Planalto articula com Congresso para colocar jornada de trabalho no centro da disputa social e eleitoral.
O governo federal decidiu elevar o debate sobre o fim da escala 6×1 ao patamar de prioridade política. A movimentação do Palácio do Planalto junto ao comando da Câmara dos Deputados sinaliza que a pauta não é apenas trabalhista, mas estratégica dentro da construção de uma narrativa de valorização do trabalhador brasileiro.
Ao apostar nesse tema, o presidente Lula busca dialogar diretamente com a base popular, especialmente com trabalhadores de setores que convivem com jornadas exaustivas e baixa previsibilidade de descanso. A proposta é apresentada como um gesto de modernização das relações de trabalho e de promoção da qualidade de vida.
Nos bastidores, a articulação envolve cuidado técnico e político. O governo tenta construir um modelo de transição que reduza resistência empresarial, preserve empregos e evite impacto negativo sobre a economia. A palavra de ordem é equilíbrio: mudança gradual, mas com direção clara.
A estratégia também tem leitura eleitoral. Ao transformar a jornada de trabalho em símbolo de justiça social, o Planalto cria um contraste direto entre um projeto que promete mais tempo e dignidade ao trabalhador e um campo político que tende a defender manutenção do status quo.
Para o Mirante Social, a ofensiva em torno da escala 6×1 mostra que Lula aposta em pautas de alto impacto emocional e social para reorganizar o debate nacional. Mais do que uma mudança na legislação, o governo tenta consolidar um discurso de futuro.


