Decisões recentes de Donald Trump aumentam temor de abandono dos EUA à Ucrânia na guerra contra a Rússia
Anúncios feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos últimos dias intensificaram o temor entre autoridades ucranianas de que o país possa ser deixado sem apoio na guerra contra a Rússia.
Após uma longa conversa telefônica entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, Trump tomou uma série de medidas, como a suspensão temporária das sanções para permitir a compra de diesel russo pelo governo norte-americano, críticas públicas ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky – sugerindo que a Ucrânia deveria ter um “novo líder” – e o anúncio de um suposto “cessar-fogo energético”. Essas iniciativas ocorreram sem consulta prévia ao governo ucraniano.
De acordo com fontes ouvidas pela CNN, o maior motivo de preocupação para Kiev são as ameaças privadas feitas pela Casa Branca. Segundo essas informações, o governo dos EUA teria ameaçado suspender o compartilhamento de informações de inteligência e a venda de armamentos à Ucrânia, incluindo por meio de parceiros europeus, caso o país continue atacando refinarias e ativos do setor petrolífero na Rússia. Segundo a imprensa europeia, também estaria em risco o programa PURL, utilizado para financiar armamentos americanos destinados à Ucrânia.
A Rússia, segundo o Kremlin, recusou retomar negociações de paz e afirma que a guerra continuará até o cumprimento de todos os objetivos russos. Na sequência, Trump anunciou que foi fechado um acordo para suspender sanções ao diesel russo, permitindo o envio de 300 mil toneladas do combustível ao mercado global e outras 500 mil toneladas prometidas para novembro. Não há informações sobre exigências de concessões à Rússia como contrapartida.
O presidente Volodymyr Zelensky respondeu classificando o acordo do diesel como um presente a Putin, que poderia resultar em mais ataques contra a Ucrânia. Em resposta, Trump se irritou publicamente e sugeriu que os ucranianos deveriam eleger outra liderança, disposta a negociar com o Kremlin.
Autoridades ucranianas veem as ações de Trump como possíveis sinais de uma virada estratégica dos EUA, deixando de pressionar Moscou a encerrar a invasão e passando a fazer concessões à Rússia e aumentar exigências à Ucrânia. Caso o apoio militar seja reduzido, Kiev teme não resistir aos ataques russos e uma possível vitória militar da Rússia, com o risco de perda definitiva de territórios ocupados.


