A 22ª rodada da Pesquisa Genial/Quaest (fevereiro de 2026) trouxe um dado que redefine o caráter da disputa presidencial: o presidente Lula registra 45% de aprovação e 49% de desaprovação. Não é um cenário de colapso. Mas definitivamente não é de conforto.
Quando um governo em exercício não ultrapassa a barreira simbólica dos 50% e enfrenta desaprovação superior à aprovação, a eleição deixa de ser referendo automático e passa a ser disputa estrutural. E disputas estruturais não são vencidas apenas com discurso. São vencidas com engenharia política.
É nesse ambiente que o PSD assume papel decisivo.
Os dados da pesquisa indicam avaliação negativa superior à positiva, percepção econômica ainda sensível e fragmentação nos cenários estimulados de primeiro turno. Não há hegemonia consolidada. Há teto para ambos os polos. O eleitor moderado será determinante.
E eleições decididas pelo centro exigem estrutura territorial.
Hoje, o PSD é o partido com maior número de prefeitos no Brasil. Após as eleições municipais de 2024, a legenda elegeu 891 prefeitos, governando cidades que somam mais de 37 milhões de brasileiros. Isso representa presença cotidiana na vida do eleitor, influência local e capacidade real de mobilização.
No plano estadual, o partido governa seis estados da Federação, incluindo unidades estratégicas do ponto de vista econômico e eleitoral. Entre seus quadros estão governadores com projeção nacional e ambição presidencial, como Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite.
No Congresso Nacional, o PSD conta com 42 deputados federais e 7 senadores. Essa combinação — presença municipal, comando estadual e densidade legislativa — não é comum no atual sistema partidário brasileiro. É estrutura consolidada.
Gilberto Kassab construiu essa estrutura com método. Desde a fundação do PSD, em 2011, o partido cresceu longe dos extremos ideológicos. Expandiu prefeituras, consolidou bancadas, ocupou governos estaduais e manteve diálogo institucional com diferentes campos políticos.
Essa estratégia produziu algo raro: centralidade.
Kassab não disputa protagonismo retórico. Não aposta na radicalização. Trabalha na engrenagem. Enquanto parte do sistema político reage a pesquisas e narrativas conjunturais, o PSD se posiciona como variável fixa em qualquer cenário.
Se lançar candidatura própria, pode reorganizar o campo oposicionista e redesenhar o primeiro turno. Se negociar posição estratégica em uma chapa majoritária, ampliará densidade eleitoral e reduzirá risco. Se optar por permanecer como fiel da balança, acumulará poder de barganha determinante para a governabilidade pós-eleição.
Em todos os casos, o PSD é peça central.
A pesquisa revela um país dividido, mas não capturado integralmente por nenhum campo. Há eleitores econômicos, sensíveis à direção do país e à estabilidade institucional. Esse eleitor não responde apenas à polarização. Responde à previsibilidade.
E previsibilidade institucional é território natural do PSD.
Em eleições apertadas, polarizações têm teto. Estruturas ampliam margem.
A pergunta estratégica para 2026 não é apenas quem lidera as pesquisas. A pergunta é: quem consegue vencer sem o PSD?
A política brasileira historicamente premiou quem controlou o centro do sistema. Partidos com capilaridade territorial e capacidade de articulação transversal tendem a definir desfechos apertados. O PSD reúne hoje os três níveis de poder que mais pesam em disputas competitivas: municipal, estadual e federal.
Ignorar essa engrenagem é erro de cálculo.
Em eleições abertas, não basta ter narrativa. É preciso ter estrutura. E a maior estrutura posicionada no centro do sistema político brasileiro atende por três letras.
2026 passa por Kassab. E passa pelo PSD.


