Aprovado pela Anvisa, uso da semaglutida na redução de infarto e AVC, exige critério e avaliação médica, alerta cardiologista

Nova indicação amplia estratégias de prevenção cardiovascular em pacientes com obesidade, diabetes e alto risco cardíaco, explica cardiologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Fabíola Siqueira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso da semaglutida para auxiliar na redução do risco de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). A decisão representa um avanço relevante no enfrentamento das doenças cardiovasculares, que seguem como a principal causa de morte no Brasil. A nova indicação se baseia em estudos clínicos que demonstraram benefícios além da perda de peso, especialmente na redução de eventos cardiovasculares em grupos específicos de pacientes.

Segundo a cardiologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Fabíola Siqueira, a aprovação traz impactos diretos para a prática clínica, mas deve ser compreendida dentro de um contexto mais amplo de cuidado com a saúde. “A aprovação do uso ampliado da semaglutida para auxiliar na redução de eventos cardiovasculares é mais uma arma contra a principal causa de mortalidade no Brasil. Na prática clínica, essa mudança só tem valor quando associada a hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e cessação do tabagismo, independentemente da quantidade de peso perdida”, ressalta.

Para quem a nova indicação é recomendada

A ampliação da indicação da semaglutida não se destina a toda a população de forma indiscriminada. De acordo com a médica, os benefícios cardiovasculares comprovados nos estudos clínicos estão diretamente relacionados a um perfil específico de pacientes, que já apresentam risco aumentado para eventos como infarto e AVC. “Os pacientes que se beneficiam do uso das semaglutidas são aqueles com obesidade e/ou diabetes associados à doença cardiovascular estabelecida, além de indivíduos classificados como de alto ou muito alto risco cardiovascular”, explica.

Essa diferenciação é fundamental para evitar o uso inadequado do medicamento e garantir que ele seja empregado de forma segura e eficaz. A especialista destaca que a nova indicação foi embasada em evidências científicas robustas, obtidas a partir de estudos que avaliaram desfechos cardiovasculares, e não apenas a perda de peso ou o controle glicêmico isolado. Nesse contexto, a semaglutida passa a ocupar um papel estratégico dentro da cardiologia preventiva, especialmente em pacientes que já convivem com múltiplos fatores de risco.

Ainda assim, a cardiologista reforça que a prescrição deve ser individualizada, considerando o histórico clínico, o perfil metabólico e as condições gerais de saúde de cada paciente. A avaliação médica criteriosa é indispensável para definir se o medicamento é realmente indicado e se os potenciais benefícios superam eventuais riscos. A nova aprovação, portanto, não substitui a análise clínica detalhada, mas amplia o arsenal terapêutico disponível para situações bem definidas.

Medicamento como complemento, não substituição do tratamento tradicional

Apesar do avanço representado pela aprovação da Anvisa, a semaglutida não deve ser vista como uma solução isolada ou substitutiva das estratégias tradicionais de prevenção cardiovascular. Fabíola é enfática ao afirmar que o medicamento atua como um complemento ao tratamento já estabelecido. “O uso da semaglutida é um complemento ao tratamento das doenças cardiovasculares e aos hábitos saudáveis. Ele vem somar. Jamais substituir as medicações e o estilo de vida nesse combate”, pontua.

Na prática, isso significa que o controle da pressão arterial, do colesterol, da glicemia, além da adoção de hábitos saudáveis, continua sendo a base da prevenção cardiovascular. A semaglutida atua de forma integrada, auxiliando na melhora do perfil metabólico e contribuindo para a redução do risco de eventos graves, mas não elimina a necessidade de acompanhamento médico contínuo nem de mudanças no estilo de vida.

Outro ponto importante destacado pela especialista diz respeito à segurança no uso do medicamento. “O uso deve sempre ser orientado e prescrito pelo médico, seguindo as indicações e monitorando os efeitos colaterais”, alerta. Entre os principais efeitos adversos estão sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, além de possíveis reações locais relacionadas à aplicação subcutânea. O acompanhamento clínico é essencial para ajustar doses, avaliar tolerância e garantir a adesão adequada ao tratamento.

Impacto na prevenção cardiovascular ainda será avaliado

Embora as evidências científicas que embasaram a decisão da Anvisa sejam consideradas promissoras, a cardiologista destaca que ainda é cedo para mensurar o impacto populacional da nova indicação na redução das doenças cardiovasculares no Brasil. “Ainda é cedo para avaliarmos o impacto sobre as doenças cardiovasculares, mas as evidências são promissoras sobre essa classe de medicamentos, que vai muito além da perda de peso”, afirma.

Segundo Fabíola, os benefícios observados estão relacionados à melhora do perfil metabólico como um todo, o que inclui redução de inflamação, melhor controle glicêmico e efeitos positivos sobre fatores de risco cardiovascular. Esses mecanismos ajudam a explicar a diminuição da incidência de infarto e AVC observada nos estudos clínicos, especialmente em pacientes de maior risco.

A expectativa é que, com o uso criterioso e bem indicado da semaglutida, aliado às estratégias clássicas de prevenção, seja possível avançar no controle das doenças cardiovasculares ao longo dos próximos anos. Para a especialista, a aprovação representa mais um passo no aprimoramento da medicina preventiva, reforçando a importância de abordagens integradas e baseadas em evidências científicas. “Trata-se de uma ferramenta importante, mas que precisa ser usada com responsabilidade, sempre dentro de um plano de cuidado global para o paciente”, conclui

DISTRITO FEDERAL
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Da Redação