretada como gesto de força do Executivo.
O argumento do governo é de que valores não devolvidos em exercícios anteriores precisam ser compensados, garantindo equilíbrio das contas públicas. Já os atingidos enxergam na decisão um risco à autonomia constitucional dos poderes.
O embate rapidamente ultrapassou o campo técnico e migrou para o político. Parlamentares passaram a tratar o tema como interferência indevida, enquanto o Executivo reforça a narrativa de responsabilidade e zelo pelo dinheiro público.
A consequência imediata é um ambiente legislativo mais duro, com maior dificuldade de construção de consensos. Projetos estratégicos podem enfrentar obstáculos adicionais em meio ao clima de desconfiança.
Para o Mirante Social, a disputa sinaliza que 2026 tende a ser um ano de relações institucionais mais ásperas em Goiás. Quando orçamento vira arma política, a governabilidade entra em teste.


