Indicador da Confederação Nacional da Indústria caiu para o menor nível desde agosto de 2020, refletindo desaceleração econômica e aumento das incertezas
A disposição da indústria brasileira para realizar novos investimentos chegou, em setembro, ao menor nível registrado desde agosto de 2020. O indicador calculado pela Confederação Nacional da Indústria recuou para 51,3 pontos, consolidando uma sequência de quedas iniciada em maio.
Embora o índice permaneça ligeiramente acima da linha de 50 pontos, que separa expectativas positivas e negativas, o movimento mostra que o setor produtivo está mais cauteloso. Em quatro meses, a intenção de investir acumulou uma redução de 3,5 pontos.
As expectativas relacionadas à demanda, compra de matérias-primas, exportações e contratação de trabalhadores também perderam força. No caso do emprego e das vendas para o exterior, os indicadores ficaram abaixo dos 50 pontos, sinalizando uma perspectiva de retração.
A produção industrial também apresentou resultado negativo. Em agosto, o indicador de evolução da produção caiu para 46,3 pontos, o pior desempenho para o mês em 11 anos. A utilização da capacidade instalada recuou para 69%, mostrando que parte das fábricas está trabalhando abaixo de seu potencial.
Os números indicam que a indústria acompanha com preocupação a desaceleração da atividade econômica e as incertezas do cenário nacional. A recuperação dos investimentos dependerá de maior previsibilidade, melhoria das condições de crédito e retomada consistente do consumo.
